domingo, 1 de janeiro de 2017

Solução para o transporte público, VLT está abandonado em São Luís (MA)


Veículo leve sobre trilhos foi comprado às vésperas da eleição de 2012. Obra consumiu quase R$ 8 milhões dos cofres públicos.
Um investimento que seria solução de transporte público no Maranhão acabou virando exemplo de desperdício
Dois vagões estão jogados ao relento. O veículo leve sobre trilhos era para atender 200 mil pessoas por dia, mas nunca levou ninguém a lugar nenhum, a não ser na viagem inaugural, onde percorreu 800 metros cheio de passageiros esperançosos, como mostram alguns vídeos na internet. “Isso aqui é um sonho. Eu não quero acordar desse sonho”, diz uma mulher.
Ficou só no sonho. Hoje, o veículo está se estragando com o tempo. A equipe do Jornal Nacional encontrou o VLT fora do galpão onde deveria estar guardado e já deteriorado. O veículo foi comprado em julho de 2012 pelo então prefeito João Castelo, do PSDB, dois meses antes das eleições municipais, sem análise técnica para o projeto ou previsão orçamentária.
Para o Ministério Público, uma obra eleitoreira. “Foi uma obra feita em cima da eleição, sem uma programação suficiente e sem recursos para essa obra continuar após a eleição. Tanto prova que não foi pago e a obra parou”, diz o promotor de justiça José Leonardo Pires Leal.
O projeto previa que fossem construídos 13 quilômetros de trilhos ligando a região central de São Luís ao bairro do Anjo da Guarda, que é um dos mais populosos da cidade. Mas apenas 800 metros foram colocados. A obra consumiu quase R$ 8 milhões dos cofres públicos.
Boa parte dos dormentes usados para fazer os trilhos foi roubada. Muitos trilhos foram cobertos de terra e pedras. A estação construída em um terminal de ônibus é usada como guarita para seguranças.
Depois das eleições de 2012, o prefeito eleito Edivaldo Holanda Júnior, do PDT, alugou um galpão para guardar o elefante branco. Foram gastos mais de R$ 400 mil com aluguel, até que a prefeitura conseguiu na justiça que a empresa que vendeu os vagões, a Bom Sinal Indústria e Comércio, passasse a pagar os custos do aluguel. Só que depois disso o VLT foi retirado de onde estava guardado e está debaixo de sol e chuva.
A prefeitura diz que um projeto para colocar o VLT em circulação está em análise no Ministério das Cidades. Enquanto isso, a população segue vendo o VLT só mesmo pela janela dos ônibus lotados.
A prefeitura de São Luís declarou que o projeto iniciado na gestão anterior não teve planejamento. O ex-prefeito João Castelo, do PSDB, morreu este mês. Já a empresa Bom Sinal Indústria e Comércio declarou que nunca foi notificada pela justiça sobre a responsabilidade de guardar os vagões até que eles sejam usados.
G1 – 27/12/2016

3 comentários:

Pregopontocom Tudo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pregopontocom Tudo disse...
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Pregopontocom Tudo disse...

Em novembro de 2015 quando visitei a cidade de São Luis,e fiz também uma viagem no novo trem da Vale,de São Luis MA até Marabá no Para,739 km(a penúltima parada a 80 km antes de Parauapebas,ponto final)ainda em São Luis publiquei uma matéria sobre o VLT,percorri o pequeno trecho de menos de 1km de trilhos "na beira da praia",tirei fotos para ilustrar a publicação que inclusive foi reproduzida pelo site a ANPTrilhos alguns dias depois.É inacreditável com um gestor possa brincar com algo tão sério.Basta chegar e olhar o que foi feito para se deduzir que tudo não passou de propaganda eleitoreira que não rendeu nenhum resultado,para nenhum dos lados.Vê-se logo que não existiu nenhum projeto,nenhum planejamento,nenhum estudo tudo não passou de um "stand de vendas"de uma obra imaginária que jamais seria construída,um blefe com dinheiro público.Pelo que conheci de São Luis (e só andei,bastante,de ônibus na cidade) acho possível e viável a implantação de um sistema bem planejado para a cidade,a topografia de São Luis contribui para isso,mais não esse da forma como foi apenas imaginado.
- VLT de São Luis ainda não entrou nos trilhos - http://pregopontocom.blogspot.com.br/2015/11/vlt-de-sao-luis-ainda-nao-entrou-nos.html