quarta-feira, 6 de setembro de 2017

VLT de R$ 1 bi é o dano mais visível de corrupção no Mato Grosso


Obra projetada para a Copa está inacabada e tomada por lixo.

CUIABÁ - Os efeitos da roubalheira no estado de Mato Grosso podem ser vistos pelas ruas da capital, Cuiabá. O mais visível e revoltante deles é a obra do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) projetado para funcionar na Copa do Mundo de 2014, mas, até hoje, não passa de trechos inacabados de trilhos enferrujados e tomados por lixo. Cerca de R$ 1 bilhão foram gastos na obra e agora, para ser concluída, a empresa responsável quer receber mais R$ 1,2 bilhão, mais que o dobro do custo total orçado inicialmente para o VLT.

Projetado para ligar o aeroporto ao Centro de Cuiabá, o corredor foi alvo, mês passado, de uma operação da Polícia Federal. Ele é um dos símbolos do desperdício e da corrupção que houve em obras para a Copa no país. A Operação Descarrilho apura os crimes de fraude, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais, em tese ocorridos durante a escolha do modal do VLT e sua execução em Cuiabá, na gestão do ex-governador Silval Barbosa.

Em delação premiada, ele confessou ter recebido propina da empresa Mendes Júnior, investigada na Lava-Jato e que construiu o estádio Arena Pantanal. Cerca de 3% do valor do contrato foram para o então governador. Rachaduras nas paredes, infiltrações e piso quebrado são alguns dos problemas do estádio que custou quase R$ 600 milhões. O governo do estado estima que para terminar a obra precisará de mais de R$ 20 milhões.

Na saúde, a falta de dinheiro tem causado um caos no atendimento. Nas redes sociais, pacientes divulgam vídeos de hospitais lotados, macas pelos corredores e armários de medicamentos vazios. Na quinta-feira passada, a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) anunciou que a dívida do governo do estado com as prefeituras na área de saúde é superior a R$ 68 milhões. Repasses de recursos que deveriam ter sido feitos no ano passado ainda não foram honrados.

TAQUES ACUSOU ANTECESSOR

Quando assumiu, o atual governador Pedro Taques (PSDB) acusou o antecessor de não ter deixado em caixa recursos suficientes para cumprir com as despesas de início da gestão.

Por suspeita de fraude, um dos principais programas de recuperação de estradas foi paralisado e agora, aos poucos, recomeça. Um exemplo é a pavimentação da MT-100, uma das principais rodovias para escoamento da produção agrícola do estado. Silval, em seu programa MT Integrado, prometeu pavimentar boa parte da estrada, mas entregou o governo com apenas dois trechos prontos.

O Globo – 03/09/2017

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