terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Redescobrindo o Brasil: os bondes do passado e do futuro no Rio de Janeiro


Foto Nilton Fukuda
VLT é meio de transporte urbano mais moderno do País e divide a cidade com o icônico bonde de Santa Teresa.  O VLT fluminense é 100% livre de cabos aéreos de energia.


O dia começa com uma visita aos Arcos da Lapa, no Centro do Rio de Janeiro. Em um piscar de olhos, um bonde amarelo cruza o famoso aqueduto e resgata a lembrança de um jeito tradicional de se locomover em uma parte da cidade. São apenas 600 metros que separam o bondinho de Santa Teresa do meio de transporte urbano mais moderno da capital carioca, o Veículo Leve Sobre Trilhos. Ali ao lado, na Cinelândia, em uma das 15 estações em operação, a equipe do Jornal do Carro embarca em um dos vagões do VLT, que funciona há seis meses e já transportou mais de 4 milhões de passageiros.


Nosso passeio foi curto. Foram cinco estações da Cinelândia até a Parada dos Navios, no Boulevard Olímpico. O vagão todo envidraçado faz com que os passageiros tenham uma vista “romântica” dos prédios históricos da região. O trajeto foi tranquilo, sem incidentes ou frenagens bruscas. O ar-condicionado alivia o “calorão” de 38 graus de dezembro e os passageiros, muitas vezes, nem fazem questão de utilizar os bancos. Preferem ir em pé. Alguns poucos ciclistas se arriscam a trafegar nos trilhos do VLT. Os pedestres estão atentos aos sinais sonoros dos “trenzinhos”, que parecem já fazer parte da cidade.


O Rio de Janeiro é o segundo local do mundo a ter um VLT 100% livre de cabos aéreos de energia. A primeira cidade foi Dubai, nos Emirados Árabes. O sistema fornece eletricidade pelos trilhos, que são energizados nas estações de paragem. Cada vagão tem um condutor, que o acelera a uma velocidade máxima de 50 km/h. O trecho em funcionamento atualmente tem 15 km de extensão e 15 estações. No futuro serão 28 km e 28 paradas, entre Centro e Zona Portuária. A próxima linha a entrar em funcionamento está prevista para a segunda quinzena de janeiro. Ligará o comércio popular do Saara até a Praça XV, no Centro do Rio. O VLT funciona todos os dias da semana, das 6h às 00h. A passagem custa R$ 3,80. “Temos passageiros locais e muitos turistas também. A população abraçou o projeto”, comemora o gerente de operações Paulo Ferreira, que acrescenta que o objetivo do VLT é integrar-se com barcas, metrô, trem, ônibus, rodoviária e aeroporto, entre outros.


A comparação entre o bonde amarelo e o VLT parece improvável, mas é possível. O bonde antigo que hoje circula apenas entre o Centro e Santa Teresa era encontrado em todas as zonas da cidade. Também levava e trazia passageiros nas principais ruas do Centro. Com o passar do tempo, ficou restrito ao trajeto Largo da Carioca-Largo dos Guimarães e Largo da Carioca-Francisco Muratori, com horários e dias específicos de funcionamento. Está certo que o VLT não tem nem de longe o mesmo charme do bondinho. Mas ao rodar pelo Rio, ainda que em uma área restrita, o “cheiro de tecnologia” parece resgatar um pedaço da história da cidade. Parece poesia. Poesia moderna.


Jornal do Carro – 18/12/2016

3 comentários:

Anônimo disse...

Claro , lógico , tinha que acontecer mais cedo ou mais tarde . A BOMBA ....

http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/light-pede-na-justica-falencia-da-supervia.html

Gostaria de saber se algum empreendimento destes considerado entre aspas "público" dá margem de lucro sem que o Estado insira financiamento.Nem tudo o que a onda "PPP" diz é benéfica. Vejo com certa restrição.

Acho que a resposta será negativa!

Anônimo disse...

Nem tudo são "flowers" ....

A mesma coisa postada acima , mais fácil . . .

http://www.agenciabr.com.br/noticia/light-pede-falencia-da-supervia-por-divida-de-r-38-milhoes/

Futuro das "PPPs" no Brasil : incerto !!!!!

SINFERP disse...

Gratos pelo link. No ar.