quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A precariedade da Supervia é o lucro da Odebrecht


Delação premiada de executivo da Odebrecht expõe esquema de propinas da construtora à agência reguladora de transporte do Rio (Agetransp), com participação do PMDB, para fazer "vista grossa". Mais um esquema de corrupção que coloca à luz do dia o funcionamento do Estado como gestor dos negócios dos capitalistas ao custo da precariedade da vida dos trabalhadores.



Foi a delação de Paulo Caserna, executivo da Odebrecht que até recentemente era o presidente da Odebrecht Transpor, que expôs o esquema de propinas na SuperVia, a concessionária que atua nos trens, e que é operada pela construtora.

Dois diretores da Agência Reguladora de Transportes do Rio (Agetransp) receberam R$ 600 mil reais em nome do PMDB-RJ, de acordo com a delação de Caserna.

O primeiro foi Artur Vieira Bastos. Antes de se tornar diretor da Agetransp, ocupou os cargos de tesoureiro do PMDB e chefe de gabinete do chefe da Casa Civil de Sérgio Cabral, Régis Fitchner.

Já o outro diretor da Agetransp a ter negociado propina - Cesar Mastrangelo, que hoje é presidente da Agência - ocupou o cargo de diretor de relações institucionais do Metrô Rio.

Segundo o delator, as propinas foram negociadas em uma reunião com a presença de Carlos José Cunha, presidente da SuperVia, que teria dito a Caserna que o pagamento da quantia levaria a uma proximidade maior com os diretores da Agência e, assim, com o governo do PMDB.

Em nota oficial, os diretores da Agetransp negaram as acusações, argumentando em sua defesa com as multas que aplicaram à SuperVia. Veja trecho da nota:

Os conselheiros ressaltam que, desde que o atual conselho diretor tomou posse na agência reguladora, em 2014, houve total rigor na fiscalização dos sistemas de transportes e rodovias regulados. Em dois anos e dez meses, o atual conselho diretor foi responsável por 73 das 97 multas aplicadas à concessionária SuperVia desde o início da concessão, em 1998, o que representa 75% do total de penalidades já aplicadas à concessionária. Apenas entre 2014 e 2015, o atual conselho diretor havia aplicado 52 multas (R$ 5,3 milhões) de um total de 76 penalidades de multa aplicadas, até então, à concessionária SuperVia. Em 2016, de janeiro a outubro, foram aplicadas 21 multas à SuperVia, em um total de R$ 1,3 milhão")

Contudo, o faturamento da SuperVia apenas em 2014 foi de cerca de R$ 480 milhões, e a Agência demorou cinco anos para julgar uma falha ocorrida em 2011, aplicando uma penalidade equivalente a 0,01% do faturamento da concessionária. E em 2015, a SuperVia ainda devia R$ 2,9 milhões em multas.

Os trabalhadores amargam a cada dia no péssimo transporte oferecido pela SuperVia, enquanto os diretores da Agetransp, os executivos da Odebrecht e da SuperVia, e os políticos dos partidos patronais que negociam as propinas andam em carros luxuosos com motoristas, helicópteros, jatinhos particulares e iates. Os milhões que poderiam garantir um transporte sem falhas, sem aperto, barato, seguro e rápido para todos estão sendo embolsados por eles.

As propinas reveladas na delação de Caserna estão longe de ser algo "fora do normal", mas são apenas o óleo que azeita a engrenagem do Estado, a serviço de garantir os interesses dos capitalistas. Como os imensos salários dos políticos e seus privilégios, assim como dos diretores dessas agências, não são suficientes para os serviços sujos que fazem para essas empresas, as propinas entram como um "bônus" para que eles fecham os olhos para tudo aquilo que, no dia-a-dia dos trabalhadores, dos negros, dos pobres, significa mais aperto, mais precariedade, atrasos, alagamento nos trilhos e tarifas cada vez mais caras.

Esquerda Diário – 14/12/2016

5 comentários:

Anônimo disse...

SuperVia e MetrôRio são provas que a população, principalmente a classe média, apóia as privatizações simplesmente porque não suportam ver concursados recebendo salários e benefícios um pouco maiores que a média. Essa é a questão, a população não está nem aí se o serviço é bom ou ruim. A CPTM com todos os seus problemas presta um serviço infinitamente superior ao da SuperVia, e mesmo assim boa parte da população e usuários defende a privatização da CPTM e não defendem a estatização da SuperVia.

SINFERP disse...

O povo foi convencido, e muitas vezes com razão, que o serviço privado é melhor do que o serviço público. A CPTM de fato presta serviço melhor do que da SuperVia (RJ), mas bem pior do que do Metrô (SP), e o último pior do que da ViaQuatro(SP). Temos insistido com ferroviários da necessidade de luta pela melhor qualidade possível da CPTM. A categoria não compra essa briga, mas em períodos de greve fica inconformada quando usuários não se mostram compreensivos e solidários com seus pleitos. Para você ter ideia somos muitas vezes criticados por parcela da categoria, por defendermos interesses de usuários de transportes de pessoas sobre trilhos. Não percebem que nossos empregos e salários dependem dos usuários, e não de supervisores e gerentes deles, e é imenso o número de ferroviários convencidos de que terão ainda mais "vantagens" se a CPTM for privatizada. Foi assim com a Fepasa.

Thiago nunes viana disse...

é sinferp... esse é o mau da brasileiro. nunca se une. é sempre cada um por si. O metrô ja foi bom, mas hoje anda sucateado... a cptm ja foi horripilante, mas se não fosse balcão de negócios seria metro....
enfim... cariocas colhendo oque plantaram...
e quanto a empreiteira... agora ta tudo explicado, pq de a supervia continuar ai do jeito que quer e bem entende.
Iniciativa privada é boa quando efetivamente se tem um controle de mercado, onde o cara tem chance de ter lucro e de ter prejuízo. Agora esse sistema da linha 4 onde o cara só opera no lucro não é iniciativa privada é só privada mesmo.

SINFERP disse...

Sim, Thiago. De fato, o Metro já foi bom. Na CPTM chegou-se a falar em "CPTM com padrão de Metrô", e o que vemos hoje é "Metro com padrão de CPTM". Metrô cresce com rabo de cavalo: para baixo. A CPTM poderia ser bem melhor, mas, como você bem disse, tornou-se um mero balcão de negócios do governo de São Paulo. Linha 4 é a parceira preferencial de nosso querido governo, e ganha de qualquer jeito e em qualquer cenário. O povo de São Paulo não merecia isso, o usuário de São Paulo não merecia isso, mas está tudo bem blindadinho. E tudo isso sem falar no colossal engana-que-eu-gosto do monotrilho. E tudo isso passando, cada um seu devido tempo, para o setor privado... Imagine então agora, com o novo prefeito engomadinho e privatista fechando as pontas que faltavam na capital paulista: a concessão e privatização do máximo possível dos espaços públicos da grande metrópole para a exploração dos setores privados...

Anônimo disse...

Supervia foi boa até agora (rsrs) , mas a partir disto (link) a coisa não é bem assim . . .

http://www.agenciabr.com.br/noticia/light-pede-falencia-da-supervia-por-divida-de-r-38-milhoes/