terça-feira, 13 de março de 2018

Ministério Público abre investigação contra Metrô de SP por agressões a jornalistas


Fotógrafo disse que, mesmo após ter se identificado como integrante da imprensa, foi agredido em estação depois de protesto.

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para investigar a ação de seguranças do Metrô por supostas agressões a jornalistas após protesto em julho de 2017.

A investigação será conduzida pelos promotores Beatriz Helena Budin Fonseca e Eduardo Ferreira Valério, ambos da Promotoria de Direitos Humanos.

Eles iniciaram a investigação após uma representação feita pelo fotojornalista Rogério de Santis, que no dia 18 de julho de 2017 acompanhava uma manifestação de estudantes que protestavam contra as mudanças das regras do passe livre. 

 De acordo com a denúncia, após o fim do protesto em frente à Prefeitura de São Paulo, um grupo de estudantes seguiu para a estação Sé do Metrô. Lá eles decidiram pular a catraca. O jornalista acompanhava a trabalho o grupo.

"Seguranças tentaram me impedir. Em seguida, o corpo de segurança, aparentemente sem qualquer planejamento técnico passou a seguir as pessoas dentro da estação", diz Santis.
Ele ainda afirma que "jornalistas identificados que estavam fazendo a cobertura foram brutalmente agredidos ".

O autor da representação diz que mesmo se identificando como profissional de imprensa foi golpeado com uma tonfa (tipo de cassetete com ponta), sem qualquer motivo e posteriormente com "cabeçadas e outros golpes por agente de segurança do Metrô". Ele anexou um vídeo á representação.

Citando dados internacionais e nacionais de agressões a jornalistas e a vasta legislação que defende a liberdade de imprensa nesse país, os promotores enviaram várias questões para o presidente do Metrô e comunicaram a abertura da investigação à Secretaria de Transportes Metropolitanos.

Em nota, o Metrô informou que quando notificado "irá prestar todos os esclarecimentos necessários ao Ministério Público".

Quando notificado, o Metrô irá prestar todos os esclarecimentos necessários ao Ministério Público.
"Os agentes de segurança do Metrô são treinados para atender os usuários e intervir em situações de segurança pública e de primeiros socorros", diz o texto.

Agressão

Em julho de 2017, depois que o protesto foi encerrado, em frente à sede da Prefeitura, no Viaduto do Chá, alguns manifestantes caminharam até a estação Sé, do Metrô. Eles desceram a escada rolante e tentaram pular as catracas para não pagar pela viagem. Os seguranças reagiram e o tumulto teve início.

Os funcionários do Metrô usaram cassetetes para conter os manifestantes - alguns com os rostos cobertos. Imagens feitas pela equipe da GloboNews mostram as cenas de violência. Um cinegrafista diz que teve a câmera quebrada por um dos seguranças e um fotógrafo acabou agredido por eles.

“Do nada eu vi o segurança do meu lado levantar o cassetete e dar na minha cara. Ao questionar porque apanhei de graça, ele partiu para cima de mim. Começou a me dar cabeçada na cara e nisso os outros seguranças, para defender ele, vieram para cima de mim. Começaram a me empurrar e apanhei de todos os lados”, conta Rogério de Sanctis.

Em nota, o Metrô afirmou na ocasião que cerca de cem manifestantes pularam as catracas da estação da Sé e que os seguranças agiram para conter o grupo. De acordo com a assessoria do transporte, um agente foi agredido e ferido durante a confusão.

A Polícia Civil informou que, ao todo, quatro pessoas foram levadas para a delegacia do Metrô. Elas passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e depois foram liberadas.

G1 – 13/03/2018

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