sábado, 8 de abril de 2017

Metrô no ABC é obra de ficção eleitoral


Diariamente os moradores do ABC viajam em ônibus lotados e muitos em condições precárias, ou testam a sua paciência dentro dos próprios carros em congestionamentos na ida e volta de São Paulo. Sem dúvida, a Linha 18 – Bronze do Metrô, que ligaria a região à rede metroviária, concentrada apenas na Capital, amenizaria o calvário. No entanto, hoje o ramal metroviário se resume somente a propagandas políticas, atrasos e prazos refeitos.
Em agosto de 2014, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) firmou contrato de PPP (Parceria Público-Privada) com o Consórcio Vem ABC, responsável pelas obras da linha e vencedor da licitação internacional. Ao lado de prefeitos do ABC, o tucano avaliou que a fase de desapropriações seria rápida, uma vez que o monotrilho teria o traçado por vias elevadas. “(O início) É imediato. Agora é já iniciar a desapropriação, montar canteiros. Mas acho que a população vai sentir em 90 dias”, projetou.
Passados mais de dois anos e sete meses, não há nenhum sinal da Linha 18. O que o morador do ABC lembra é do uso eleitoral do tema, em outdoors e materiais de campanha do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), quando era deputado estadual. O ex-prefeito de São Caetano, Paulo Pinheiro (PMDB), fez o mesmo, com os dizeres “O Metrô está chegando a São Caetano”.
Enquanto o Metrô do ABC existe apenas na propaganda, a população sofre para chegar a São Paulo. Como a estudante de Botânica da USP (Universidade de São Paulo), Maria Laura Guimarães, 30 anos, residente em São Bernardo. Durante cinco dias da semana, tem de casa até 13h para não se atrasar às aulas, que começam às 18h, no Instituto de Biociências, no Butantã.
Usuários
Maria Laura seria uma das beneficiárias da Linha 18, pois chegaria à Capital em menos de 15 minutos, onde faria baldeações até a USP. Hoje, porém, ela utiliza ônibus convencionais, muitos deles em condições insatisfatórias, e assim iniciar a cansativa jornada até meia-noite. “A espera dos ônibus é de até 40 minutos. E apesar da distância curta ao Sacomã, gasto uma hora em razão do trânsito na Anchieta”, relata.
Funcionário de um salão de beleza, em São Paulo, Rivaldo Bernardo, 45 anos, seria mais um usuário do Metrô do ABC, caso existisse. Bernardo também utiliza o ônibus de São Bernardo ao Sacomã, de onde embarca no Metrô. “De ônibus, levo uns 45 minutos por causa do trânsito. De volta, às 23h, enfrento as saídas das faculdades, então chego mais cansado ainda”, descreve.
Quem precisa ir de carro ou ônibus de São Bernardo para a Capital tem de ter paciência todos os dias. As avenidas Lucas Nogueira Garcez e Senador Vergueiro, rotas usadas por coletivos com destino a São Paulo, ficam travadas. Mas, esse é apenas o primeiro percalço, antes da rodovia Anchieta, onde o trânsito também para nos horários de pico.
Professor de Engenharia Civil da FEI (Fundação Educacional Inaciana) e mestre em Transportes, Creso Peixoto, defende a Linha 18 como forma eficaz de conexão do ABC à rede metroviária. O especialista também cita a necessidade de implantação de um sistema de BRT (Bus Rapid Transit), que usa ônibus rápidos em corredores exclusivos e se equipara ao Metrô em eficiência. A proposta no Brasil ganhou vida em Curitiba, no Paraná, e serviu de exemplo fora do País.
“A Linha 18 é importante, mas é preciso realizar alguns trechos de ruas próximas, em elevados com estrutura de aço, com capacidade para ter quatro linhas férreas, duas principais e duas laterais, para ter espaço para colocar outras linhas no futuro. É preciso estar preparado para outros problemas que ainda vão surgir. Além disso, também acho necessário o estudo de BRT”, aponta o docente.
Manente
Em entrevista ao RD este ano, o deputado federal Alex Manente (PPS) também sugeriu trocar o formato de monotrilho para BRT. “Tive a oportunidade de conhecer, no Rio de Janeiro, o BRT que foi montado para a Olimpíada e muito elogiado. É mais barato e conseguiria fazer com que o ABC tivesse a ligação de transporte coletivo de massa eficiente”, disse o popular-socialista.
Hoje o morador de São Bernardo tem dois meios preferenciais para chegar ao Metrô pelo transporte coletivo: os ônibus convencionais de uma das seis linhas da EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbano) até o Sacomã, com tarifas entre R$ 5,40 a R$ 5,95, e onde faria baldeação paga à Linha 2 – Verde do Metrô. Outra rota são os coletivos do corredor ABD, com passagem a R$ 4,30, até Santo André, e assim migrar, também sob custo adicional, para Linha 10 – Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
Estado busca recursos e Prefeitura se cala
A Secretaria de Transportes Metropolitanos atribui à classificação de categoria “C”, dada pela Cofiex (Comissão de Financiamentos Externos), vinculada ao Ministério do Planejamento, às condições de pagamento a um possível financiamento externo para as obras da Linha 18 – Bronze do Metrô. Com a avaliação, a Secretaria de Tesouro Nacional recusou o pedido de aporte financeiro do Estado para as desapropriações. O governo paulista alega que a avaliação da União não levou em conta o cenário de crise econômica e espera reavaliação do Ministério da Fazenda ainda em abril.
Por ora, a gestão Alckmin (PSDB) negocia financiamento com o Banco do Brasil e, ainda, veicula a possibilidade de obter o dinheiro por meio de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), junto ao Ministério das Cidades. Enquanto isso segue previsto R$ 1,2 bilhão de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Ao todo, o empreendimento é de R$ 4,6 bilhões, sendo R$ 2,3 bilhões do Estado e União e R$ 2,3 bilhões de parceria privada, conforme valores de julho de 2014.(BC)
A Linha 18 teria 13 estações numa extensão de 15,7 km e ligaria São Bernardo, Santo André e São Caetano à Estação Tamanduateí, em São Paulo, onde faria conexão com a Linha 2 do Metrô e Linha 10 da CPTM. O percurso total do ramal, da futura Estação Djalma Dutra, região central de São Bernardo, à Capital seria apenas de 25 minutos. Conforme o Decreto de Utilidade Pública do projeto, estão previstas desapropriações de aproximadamente 240 imóveis. Já o ex-prefeito Luiz Marinho (PT) chegou a projeto executivo do ramal até o Alvarenga.
Em seu programa de governo usado na eleição municipal de 2016, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), assegurou que trabalharia “com os governos federal e estadual para trazer a Linha 18 para São Bernardo”. O Repórter Diário contatou a Prefeitura, para saber quais ações estão previstas para o tema, mas o Paço não se manifestou.
Falta de conexão entope vias
Sem as linhas de Metrô, BRT (Bus Rapid Transit) e consequentemente desprovida de um sistema eficiente de conexão à rede metroviária de São Paulo, a população do ABC opta pelo carro próprio para se locomover. De 2006 a 2016, o número de automóveis, em todas as categorias, subiu de 1,1 milhão para 1,8 milhão, aumento de 63,86%. No entanto, a estrutura viária das sete cidades pouco mudou nos 10 anos.
A cidade que registrou o maior crescimento de veículos no período foi São Bernardo, que passou de 382,5 mil unidades para 613,8 mil, aumento de 60,46%. Já Santo André passou de 547,2 mil para 365,1 mil automóveis, variação de 49,88% (veja gráfico).
Município
Leve 1
Leve 2
Carros
Ônibus
Caminhão
Reboque
Outros
Total
Diadema
46.335
18.768
127.090
757
5.637
2.270
72
200.929
Mauá
37.351
18.398
146.179
1.518
5.148
2.288
92
210.974
Ribeirão Pires
7.241
7.992
45.826
479
3.784
1.126
241
66.689
Rio Grande da Serra
2.620
1.911
12.343
100
702
141
31
17.848
Santo André
76.008
55.535
379.500
1.762
11.914
5.338
17.182
547.239
São Bernardo do Campo
81.879
64.214
409.284
4.419
20.794
15.831
17.453
613.874
São Caetano do Sul
14965
19681
106559
636
3865
2109
9962
157777
1.815.330

LEGENDA:
LEVE 1 – Ciclomotor, motoneta, motociclo, triciclo e quadriciclo
LEVE 2 – Micro-ônibus, camioneta, caminhonete, utilitário
REBOQUE – Reboque e semirreboque
OUTROS – caminhão-trator, trator de rodas, trator de esteiras, trator misto, chassi/plataforma, sidecar, motor-casa
Segundo o professor Creso Peixoto, o ABC necessita de uma rede de transporte que, de fato, conecte com o Metrô, para incentivar o uso do transporte coletivo. A etapa seguinte, segundo o mestre, seria um remédio amargo: pedágios urbanos. “No ABC existe uma desconexão do transporte pública de massa, porque o Metrô não chega e assim gera sofrimento para quem trabalha ou estuda em São Paulo”, pontua. (BC)
Reporter Diário – 08/04/2017

4 comentários:

Anônimo disse...

Não agora não é mais o "Monomico" . É agora o "Fura fila " ..... passou o tempo e vêm outro com ideias mirabolantes: que tal um "trem nuclear".......

Avise aos administradores "de araque" que até o BRT do Rio de Janeiro encontra-se "SATURADO"......

Alias , se o público não faz , chama o privado que irá fazer , mas o privado não tem recurso disponível a nível de empréstimo e até disso quer ter lucro....o tempo passa e o embrólio permanece.

Somente terminará em 2050.....não agora o prazo estendeu-se para o próximo século!

As "Múmias" agradecem. Francamente!!!!!

SINFERP disse...

É brincadeira, né? Pior que tem gente que acredita.

Anônimo disse...

e a triunfo vem aí, para tomar conta das linhas 8 e 9.

SINFERP disse...

E vem mesmo. É só uma questão de tempo.