sábado, 10 de dezembro de 2016

Em seis meses, VLT do Rio atinge a marca de 4 milhões de passageiros


Usuários elogiam conforto e rapidez, mas criticam falta de integração com metrô.

RIO - De casa, no Santo Cristo, até o Centro, nada mais de ônibus quentes que, apesar do trajeto curto, ficavam parados em engarrafamentos. A universitária Evelyn Carreiro só faz esse percurso agora de VLT, que esta semana completa seis meses de operação no Rio batendo a marca de 4 milhões de passageiros. Após esse tempo, persistem ressalvas dos usuários quanto ao novo meio de transporte da cidade. Mas, no balanço geral, a maioria, assim como Evelyn, tece elogios aos bondes.

— Hoje levo dez minutos entre minha casa e o Centro. É confortável, tem ar-condicionado, é limpo... Mesmo nos fins de semana costumo pegar o VLT, para ir correr na Praça Mauá — diz a moradora do Santo Cristo, que criou novos hábitos nos últimos seis meses.

Misturada aos 25 mil a 30 mil passageiros diários do sistema, ela se tornou uma usuária frequente. O mesmo ocorreu com Eloísa Caldas. Ela trabalha numa companhia aérea no Santos Dumont. Do aeroporto até a Cinelândia, onde depois pega o metrô, opta pelo VLT diariamente. Também gosta do conforto sobre trilhos. Mas calcula quanto poderia economizar se as duas tarifas fossem integradas.

— Gastaria a metade do que pago com passagens hoje. Não entendo por que ainda não houve essa integração — questiona Eloísa, tocando numa das principais críticas dos passageiros do VLT até aqui.

Já para o contador Robson Danaro a reclamação é outra: para ele, continua longo o espaço entre um bonde e outro. Intervalo esse, no entanto, que vem caindo, de acordo com a Secretaria municipal de Transportes. No início, eram 30 minutos. Hoje, varia entre oito e 20 minutos, dependendo do horário e da demanda.

O tempo de percurso, diz a prefeitura, também vem diminuindo. Em média, uma viagem no sentido rodoviária dura 29 minutos. Já em direção ao aeroporto, 34 minutos. Uma redução, afirma a Secretaria de Transportes, de 30% em relação a julho, quando o serviço começou a ser realizado em todo o trajeto.

Desde então, curioso é que o VLT consolidou um horário de rush diferente dos demais modais. Em vez do início da manhã e do fim de tarde, o pico de movimento, nos fins de semana, é a partir das 15h, perto das programações da Orla Conde. Já nos dias de semana, ocorre por volta das 13h, próximo da hora do almoço. Sendo que, com a abertura do AquaRio, em novembro, a média diária de passageiros aumentou cerca de 15% nos dias úteis e em 20% nos fins de semana, com a parada Utopia/AquaRio recebendo até três vezes mais usuários aos sábados e domingos.

Enquanto não inaugura a nova fase do VLT — entre as praças Quinze e da República, prevista para este fim do ano— os principais pontos de embarque e desembarque, no entanto, continuam sendo as paradas da Cinelândia, Carioca, Santos Dumont, São Bento e Candelária. E justamente numa dessas estações, a do Santos Dumont, que o técnico em eletrônica se deparou com outra das principais queixas quanto ao VLT até agora, registradas inclusive no serviço 1746: problemas nos terminais de autoatendimento para compra e recarga do Riocard.

— A máquina reiniciou e meu cartão de transporte ficou preso dentro dela — reclamava ele ontem, enquanto se formavam filas para utilização do equipamento.

O Globo – 09/12/2016

Nenhum comentário: