quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Panes graves nas linhas estatais do Metrô de SP crescem pelo 3º ano seguido


O número de panes consideradas sérias nas linhas estatais do Metrô de São Paulo cresceu pelo terceiro ano seguido. Dados obtidos pelo UOL, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que a quantidade de "ocorrências notáveis" na rede sobe constantemente, passando de 71 em 2013 para 73 em 2014, 76 em 2015 e 78 entre janeiro e outubro de 2016


O levantamento diz respeito às linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermelha, 5-lilás e 15-prata (monotrilho aberto comercialmente em agosto de 2015) --excetua-se a 4-amarela, que não é operada pelo Metrô, e sim pela ViaQuatro, por meio de uma parceria público-privada. O problema está relacionado a mudanças na frota de trens, segundo a empresa. Com falhas, viagens descumpridas quase dobraram no intervalo de cinco anos.


Por "ocorrência notável", os técnicos da empresa, que é controlada pelo governo do Estado, entendem "aquelas que afetam a circulação dos trens em algum trecho ou linha por mais de cinco minutos além do intervalo programado". 


Nos dez primeiros meses de 2016, a linha com mais problemas desse tipo foi a 3-vermelha, com 30 panes (nove a mais do que em todo o ano passado). Em seguida, está a 2-verde, onde houve o registro de 23 falhas --ante 19 em 2015. Por outro lado, na linha 1-azul, registrou-se uma queda no total de panes, de 29 para 19. A linha 5-lilás manteve-se com a mesma quantidade --quatro em cada ano-- e a 15-prata viu uma pequena variação negativa, de três para duas ocorrências.


Entre 2015 e 2016, as "ocorrências notáveis" no sistema passaram de 76 para 78 (número que exclui a linha amarela). O próprio Metrô argumenta que o aumento "foi devido a falhas em trens", uma explicação que o engenheiro Creso de Franco Peixoto, especialista em transportes, considera possível.


"Não é normal aumentarem as falhas, embora variações sejam normais. Parte dos trens está sendo reformada e readequada ao sistema, que também passa por uma modificação, saindo do antigo controle analógico, chamado de ATC (na sigla em inglês, controle automático de trens), para o CBTC (controle de trens baseado em comunicação)", explica Peixoto. "Há um período de adaptação, em que os níveis dos protocolos de segurança aumentam muito."

UOL – Caio do Vale - 04/01/2017

Nenhum comentário: