quinta-feira, 16 de março de 2017

Falhas em trilhos fazem CPTM reduzir velocidade de trens em SP em até 77%


Trechos da CPTM reduzem velocidade de 90 km/h para 20 km/h.
Trens da CPTM fazem trajeto com velocidade máxima reduzida em até 77% na Grande São Paulo, informou o SPTV. A lentidão se deve a falhas nos trilhos, serviço de manutenção e obras. A redução mais brusca ocorre em trechos da linha 7 e da linha 10- Rubi, entre Perus e Caieiras, onde a velocidade máxima cai de 90 para 20 quilômetros por hora. O SPTV teve acesso a registros do sistema da CPTM que indicam os trechos que estão com velocidade reduzida e o motivo disso.
Ao sair de São Caetano em direção à estação Tamanduateí, pela linha 10-Turquesa, por exemplo, o maquinista é obrigado a reduzir a velocidade por cerca de 1 quilômetro. Se a linha estivesse com a manutenção em dia, o normal seria rodar a 90 km/h, mas o limite agora é 40km/h.
Nesse caso, o problema é o desgaste acentuado do trilho, que precisa ser trocado por um novo. O problema foi detectado em 17 de abril de 2015, mas ainda não foi resolvido. Somando todos os trechos com desgastes acentuados na Linha 10-Turquesa, são seis quilômetros de trilhos que a CPTM já deveria ter trocado e que continua usando
Outro trecho condenado fica entre Capuava e Mauá. Nele, o normal também seria a velocidade de 90 km/h, mas o trem atualmente não pode passar dos 20 km/h. “Você vê só por aqui. Ou pelo movimento do trem. Às vezes, ele está praticamente parado. E às vezes, não, Ele está rápido”, disse a auxiliar de cozinha Michele Cristina Alves.
Na linha 8-Diamante, são três trechos com problemas de manutenção. Em dois deles, entre Osasco e Comandante Sampaio, os técnicos identificaram erosão na via em fevereiro de 2013. Uma obra começou e depois parou por falta de dinheiro. Quatro anos se passaram, mas o problema ainda não tem data para ser resolvido. Enquanto isso, os trens que poderiam passar a 70 km/h circulam com velocidade máxima de 20 km/h.
Na linha 9-Esmeralda são dois pontos em que a velocidade cai de 90 km/h para 40 km/h. Nesses pontos, a CPTM precisa mexer na rede de cabos que abastece os trens. Um dos pontos, entre Pinheiros e a Cidade Universitária, está com problema desde 2012 e não tem data de conserto prevista.
Campeã de lentidão
A linha 12-Safira é a campeã de lentidão. Ao todo, em 18 quilômetros de trilhos os trens rodam mais devagar, o que corresponde a quase 24% da linha. Entre as estações Tatuapé e USP Leste, por exemplo, a travessia do córrego Tiquatira está danificada, o que provoca o desnivelamento das vias na curva. A falha persiste desde março de 2015 e não tem data para mudar.
O que mais atrapalha a viagem de quem pega essa linha é a construção da linha 13-Jade, que vai para o Aeroporto de Guarulhos. A nova linha vai ter integração com a 12 e, por causa disso, desde julho de 2013, a Safira sofre com interferências das obras, que estão atrasadas há três anos.
Na linha 11-Coral, a CPTM identificou instabilidade no solo, nos dormentes (peças nas quais os trilhos são fixados) e nos trilhos em pelo menos três trechos. Entre as estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera, o problema foi identificado em março do ano passado, mas não há previsão de ser resolvido. Um dos motivos para a falta de conserto é o fato de a CPTM não ter dormentes de concreto para trocar.
Mais à frente, entre as estações Corinthians-Itaquera e Guaianazes, há pontos em que parafusos da via estão emperrados. A falha persiste desde agosto de 2015. A CPTM não deu uma data para consertar.
Falha desde 2001
Na linha 7-Rubi, parte do trecho entre Perus e Caieiras está com a via desnivelada desde 2001 e continua sem previsão de conserto. O desgaste dos trilhos faz os trens reduzirem a velocidade de 90 km/h para 20 km/h.
Na mesma linha, tem infiltração de água que desnivelou a pista entre a Vila Aurora e Perus, problema de 2013 ainda sem data de solução. Há velocidade reduzida também por causa da obra de construção da estação de Francisco Morato, que está atrasada, e trilho gasto que precisa ser trocado desde novembro do ano passado.
Um maquinista que pediu para não ser identificado disse que, com a falta de manutenção, os maquinistas não trabalham tranquilos, mesmo em baixa velocidade, principalmente nos horários de pico. “O trem mais lotado, ele fica bem mais pesado. E ele estando mais pesado tem mais risco de acidente”, disse.
Para o professor especialista em ferrovias Helaido de Castro Wins, o medo do maquinista faz sentido. “A manutenção deve ser feita indiscutivelmente. [A redução da velocidade] minora os efeitos. Os riscos continuam. Talvez você tenha uma proporção menor de problemas no caso de acidente”, explicou.
Presidente da CPTM fala em 'risco zero'
O presidente da CPTM, Paulo de Magalhães, confirmou que manda os maquinistas desacelerarem, por cautela, porque a manutenção não foi feita. “Não corremos nenhum risco. Risco zero. Para isso que existem as precauções. [...]  Nós estamos tentando fazer todos os serviços imediatamente, à medida que parecem as novas precauções. Aquelas que são mais antigas são problemas que dependem de outros fatores que a gente está tentando resolver”, explicou.
“O que acontece muitas vezes, o que aconteceu com trilho, nós tivemos duas licitações fracassadas, por problema de concorrência, entre os participantes, em que a gente tem que fazer como funciona a lei, pra poder concluir”, disse. “Uma coisa que estava desde 2012 para comprar o trilho, e em 2015, que foi quando eu assumi a empresa, a gente fez a compra de 8 mil toneladas de trilhos. E compramos mais 2 mil agora”, completou.
Tribuna Hoje – 16/03/2017

2 comentários:

Anônimo disse...

E o tucanistão bate na mesma tecla . É impressionante : A mesma fala de sempre , mais 65 trens novos a serem distribuídos pelo sistema , segundo o chuchu , com via precária necessitando de manutenções preventivas , sinalização a ser instalada , sistema elétrico que não suporta a carga , estações a terminar , blá blá, blá, mi , mi , mi ..........

SINFERP disse...

Essa conversa tem pouco mais de 20 anos de CPTM e da tucanalha no comado do Estado de São Paulo. Impressionante é o povo, incluindo os usuários do sistema, morderem essa isca e ampliarem espaço dessas figuras no Governo.