domingo, 5 de março de 2017

Punir e livrar o Brasil dos corruptos é essencial.


Não fosse assunto dramaticamente sério, pareceria algo como uma brincadeira, mais uma, que circula pela internet. Porém é verdade: a Operação Lava Jato terá apoio do novo ministro da Justiça. E nem poderia ser diferente, eis que cabe a ela (a Justiça) ser a guardiã do combate aos malfeitos com dinheiro público, ou seja, de todos nós. A cada semana, surgem novas suspeitas sobre figuras da República, não importa o partido.

Parece até que atrai o assunto corrupção, quando tanto temos que fazer neste Brasil tão carente, porém tão maltratado por nós mesmos. Por tudo o que necessitamos e pedimos em termos de saúde, educação e segurança, além de investimentos na infraestrutura para gerar empregos, a grande arma do desenvolvimento.

Assim, é deprimente a frequência com que se fala de corrupção, não apenas deste ou daquele governo. A corrupção enoja e desanima, ainda mais quando praticada por agentes públicos e com o dinheiro de todos. Para os velhacos nacionais, a palavra não é meio de manifestar os seus pensamentos, mas de encobri-los e disfarçar para melhor avançarem sobre o erário.

Mas a corrupção tem duas faces, o corruptor e o que se deixa corromper. No entanto, quando a voz do povo enaltecia outros países como sendo mais cumpridores da lei do que o Brasil, eis que houve um escândalo não apenas com personagens nacionais, mas estrangeiros. Soube-se que a Justiça alemã concluiu que empresa daquele país pagou pelo menos € 8 milhões, o equivalente a R$ 24,4 milhões, a dois representantes de funcionários públicos brasileiros, como parte de um amplo esquema de corrupção em contratos públicos em nosso país.

Os dados fazem parte da investigação conduzida por promotores em Munique e que resultou na condenação da empresa alemã ao pagamento de uma multa bilionária. O caso brasileiro, segundo a Justiça alemã, ajudou a comprovar o esquema internacional de corrupção da multinacional.

E a multinacional alemã apresentou documentos à Justiça no Brasil, e eles mostram a ação de dois consultores para a manutenção do cartel e a fraude contra os cofres do governo de São Paulo por dois anos. A empresa germânica informou que colaborou com as investigações do caso. Na época, estava em andamento a licitação para a reforma dos trens S2000, S2100 e S3000 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Então foi criado um cartel entre seis empresas multinacionais de outros países, além da Alemanha, sendo que a organização germânica venceu a licitação S3000, uma vez que as outras empresas competidoras apresentaram preços superiores à proposta da empresa alemã e bastante próximas do orçamento da CPTM, como cobertura, segundo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça. A prática, segundo a investigação, segue um padrão mundial de pagamento de propina pela empresa germânica, ou seja, uma consultoria emite notas por um suposto trabalho e a subornadora paga.

O problema é que esse trabalho não existia, e o dinheiro dessas consultorias seguia para o bolso de agentes públicos ou lobistas. A empresa pagou US$ 1,3 bilhão em subornos no mundo. O caso envolveu mais de 300 agentes públicos e 4,2 mil transações suspeitas na Argentina, Bangladesh, Brasil, China, Grécia, Hungria, Indonésia, Israel, Itália, Malásia, Nigéria, Noruega, Polônia, Rússia e Vietnã. Corrupção democrática mundo afora. O que consola é que o sucesso dos corruptos tem a duração do relâmpago que anuncia o raio, no caso, a descoberta e a punição. Que assim seja, em todos os casos citados no Brasil. Basta de corrupção!

Jornal do Comércio – 01/03/2017

Comentário do SINFERP

Incrível, mas com tudo isso e não dá em nada para a CPTM e nem para o governo do Estado de São Paulo.

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