segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Governo federal cancela verba para o metrô de Porto Alegre (RS) e projeto fica mais longe de sair do papel


O sonho do metrô em Porto Alegre ficou mais distante. O Ministério das Cidades publicou um decreto, na sexta-feira, que cancela a disponibilidade dos recursos que seriam destinados ao projeto. A medida também atingiu outras capitais, além de projetos de mobilidade.


O ex-prefeito da Capital José Fortunati (PDT), que transmitiu o cargo ontem para o tucano Nelson Marchezan Júnior, justificou que a decisão mostra a dificuldade de obter os recursos de outras fontes, mas lembrou que Porto Alegre foi a única que não foi alijada de verbas para obras viárias, como os corredores de ônibus (BRT).


Com isso, o único trem de passageiros a operar na Capital é o Trensurb, que já existe há 30 anos e liga a cidade a Novo Hamburgo, passando por Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul e São Leopoldo.


O projeto do metrô previa uma linha ligando o Centro Histórico à Zona Norte da Capital. Teve anos de estudos e formatou um trajeto de 10,3 quilômetros de trem subterrâneo de passageiros, da Rua da Praia até o terminal Triângulo da avenida Assis Brasil, prevendo uma Parceria Público-Privada (PPP), com recursos dos governos federal, estadual e municipal, além do grupo empresarial que tocaria a obra e exploraria o serviço por 25 anos.


O trajeto previsto inicialmente era mais longo, tendo mais estações até a sede da Fiergs. Mas depois da Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) lançada pela prefeitura, foi revelado, em 2013, que o menor valor sugerido pelo consórcio vencedor superava em muito o orçamento da obra.


Em 2014, a empreitada foi orçada em R$ 4,84 bilhões, com 25 anos de exploração da linha de metrô. A nova PMI foi lançada, com a expectativa de que o vencedor da licitação começasse as obras do trem subterrâneo de passageiros ainda em 2015, para que estivesse em funcionamento em 2020.


Com a crise financeira, nenhum dos entes públicos tinha mais recursos disponíveis para fazer a obra. A prefeitura atrasou as obras viárias da Copa do Mundo, o governo do Estado passou a parcelar os salários dos servidores, e o governo federal, além da crise política, passou a projetar um rombo bilionário em suas contas.


Como essa realidade, ficou distante o sonho de tirar o metrô do papel. Não se sabe qual será o seu destino com a nova gestão municipal.


Marchezan já adiantou que pretende fazer um grande enxugamento da máquina pública municipal e que não irá iniciar novas obras enquanto não terminar as antigas.


Nisso inclui-se o sistema de ônibus rápidos (BRT), que ainda não saiu da primeira fase, com a construção de corredores de ônibus. Até agora, o projeto carece da licitação e construção das estações de transbordo rápido, além da seleção da empresa que irá operar as linhas dentro do novo sistema.

Jornal do Comércio – 02/01/2017

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