segunda-feira, 20 de março de 2017

Anunciados como novos, trens parados desde 2013 entram em operação na Linha 5-Lilás, mas outras 20 composições vão continuar sem uso.


Elas foram compradas por R$ 630 milhões pelo governo paulista, em 2012, em operação investigada pelo MP.



São Paulo – Depois de quase quatro anos parados, seis dos 26 trens novos que estavam sem uso na Linha 5-Lilás (Capão Redondo-Adolfo Pinheiro) do Metrô paulistano foram liberados para circulação na manhã de domingo (19), pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Inicialmente, vão operar somente aos domingos, ainda em fase de testes. Conforme a RBA denunciou, no ano passado esses trens estavam estacionados ao longo do trecho de circulação, no pátio Capão Redondo e na sede da fábrica da CAF, em Hortolândia, interior de São Paulo. As composições foram compradas por R$ 630 milhões, em 2012 e estão paradas desde que foram entregues, em 2013.

Alckmin não deu prazo para que os outros 20 trens sejam colocados em operação. O trem utilizado pelo governador para fazer o anúncio, no domingo, é o mesmo trem que a RBA flagrou sem utilização no ano passado, estacionado ao longo do trajeto da Linha 5 – composição P16.

 Segundo Alckmin, a expectativa é de estender a operação dos novos trens para os sábados, a partir de abril. A operação plena, em todos os dias da semana, está prevista somente para maio. “Hoje é um grande dia”, declarou. “Os novos equipamentos, que têm ar condicionado, vagões contínuos e câmeras de vídeo, trazem mais conforto para os passageiros e reduzem a distância entre um trem e outro, incrementando a velocidade operacional”, completou. 

O motivo principal para os trens terem ficado tanto tempo parados era o sistema de operação. A via opera com o sistema ATC (Controle Automático de Trens, na sigla em inglês) e os trens novos foram adquiridos com sistema CBTC (Controle de Trens Baseado em Comunicação, também do inglês). Além disso, como o trecho em operação era relativamente pequeno, com 9,6 quilômetros, não havia espaço para inserir as composições. Até ontem, a linha operava somente com oito trens da frota F, adquiridos em 2001. O motivo de o governo Alckmin ter adquirido os 26 trens sem ter como utilizá-los é objeto de investigação do Ministério Público Estadual, desde 2015.

O Sindicato dos Metroviários várias vezes manifestou preocupação com a manutenção desses trens sem uso. As composições vinham sofrendo oxidação e desgaste na parte externa, devido à exposição às intempéries. Além disso, componentes sem uso se degradam, levando à possibilidade de os trens apresentarem falhas quando começarem a ser colocados para circular. Outra preocupação dos trabalhadores é que a garantia das composições era de quatro anos, mesmo tempo em que os trens ficaram sem uso.

Sem dar mais detalhes, o governo Alckmin informou que a Linha 5-Lilás vai operar com CBTC. O sistema é o mesmo utilizado nas linhas 4-Amarela (Luz-Butantã), 15-Prata (Vila Prudente-Oratório), onde no ano passado um trem deixou a estação, em via elevada, com as portas abertas, e 2 Verde (Vila Prudente – Vila Madalena), que sofreu 74 panes graves em apenas dez meses de operação com esse sistema.

Alckmin também prometeu entregar ainda este ano 10 das 11 estações que faltam à Linha 5. Com isso o trajeto vai passar dos atuais 9,6 quilômetros para 20,8 quilômetros de extensão, ligando a região de Santo Amaro à Chácara Klabin, na região Sudeste da cidade, em conexão com a Linha 2-Verde. A última estação – Moema, no meio do ramal – está prevista para 2018, após 20 anos do início das obras. Com a linha concluída, a expectativa é de transportar 780 mil pessoas diariamente.

Em julho do ano passado, o governador Geraldo Alckmin anunciou a intenção de privatizar tanto o trecho em operação quanto o trecho em obras da Linha 5-Lilás. A expansão do trecho começou orçada em R$ 6,9 bilhões e atualmente tem previsão de custo de R$ 9,1 bilhões. Esse aumento está sendo investigado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. 

A Linha 5-Lilás começou a ser construída em 1998, quando era a Linha F da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O trecho em operação, entre Capão Redondo e Largo Treze, funciona desde 2002. Porém, a construção ficou parada até 2009 e, desde então, somente a estação Adolfo Pinheiro foi entregue. A Linha-5 está nos planos de privatização do governo Alckmin. Porém, o valor estimado é cerca de 1% do investido na construção.

RBA – 20/03/2017

13 comentários:

Anônimo disse...

Compraram trens sem espaço para guarda e manobra . Rsrsrsrsrsr!!!!!!

E o chuchu inaugura e entrega um trem . E os outros ainda na CAF e espalhados por aí !

SINFERP disse...

Nada como 2018 se aproximando, não é? O pior é que o povo gosta, a imprensa não vê e o Ministério Púbico se faz de cego. Tudo blindado em São Paulo, não é? E agora, para melhorar a fumaça do disfarce, ainda temos o prefeito engomadinho, com aquele sorriso plástico de Play Mobil.

Luiz Carlos Leoni disse...

Esta é a consequência da falta de padronização ferroviária no Brasil, pois os trens do Metrô das linhas 4 e 5 em São Paulo foram feitas de forma divergente das existentes 1, 2 e 3, fazendo que eles não possam trafegar em outras linhas em uma atitude irracional e retrograda, demonstrando que não aprenderam com os erros do passado!

Por volta do ano 1996 as bitolas existentes para trens suburbanos e metrô nas principais capitais e cidades brasileiras já eram em 1,6m, sendo o metrô utilizava a tensão de 750 Vcc e trilho eletrificado, porém as futuras linhas 4 e 5 do Metrô-SP e de Salvador-BA, foram concebidas de formas divergentes das existentes no Brasil, em bitola de 1,43m e tensão de 1,5 kVcc em pantógrafo / catenária, contrariando a opinião dos técnicos, pois foi uma opinião política sem nenhum fundamento, e a época da implantação de ambos após o ano de 1996, coincide com as denuncias comprovadas de cartéis e propinas amplamente divulgadas na mídia, em um claro erro de desvio de conduta.

A professora, livre-docente da FAU, Klara Kaiser, que trabalhou no metrô de São Paulo durante 15 anos resume bem nesta frase. “Na minha experiência no Metrô, aprendi que quanto menos variação de tecnologia entre as linhas, melhor e mais eficaz será o sistema, porque os processos de construção e reposição ganham eficiência quando não temos uma variação grande de tipos de transporte”.

Conclusões:
A padronização continua sendo uma forma extremamente econômica e ágil de se expandir, integrar, uniformizar, racionalizar e minimizar os estoques de sobressalentes e ativos e a manutenção de trens de passageiros no Brasil.

As análises globais, e especificações técnicas devem ser de iniciativas e interesses do cliente, e não dos fabricantes, que poderão sugerir, mas não impor o seu produto.

A integração e interpenetração metrô-ferroviária deve-se impor de forma prática e concreta, e não em discursos contraditórios eleitoreiros.

SINFERP disse...

Não tem jeito, Leoni. É sempre peça eleitoreira.

CARLOS disse...

Pelos comentarios do Sr Leone ele deveria se canditar a govarnador
pois tem a solução de tudo e sindicato tabmbem principalmente no que
concerne a fazer greves

SINFERP disse...

Sr. Leoni é um estudioso de ferrovia, coisa que você, Carlos, nem sonha passar perto. Quanto a sindicato, Carlos, ao menos mantemos um bog aberto a públicos, e em defesa da ferrovia, coisa que você também não sonha passar por perto. Como vê, Carlos, a única inutilidade aqui é você, e a saber, agora, a serviço do que ou de quem, pois dos usuários de trens e metrô é que não.

Anônimo disse...

Para começo de conversa : 1) Sindicato é previsto na constituição de 88 de maneira livre e espontânea;

2)A maneira mais organizada de exigir direitos e obrigações entre patrão - empregado , no que tange as relações do trabalho e a fiscalização delas ;

3) Ninguém gosta de fazer greve , porém a greve é o último recurso quando a direção de qualquer empresa de nega a negociar com os empregados ;

4) Quem escreve aqui , na qual sou eu não pertenço a nenhum sindicato , porém vc Carlos nem sabe e nunca irá saber o que ocorre nos bastidores.Abuso do patrão , desrespeito com o profissional, assédio moral e tantas outras coisas que ocorrem . Portanto , é o sindicato que tem por finalidade a representatividade dos trabalhadores perante a diretoria de qualquer empresa !

SINFERP disse...

Não vale a pena argumentar com o provocador, Anônimo, pois ele é indigno de qualquer atenção. Lixinho fake que vagueia pela internet dizendo besteiras, e sempre a mando e algum dono.

Luiz Carlos Leoni disse...

Linhas 1 e 4 do Metrô do Rio de Janeiro terão ligação direta
Não será mais necessário fazer integração na estação General Osório. Trajeto entre Barra da Tijuca e Centro será de 30 minutos

O MetrôRio informou que a partir deste sábado, 25 de março de 2017, os passageiros podem fazer ligação direta entre as linhas 1 e 4 sem a necessidade de transferência (baldeação) na estação General Osório, em Ipanema.

A empresa estima que, com a medida, o tempo de viagem vai ser diminuído e o passageiro que embarcar na estação Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, chegará em 30 minutos ao centro do Rio.

Anteriormente, se um morador da Zona Oeste precisasse ir até o Centro, demoraria cerca de 120 minutos utilizando o ônibus.

Com a interligação concluída, os intervalos serão reduzidos para 4 minutos e 30 segundos nos horários de maior movimento. Até então na linha 4 os intervalos eram de 6 minutos e 30 segundos.

O metrô Rio, aceitou os argumentos de não se construir a linha-4 e que é um prolongamento em linha reta das existentes, em bitola divergente da existente (1,6 m), e padronizou em 100% com o metrô e trens suburbanos existentes ou seja optou pela uniformização igual a maioria dos metrôs mundiais.

Parabéns aos dirigentes do Metrô do Rio pela atitude correta e sensata de uniformizar os materiais, hoje estão colhendo os frutos daquela atitude sensata ocorrida no passado!!!

O mesmo não posso dizer do Metrô SP, pois nem conseguiram acabar com o caos da estação da Luz, e já estão “planejando” outros inúmeros transbordos obrigatórios na nova estação Tamanduateí com as linhas-10 Turquesa, 2-Verde, e entre esta e a 5-Lilás na estação Chácara Klabin e os monotrilhos Expresso ABC e Expresso Tiradentes.

Anônimo disse...

Aqui em sampa tá cheio de gargalos físicos. A pior transferência é entre a linha 2 e a famosa linha 4 ( exemplo de eficiência ) aonde o túnel que inicialmente lembra os "jetsons" vai se estreitando , estreitando e vira uma espécie de "corredor polonês". Lugar horrível para fazer transferências . Lugar que rezo "ave maria" para que não haja tumulto. prefiro dar a volta do que passar por lá .......portanto recomendo : evitem!

Luiz Carlos Leoni disse...


Prezado Anônimo,

Quando postei este texto em que informo Linhas 1 e 4 do Metrô do Rio de Janeiro terão ligação direta sem transbordo, a finalidade foi de ver como o planejamento é importante na expansão metrô ferroviária,
inúmeros transbordos desconfortáveis como as linhas-10 Turquesa, que se tem que desembarcar no Brás, e entre a futura chegada da Linha 5-Lilás com a 2-Verde na estação Chácara Klabin pois possuem bitolas diferentes.

Quando informei que o metrô Rio, aceitou os meus argumentos e demais companheiros no ano de 2013, de não se construir a linha-4 e que é um prolongamento em linha reta da Linha-1, em bitola divergente da existente (1,6m), a consequência chegou com mais conforto para os usuários.

Continuo insistindo que se deva construir a estação Metrô ferroviária do Bom Retiro para se aliviar a Luz.

SINFERP disse...

Não há mais saída para a estação Luz, Luiz Carlos. Tem toda razão.

Anônimo disse...

e vão conceder a linha 5 e a linha 17.

sabe qual a estimativa de lucro do concessionario? 10,8 bilhoes em 20 anos, para um investimento de 3 bilhoes.

tem que ser muito, mas muuuuuuuuuuuuuito burro para aprovar um serviço desses. não serão apenas 10,8 bilhoes que deixarão de entrar para os cofres publicos, mas é pelo menos boa parte desse valor dinheiro oriundo da contraprestaçao pecuniaria ao qual o concessionario terá direito caso o lucro estimado nao atinja a meta.