segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ferroviários e metroviários de São Paulo suspendem paralisação para esta terça-feira


Funcionários da CPTM vão aguardar nova audiência de conciliação, marcada para quarta, mas podem parar na sexta contra desconto de salários. Metroviários manterão "estado de greve" contra privatização.

São Paulo – Ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) decidiram, em assembleias no início na noite de hoje (31), suspender a greve que estava marcada para começar nesta terça-feira (1º), devido a uma redução nos salários. Eles vão aguardar nova audiência de conciliação marcada para quarta-feira, às 15h, no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT2). E ameaçam cruzar os braços a partir de sexta (4), se não houver acordo. Os metroviários de São Paulo, que finalizaram assembleia por volta de 20h40, também suspenderam o movimento previsto para amanhã, mas se manterão em "estado de greve".
Embora sejam do transporte coletivo e tenham o mesmo empregador, o governo paulista, as motivações das categorias são diferentes neste momento. Os metroviários buscam resistir a tentativas de privatização da Companhia do Metropolitano (Metrô), inicialmente em todas as bilheterias e também na Linha 5-Lilás e na 17-Ouro (monotrilho). E os ferroviários protestam contra uma decisão da CPTM de reduzir em 3,515 os salários, com base em uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) referente a dissídio coletivo de 2011.
Na sexta-feira (28), não houve acordo em audiência de conciliação dos ferroviários comandada pelo vice-presidente judicial do TRT2, Carlos Roberto Husek. Ele propôs parcelar o desconto em duas vezes, a primeira em agosto (1%) a segunda em dezembro (2,51%). A título de compensação, sugeriu uma "movimentação interna e uniforme" dos funcionários entre janeiro e fevereiro de 2018. "A categoria não aceita essa proposta", disse o presidente do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, Eluiz Alves de Matos.
Antes, o Tribunal havia deferido liminares que restringiam as possíveis paralisações, tanto no caso da CPTM como no Metrô. No primeiro caso, o vice-presidente judicial determinou manutenção de 80% do efetivo de todos os serviços de operação das 4h às 10h e das 16h às 21h – para os demais, 60%. Ele também proíbe a liberação de catracas aos usuários. Foi fixada multa de R$ 100 mil/dia.
Para o Metrô, o desembargador Willy Santilli também fixou 80% para os períodos das 6h às 9h e das 16h às 19h. O valor da multa é o mesmo.
A representação dos ferroviários se divide em três sindicatos da categoria, além dos engenheiros: o dos trabalhadores em empresas ferroviárias (filiado à UGT) inclui as linhas 7-Rubi e 10-Turquesa, o da Central do Brasil (CUT) tem a 8-Diamante e a 9-Esmeralda e o da Sorocabana, as 11-Coral e 12-Safira. No total, são 92 estações em 22 municípios, em um total de 260,8 quilômetros. No ano passado, a média de passageiros transportados foi de 2,7 milhões em dias úteis.
Já o Metrô transportou, em média, 3,7 milhões de passageiros por dia útil. As linhas mais movimentadas são a 3-Vermelha (média de 1,409 milhão/dia) e a 1-Azul (1,371 milhão). São mais 652 mil na Linha 2-Verdade e 260 mil na Linha 5-Lilás. Na Linha 4-Amarela, administrada pelo setor privado em regime de concessão, a média é de 700 mil por dia.
RBA – 31/07/2017

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