quarta-feira, 19 de outubro de 2016

PF indica suspeita de propina em apuração sobre cratera do metrô de SP


A Polícia Federal apreendeu documentos em duas operações que apontam a suspeita de pagamento de propina a um promotor de Justiça de São Paulo para favorecer empreiteiras nas apurações sobre a cratera da linha 4-amarela do metrô, que deixou sete mortos em janeiro de 2007, segundo a edição desta terça-feira do jornal Folha de S. Paulo.
Em decisão de maio, a Justiça inocentou quatorze pessoas acusadas na tragédia. A juíza Aparecida Angélica Correia, da 1ª Vara Criminal, disse que “não ficou demonstrado que a conduta deles concorreu para a ocorrência do acidente” e que os acusados “não tinham como prever o acidente”.
Os documentos que indicam pagamento de propina foram apreendidos no âmbito da operação Lava Jato, que investiga uma estrutura de corrupção em contratos montada pela Odebrecht – que, no caso da linha 4, também foi líder do consórcio Via Amarela, responsável pela obra e coincidem com documentos apreendidos na  operação Castelo de Areia, em 2009, que sugerem um pagamento de mais de 3 milhões de reais a algum integrante da promotoria de São Paulo que apurava o acidente.
Em setembro, a Lava Jato apreendeu mensagens de dirigentes da Odebrecht que detalham o que seria um pagamento a um promotor em 2007. O e-mail enviado pelo diretor da Odebrecht para as obras da linha 4, Marcio Pellegrini, a um executivo do grupo aponta 200 mil reais a um “beneficiário” referente à “Metro L4” e aborda “ação: apoio no processo de invest. MP”. A construção da linha 4 foi realizada por consórcio formado por cinco empreiteiras. Além da Odebrecht, a Camargo Corrêa, a OAS, a Queiroz Galvão e a Andrade Gutierrez também faziam parte das obras.
O Ministério Público informou que poderá abrir investigações sobre promotores depois de tomar conhecimento do material apreendido pela PF na Lava Jato.
O documento apreendido na Castelo de Areia registra quatro coincidências com o papel encontrado na Lava Jato: a referência à linha 4, o valor de 200 mil reais que teria sido pago, a divisão por cinco e o mês do repasse – julho de 2007. Outro documento da operação, com apontamentos referentes a fevereiro de 2008, revela as seguintes observações feitas pelos executivos: PMN, sigla da Camargo Corrêa para as obras da linha 4, segundo a PF, e as siglas “Lac mp” e “MP”, além do valor de 3 milhões reais parcelado mensalmente. Como nos outros papéis, os montantes são divididos por cinco.
Segundo o jornal, a PF apontou em relatório que “ao que parece, o pagamento em questão se destinava à obtenção de algum favorecimento nos resultados da apuração e talvez da ação para ressarcimento que foi proposta pelo parquet [Ministério Público] estadual”.
A Odebrecht e a empreiteira Camargo Corrêa não se manifestaram sobre os papéis obtidos nas operações da Polícia Federal. Já o Metrô informou que não comenta a decisão judicial por não ser parte do processo. Disse, ainda, que os funcionários arcaram com suas próprias defesas.
O MP afirmou que após a deflagração da Operação Lava Jato “não chegou ao conhecimento qualquer informação do Ministério Público Federal, da Polícia Federal ou dos órgãos de imprensa quanto a eventual atuação indevida de seus membros em relação ao acidente na linha 4 do Metrô”. Em 2009, no entanto, foi aberta investigação pelo MP referentes aos documentos apreendidos na operação Castelo de Areia, porém as apurações não foram conclusivas e, em 2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), decidiu trancar a ação penal em definitivo.
Veja.com – Rafaela Lara – 19/10/2016
Comentário do SINFERP
Será que “agora vai” ou tudo não passa de capítulo da novela “cadê o meu?”

2 comentários:

Thiago nunes viana disse...

Eita linha problemática do cace..! Bom, em uma revista de engenharia, li certa vez que havia uma formação geológica de difícil detecção na sondagem do terreno. Em outras matérias de época, li também que houve toda sorte de deturpação do projeto inicial: mudança da profundidade inicialmente proposta, método de escavação dos tuneis, e ja durante a obra, a não colocação de "cambotas"... Em noticias de anos atras, li (acho que aqui mesmo) sobre problemas relativos a estação higienópolis makenzie... certa vez andando no vagão cabeceira, reparei que em alguns trechos os anéis que compõe os tuneis ja receberam reforço e há intensa infiltração (se não me engano, próximo a est fradique coutinho).
sei não... mas se ja achavam a linha 2 mau construída, acho que a linha 4 vai superar com folga!

SINFERP disse...

Oi Thiago. Gratos pela contribuição.