terça-feira, 11 de julho de 2017

Vereadores mostram o ‘descaso do governo’ com trens do Subúrbio de Salvador (BA)


“O quadro é triste e lamentável, e retrata o descaso do governo estadual com os trens dos subúrbios, prejudicando o deslocamento da população mais pobre da cidade”, avaliou Kiki Bispo (PTB), um dos vereadores do bloco governista que inspecionaram o sistema ferroviário do Subúrbio, na manhã desta segunda-feira (10).
Além de Kiki Bispo, J. Carlos Filho (SD), Ricardo Almeida (PSC) e Felipe Lucas (PMDB) viajaram desde a Estação Paripe até a Calçada. “Nossa intenção foi verificar as condições de funcionamento deste modal de transportes que está com muitas falhas e abandonado pelo Governo do Estado”, disse Bispo.
A periodicidade da partida das viagens foi um dos problemas apontados pelos vereadores. “Um trem partiu às 6h de Paripe e o próximo, num horário de pico como este, tem previsão de saída somente às 6h40”, observou Ricardo Almeida.
Para Almeida, existem duas cidades: a do Centro, que tem o metrô, e a do Subúrbio, com trens abandonados, sujos, sucateados e sem janelas. “Hoje é um dia de chuva e o trem ficou molhado, porque está cheio de goteiras. E o governo do estado prometeu à população trens com ar condicionado”, lembrou, lamentando o sofrimento do cidadão suburbano.
Também presente à inspeção, J. Carlos Filho ressaltou que “o Governo do Estado não tem responsabilidade com a população do Subúrbio. São degradantes as condições deste sistema de transportes. As pessoas com deficiência também sofrem nos trens, pois não há acessibilidade para cadeirantes. São coisas simples, mas que não são resolvidas”.
Segundo estatística da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), neste ano (até 30 de junho) os trens do Subúrbio foram utilizados por 1.535.279 pessoas.
Jornal da Mídia – 10/07/2017

5 comentários:

Pregopontocom Tudo disse...

Se esses Srs Vereadores tivessem mais o que fazer e o mínimo conhecimento do assunto,não estariam falando tanta bobagem.1º parece que eles desconhecem o fato de que o equipamento "sucateado" foi herdado da prefeitura,e que os trens passaram pelas mãos dos Prefeitos,anterior e do atual. 2º parecem desconhecer a idade dos cansados trens (TUEs) que ainda conseguem circular entre a Calçada e o Subúrbio graças ao esforço e empenho do ferroviários que trabalham na CTB. O trem azul e branco,para que o leitor possa identificar,é uma composição formada por dois carros motrizes ACF-GE fabricados nos EUA mais dois reboques Pidner,entrando em operação na ferrovia do subúrbio em 1962,com 55 anos de operação.As três composições Toshibas,conhecidas como "amarelinhos",chegaram no porto de Santos em 1948,69 anos,para entrar em serviço na Ferrovia de bitola métrica Sorocabana em São Paulo,que após ser incorporada a atual CPTM (SP) foram desativados.Tempos depois três deles foram doados pelo governo de SP a prefeitura de Salvador,prefeito João Henrique,os trens passaram por reformas e em 2007 entraram em operação na CTS (Cia de Transportes de Salvador) integrando a frota de trens na linha do subúrbio.Esses trens,devido ao seu tempo de fabricação e por serem bastantes antigos,não dispões mais de peças de reposição,o que é feito de forma quase artesanal para que possam ser mantidos em operação,dos três amarelinhos apenas um ainda opera,os outros dois foram canibalizados para manter pelo menos um em serviço.Noves carros motrizes ACF-GE que foram mandados para o Rio pela CTS (Prefeitura) para serem reformados e transformados em três composições com três carros cada composição.Esses trens nunca operaram comercialmente,pois a empresa contratada para fazer a reforma,com experiência duvidosa nessa área,não conclui os trabalhos e os trens foram devolvidos com as reformas incompletas, para tentar serem concluídas nas oficinas da CTS,com anuência do prefeito, na época,que não tomou nenhuma providência em relação ao ocorrido,passando e pepino adiante após deixar a prefeitura.Apenas uma das composições fez algumas poucas viagens de testes,parando definitivamente logo em seguida.As três composições encontram-se estacionadas nas oficinas da atual CTB,e também servem como estoque de reposição de peças para os dois antigos ACF-GE ainda em serviço.O atual sistema trens já bastante antigo e com tecnologia defasada,será substituído por um moderno sistema de VLTs (Veiculo Leve sobre Trilhos) chegando até o Terminal da França.Portanto não faz sentido os Srs. vereadores "brincarem" de fiscais de trens,fingindo desconhecer a realidade e tentando criar factoides em torno desse assunto,há muito mais coisa para se fiscalizar na cidade,eles bem poderiam usar melhor o seu tempo em benefício da população e da cidade.

Pregopontocom Tudo disse...

Poderiam por exemplo cobrar do prefeito ao qual eles "servem" a integração (posta em contrato) ônibus/Metrô/ônibus que a prefeitura vem boicotando "sistematicamente" prejudicando a população da cidade com a prática de uma "politicagem" mesquinha e descabida,para favorecer única e exclusivamente aos "donos de ônibus" (eles não são empresários de transportes) da cidade.

Pregopontocom Tudo disse...

O processo para licitação do VLT do Subúrbio de Salvador já se encontra em andamento tendo sido adiado para o mês de agosto para que as empresas e consórcios participantes tivessem mais tempo,a pedido dos próprios, para análise do projeto.O projeto que não conta com "verbas federais",deverá ter financiamento privado através de convênios do Gov. do Estado com Bancos de fomento estrangeiros.

Luiz Carlos Leoni disse...


Uma das melhores formas de modernizar e atualizar os sistemas de trens de passageiros em locais em que ainda se utilizam da bitola métrica, é a implantação de bitola em 1,6 m a exemplo do que acontece nas maiores metrópoles brasileiras, observando, uma foto frontal postada, como destas composições de Salvador-BA, Teresina-PI, Campos do Jordão-SP e o bonde Santa Teresa-RJ em bitola de 1,1 m, e que já sofreram múltiplos descarrilamentos e com mortes, pode se visualizar a desproporção da largura da bitola, 1,0m com relação largura do trem “l”=3,15 m x altura “h”= 4,28 m ( 3,15:1) conforme gabarito, o que faz com que pequenos desníveis na linha férrea provoquem grandes amplitudes, oscilações e instabilidades ao conjunto, podendo esta ser considerada uma bitola obsoleta para esta função, tal situação é comum na maioria das capitais no Nordeste, exceto Recife-PE.

Para que esta tarefa seja executada sem grandes transtornos e com a ferrovia operando, inicialmente devem ser planejadas e programadas as substituições dos dormentes que só permitem o assentamento em bitola de 1,0 m por outros em bitola mista, (1,0 + 1,6 m ) preferencialmente de concreto, que tem durabilidade muito superior ~50 anos, principalmente os que possuem selas, para após realizar a mudança, observando que para bitola de 1,6 m o raio mínimo de curvatura dos trilhos é maior.

Entendo que deva haver uma uniformização em bitola de 1,6 m para trens suburbanos de passageiros e metrô, e um provável TMV- Trens de passageiros convencionais regionais em média velocidade, máximo de 150 km/h no Brasil, e o planejamento com a substituição gradativa nos locais que ainda não as possuem, utilizando composições completas com ar condicionado entre outras que virão em que a SUPERVIA-RJ ou CPTM-SP colocadas em disponibilidade em cidades como Teresina-PI, Natal-RN, Maceió-AL, João Pessoa-PB, Salvador-BA que ainda as utilizam em bitola métrica, com base comprovada em que regionalmente esta já é a bitola nas principais cidades e capitais do Brasil, ou seja: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Recife, e Curitiba (projeto), e que os locais que não as possuem, são uma minoria, ou trens turísticos.

Assim como foi feito em São Paulo, que se recebeu como doação, composições usadas procedentes da Espanha na qual originalmente trafegavam em bitola Ibérica, de 1,668m, e que após a substituição dos truques, (rebitolagem) trafegavam normalmente pelas linhas paulistanas em 1,6 m, com total reaproveitamento dos carros existentes, o mesmo poderá ser feita com estes trens que trafegam nestas cidades do Brasil, lembrando que este é um procedimento relativamente simples, de execução econômica, com grande disponibilidade de truques no mercado nacional, facilitando a manutenção e expansão dos serviços, uma vez que todas as implantações das vias férreas pela Valec no Norte e Nordeste rumo ao Sul já são nesta bitola (1,6m).

Esta será uma forma extremamente econômica e ágil de se flexibilizar, uniformizar, racionalizar e minimizar os estoques de sobressalentes e ativos e a manutenção de trens de passageiros no Brasil.

SINFERP disse...

Apenas uma complementação, Leoni. O trem "doado" pela RENFE à CPTM (em São Paulo conhecido como trem espanhol), teve um condicionante para a entrega: que a CPTM pagasse pela reforma dele, na Espanha, antes de ser despachado para o Brasil. O preço da reforma foi o mesmo de um trem novinho em folha. Foi com a vinda desse trem que inicia-se a história da CAF em nosso país. O promotor público a época, e que lutou contra essa malandragem internacional, foi Fernando Capez, depois cooptado pelo governo do PSDB, e fabricado para ser deputado estadual.