quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Equipamentos que seriam utilizados na revitalização da CPTM estão abandonados

Sem a modernização, passageiros sofrem diariamente com falhas elétricas nos trens.

Os equipamentos que seriam usados na modernização nos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens metropolitanos) e ajudariam a evitar problemas e falhas nos trens da Linha 10- Turquesa estão abandonados e enferrujados no pátio de Capuava em Mauá, na Grande São Paulo. Além disso, a implantação de uma subestação de energia não foi concluída porque o terreno está penhorado.

Em Santo André, também na Grande São Paulo, a obra de revitalização está há dois anos abandonada. Não há funcionários trabalhando no local e o mato está alto às margens da linha de trem.

Os trens da CPTM são movidos a energia e quanto mais moderno for o sistema de alimentação elétrico, menos falhas vão ocorrer nos trens. Segundo levantamento da TV Globo, a linha 10 da CPTM é a que registrou o maior número de falhas neste ano. Foram registradas 66 falhas técnicas até o momento.

A licença ambiental para a obra saiu em 2009, há 18 anos, e no ano seguinte teve início a construção de uma subestação de Santo André em uma área que nem tinha sido comprada.

“Verificou-se que tinha um problema de penhora do terreno para a rede ferroviária federal. A rede tinha dívidas com seus fornecedores, isso foi penhorado, isso está na Justiça desde então para ser resolvido. A gente tem informação que foi resolvido agora, mas ainda não temos a liberação para poder retomar a obra”, afirmou Paulo de Magalhães, presidente da CPTM.

A CPTM disse que a obra na Linha 10 fazia parte de um contrato maior que incluía a modernização das linhas 8-Diamente e 11-Coral, assinado em 2009 pelo valor de R$ 134 milhões e teve 93% do serviço concluído.

Os equipamentos que seriam instalados na subestação de Santo André foram largados no canteiro em Capuava. A CPTM paga vigilantes para tomar conta do local, mas os transformadores tomam sol e chuva, estão com lodo e ferrugem. O Sindicato dos Ferroviários diz que pretende acionar o Ministério Público.

O presidente da CPTM defende que os equipamentos não correm risco por não estarem guardados da maneira correta, mas um especialista em engenharia elétrica contesta e diz que as peças podem funcionar mal ou nem funcionar quando forem instaladas.

“Se não se faz nada em termos de manutenção todo o projeto que teve um estudo de confiabilidade, de qualidade e proteção começa a perder parâmetros e as falhas começam a aparecer de forma bem exponencial”, disse o professor Edson Motoki.

Sobre o armazenamento inadequado dos equipamentos, o presidente da CPTM disse que técnicos especializados avaliaram e não encontraram nenhum problema.


G1 – 30/11/2017

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