sábado, 24 de junho de 2017

Sem sinalização adequada, crianças brincam em linha do metrô de Teresina (PI)


Moradores de regiões próximas a via reclamam que correm perigo para transitar com a passagem do trem.
Muitas vezes, as linhas de trens servem como palco de brincadeiras para crianças que não tem medo de se arriscar e aproveitam o espaço para empinar pipa ou simplesmente se equilibrar. No entanto, o tipo de diversão escolhida representa um perigo à vida por conta da passagem do trem ou metrô que o dia todo precisam fazer seu percurso. 
Para alguns pais, o perigo mora ao lado, principalmente para aqueles que possuem filhos pequenos. No bairro Ilhotas, no Centro de Teresina, são muitas as casas localizadas a poucos metros da linha férrea. A dona de casa Carmilene Fernandes mora há 36 anos no local e conta que já existiu um muro que separava a linha das residências, contudo, segundo ela, os próprios moradores o retiraram por conta da necessidade de usar a via. 
A moradora tem quatro filhos e vê muitos riscos por conta da falta de uma cerca ou placas que alertem sobre a linha. Ela afirma que os cuidados que tem é sempre deixar a grade de sua casa trancada e observar periodicamente onde os filhos estão brincando. “Esse trem já amputou perna de gente aqui. O perigo maior é por não ter a proteção, ele passa de 40 em 40 minutos e tem que ficar atento. Ninguém nunca veio aqui nos alertar de nada e muito menos limpar, é uma sujeira”, reclama. 
Da mesma forma, a moradora Daiane Santos conta que a situação se agrava quando o metrô passa sem buzinar. É por isso que ela diz que evita transitar próximo a linha e, quando precisa, presta bastante atenção. Saber a periodicidade com que o metrô passa ajuda na hora da precaução, mas a moradora ainda toma cuidado e orienta às filhas sobre os riscos. 
“Aqui precisa de proteção urgente, às vezes passam idosos que caminham devagar e quando o metrô vem de uma vez, eles estão passando e se assustam. Precisa de algumas placas alertando, proteção e os pais também ficarem de olho”, destaca. 
Segurança 
Segundo Antônio Sobral, diretor-administrativo da Companhia Metropolitana de Transporte Público (CMTP) existem dois locais por onde a linha férrea cruza e ao mesmo tempo existem habitações, são elas nos Bairros Ilhotas e Renascença. Ele explica que as medidas tomadas desde o início do funcionamento do metrô foi a implantação de vedação, ou seja, diminuir a entrada de qualquer pessoa na linha, deixando passagem para passarem ao lado. 
No Bairro Ilhotas, esse tipo de vedação já existe, onde a Prefeitura fez uma rua paralela à linha para o acesso de transeuntes. Já no bairro Dirceu, ele explica que já foi feita a vedação quatro vezes, mas o diretor aponta que ações de vandalismo danificam o local. Contudo, ele fala que existem alguns pontos que a vedação foi totalmente avariada. 
No entanto, o maior problema enfrentado são as passagens de nível, locais que existem cruzamento da linha com a rua no mesmo nível. Antônio Sobral acrescenta que no Dirceu existem seis passagens e é onde normalmente se registra acidentes, principalmente com moto. Mas o diretor fala que o último acidente com vítima foi no Bairro Ilhotas, em 2005. 
Ainda de acordo o diretor, foi aprovado um projeto no Ministério das Cidades chamado Pacto de Mobilidade Urbana, um recurso de modernização do metrô no valor de R$ 453 milhões e licitada pela Secretaria de Transportes (Setrans-PI). A ação visa vedar toda linha, fazer novas estações, modernização do trem, duplicação da linha, urbanização das áreas e também diminuir o tempo da viagem. 
“Com a implantação do projeto a situação vai se agravar. Hoje nós temos um sistema com intervalo de tempo de 50 minutos entre as viagens. Vamos comprar mais oito trens e diminuir tempo de espera para 12 minutos, vai ter que ter precaução muito maior em termo de vedação e sinalização desses trechos próximos à linha, principalmente no grande Dirceu”, aponta. 
Além disso, ele explica que anualmente são feitas campanhas com os residentes próximos do local, em relação à segurança e também do lixo presente ao longo linha. “Conversando com pessoas que moram próximo da faixa da linha, mas não só questão da linha, mas também para perceberem que a precaução é benefício para eles”, fala Antônio Sobral.
Portal O Dia – 23/06/2017

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