segunda-feira, 3 de julho de 2017

Mulher é assediada e agredida com soco no rosto no Metrô de SP


Caso ocorreu em trem da Linha 3-Vermelha. Metrô diz que campanha publicitária tem encorajado mulheres a fazerem mais denúncias.
Uma assistente de laboratório foi assediada e agredida em um trem do Metrô na manhã do dia 31 de maio. O agressor tentou apoiar-se nos seios dela e teria acertado um soco em seu rosto após empurra-empurra na saída do trem, na estação da Sé.
A jovem de 31 anos seguia na Linha 3-Vermelha, no sentido Palmeiras-Barra Funda, quando um homem entrou na estação Brás e tentou apoiar-se nos seios dela enquanto segurava nas barras de ferro do trem e a moça afastou o braço do rapaz de perto de si.
Quando o trem chegou à estação da Sé, ela diz ter sido empurrada pelo homem e devolvido o tranco na tentativa de descer. Ela relata que, em resposta, ele teria dado soco em seu rosto que chegou até a fraturar o nariz. Na confusão, o agressor teria sido segurado pelos passageiros do trem até a chegada de funcionários do Metrô.
A vítima foi acompanhada por uma funcionária até a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), na estação Palmeiras-Barra Funda, responsável por registrar e investigar os casos ocorridos nas linhas do Metrô e da CPTM. A moça registrou um boletim de ocorrência no local e, em seguida, foi submetida a um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Segundo ela, o agressor foi encaminhado para a Delpom por um outro funcionário do Metrô.
A moça, que não quis se identificar, disse ao G1 que já sofreu outros casos de assédio e que eles são muito recorrentes no Metrô, mas ela nunca havia sofrido uma agressão dessas proporções. "Eu nunca tinha sido agredida assim de tomar um soco no olho, sabe?", pontua. Para ela, a ação do Metrô de encaminhar vítima e agressor para a delegacia foi rápida.
No entanto, a vítima diz sido deixada sozinha enquanto o agressor permanecia acompanhado pelo funcionário do Metrô que o encaminhou até lá. "Ela (funcionária que a acompanhou) me deixou um tempão lá sozinha enquanto o agressor falava um monte de absurdos na minha frente, falou para a filha dele que 'deu na minha cara mesmo' e que acha que não tinha cometido nenhum erro", reclama. Ela ainda relata ter sido advertida por seguranças do Metrô para que não fizesse confusão dentro da delegacia. "Eu senti que o tratamento para o agressor foi melhor do que para a vítima", disse.
Assédios no Metrô
Na última quarta-feira (28), a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) convocou Clodoaldo Pelissioni, Secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, e diretores do Metrô para prestar esclarecimentos sobre os assédios nas linhas.
Na reunião, Pelissioni que o Metrô consegue encontrar o agressor e encaminhá-lo à autoridade policial em mais de 80% dos casos de abuso sexual. Segundo ele, o Metrô conta com mais de 3 mil câmeras de segurança e todos os trens terão câmeras até o final de 2018.
O secretário informou ainda que ocorreu um aumento efetivo no número de denúncias de abuso sexual no Metrô com o apoio das campanhas publicitárias, que teriam encorajado as mulheres a denunciarem os casos ocorridos. Feitas com o apoio de entidades civis, as campanhas estão no ar desde 2015 e fazem parte de um plano que contou, inclusive, com o treinamento dos funcionários do Metrô sobre como encaminhar essas denúncias e prestar assistência às vítimas.
Uma nova campanha deverá ser lançada em agosto para coibir o abuso sexual no transporte público, em parceria com a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, a OAB, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público. "Agora nós temos que fazer um trabalho para que esse número diminua e o agressor tem que ficar certificado de que se ele fizer ele vai ser preso", declara Pelissioni. "A comunicação rápida, a internet, o celular e as redes sociais podem nos ajudar muito a ser mais rápidos na ação".
O Metrô informou na reunião que a segurança trabalha com um tempo máximo de 6 minutos para que um agente chegue até o local de algum evento no Metrô. A rede conta 1.100 agentes de segurança, sendo 250 mulheres. O secretário acredita que esse seja um número suficiente de agentes mulheres. "Em toda estação do Metrô tem uma funcionária que pode atender a vítima", declara. "Não precisa ser uma segurança, pode ser uma funcionária operacional disposta a fazer o primeiro atendimento da mulher assediada".
Casos de assédio sexual em trens do Metrô e da CPTM dobram em 4 anos
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou ao G1 que, com base nos relatos das partes envolvidas, o boletim de ocorrência foi registrado como lesão corporal na Delegacia de Polícia do Metropolitano. A vítima foi orientada quanto ao prazo de seis meses para fazer a representação criminal contra o agressor, que não foi feita até agora. Cabe ressaltar ainda que a delegacia possui duas salas para as partes permanecerem em ambientes distintos durante a elaboração do BO. A Delpom está à disposição da vítima para fazer novo registro relatando eventuais fatos que não foram inseridos no boletim elaborado em 31 de maio.
G1 – 02/07/2017

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