sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Metrô de SP tem uma falha grave a cada três dias


CPTM registra uma paralisação a cada quase duas semanas neste ano
Sempre cheio, sem conforto e, muitas vezes, demorado. Tão comum na vida de tanta gente, a rotina de quem usa o transporte urbano em São Paulo é um exercício diário de paciência.
Não bastassem os problemas clássicos de superlotação, os usuários do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) ainda convivem com interrupção total ou parcial da circulação. “É só chover que para tudo, não tem jeito”, disse a auxiliar de cozinha Angélica Franco, 30 anos.
Aesar do diagnóstico diário de quem usa o transporte sobre trilhos para ir e vir do trabalho ou escola, o balanço da STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) é otimista e aponta que, até setembro, apenas uma falha grave foi registrada no Metrô a cada três dias (no total, 75 até setembro). No caso da CPTM o retrospecto é ainda mais promissor, com uma ocorrência a cada 13 dias (total de 21 de janeiro a agosto).
Isso acontece porque a lentidão nas estações e o maior tempo de parada, por exemplo, não constam nestes cálculos. As duas empresas do governo do estado só contabilizam ocorrências que consideram “notáveis” – falhas do sistema ou provocadas por agentes externos, como usuários na via ou alagamentos. Isso exclui, por exemplo, um trem recolhido por conta do travamento das portas, deixando a multidão parada nas plataformas. Para as estatísticas, nada aconteceu.
Na prática, apenas as paralisações com mais de cinco minutos vão para as estatísticas. O que não entra na soma oficial vai para a conta do usuário.
“Duro é chegar atrasado e explicar isso ao patrão”, ironizou a cozinheira Eunice Francisca dos Santos, 52 anos, que sai de São Caetano, no ABCD, para trabalhar na Barra Funda, Zona Oeste da capital. “Quem pega condução, é só sofrimento.”
MÉDIA
As 75 “ocorrências notáveis” do Metrô até setembro representam quase o mesmo de todo o ano passado (76 casos). A média vem subindo, já que em 2014 foram 73 e, em 2013, 71.
Dos 21 registros da CPTM até agosto, 11 foram culpa de agentes externos e dez por falhas técnicas. Em 2015, foram 21 só por problemas no sistema, os quais também foram maiores em 2014 (23) e 2013 (21). Em cada um destes dois anos, o total de casos foi de 36.
Análise: Horácio Figueira engenheiro especialista em mobilidade urbana
Manutenção e trens de reserva
O Metrô é um sistema muito sensível a qualquer interferência, seja técnica ou externa, como enchentes. Temos de cobrar se as manutenções são suficientes para evitar as falhas técnicas. Para minimizar isso é preciso renovação de frota, o que depende do governo do estado voltar a investir para garantir mais trens até para ter folga técnica. Devia existir composições de folga, pelo menos 10% da frota a mais como reserva técnica. Ao invés de gastar com obras viárias, com viadutos que são garagens verticais de automóveis parados na hora do pico, governos municipal e estadual deviam investir mais nos trilhos.
 ‘Temos de rezar para não chover’, reclama usuária
Os números das panes nas composições, representados como “ocorrências notáveis” para Metrô e CPTM, são bem menores diante dos problemas que cinco minutos podem causar aos usuários do transporte sobre trilhos. Os que não têm outra alternativa, é preciso se adaptar, ou melhor, se acostumar.
“Moro na Vila Curuçá (Zona Leste), faço faculdade no Belém (Centro). Em dia de prova, não penso duas vezes em sair mais cedo. Acordo meia-hora antes, no mínimo. Depois que fiquei parada dez minutos quando teve uma chuva forte, fiquei prevenido”, contou o estudante de engenharia, Ralf de Freitas, 50 anos. “Dez minutos parece pouco, mas é muito quando tem muita gente saindo no horário de pico.”
A cozinheira Eunice Francisca dos Santos, 50, é outra que olha todo dia para o céu antes de entrar nas estações. “Tem de rezar para não chover, porque se cair água, pode escrever, vai parar. É batata!”, disse ela.
O advogado Wallin Lira, 31 anos, também não tem boas lembranças de dentro dos vagões. “Já fiquei parado na CPTM por conta de chuva e alagamento, e também por uma pequena colisão de vagões. Fiquei até 20 minutos dentro do trem no túnel sem ir para frente ou para trás. Aquele monte de gente irritada. Na CPTM os problemas são maiores, então, proporcionalmente o tempo de espera é sempre maior”, disse, apesar de os números oficiais indicarem o contrário: o Metrô é mais problemático.
A educadora física Silvia Fortini Reis, 47, também encarou uma parada inesperada no Metrô. “Foi na Linha Azul, na Sé. Ficou bem mais de cinco minutos e o pior foi que não deram satisfação pelo serviço de som.”
A diarista Maria da Luz, 49, agradece por não bater cartão de ponto. “Chego todo dia além do meu horário normal. Todos os dias têm algum problema, redução de velocidade, ficar parado para aguardar a movimentação do trem à frente. As justificativas se repetem”, disse ela, que mora em Francisco Morato, região metropolitana, e trabalha em Higienópolis, no Centro da capital. “Pego trem e Metrô, os dois atrasam.”
“Você trabalha o dia todo, chega à noite e trava. Parece que não estão preparados para os horários de pico”, lamentou Maria da Luz. “Faltam trens. Se der um problema, trava tudo.”
RESPOSTA DO METRÔ E CPTM
Problema universal
Em nota, a Secretaria de Transportes Metropolitanos afirmou que “todos os sistemas de Metrô e trens do mundo estão sujeitos a falhas e elas são proporcionais ao número de viagens realizadas, à quilometragem percorrida e à quantidade de passageiros transportados”. Disse ainda que vem trabalhando para modernizar a rede da CPTM. “Estão sendo substituídos os sistemas de sinalização, telecomunicação, energia, rede aérea, via permanente, além da reforma das estações e renovação da frota de trens. É importante lembrar que a ferrovia é um sistema que opera a céu aberto, portanto, está sujeita às interferências externas provocadas por fenômenos naturais, manifestações públicas, entre outros”. Já em relação ao Metrô, a pasta disse que “o número de incidentes notáveis apresenta-se dentro de parâmetros compatíveis para um sistema de alta performance e exigência diária”.
 SP Notícias – 06/10/2016
Comentários do Sinferp
As desculpas da CPTM são tapa na cara dos usuários, pois as mesmas e faz muito tempo. A tal modernização que nunca se conclui... Mas nem para criar novas desculpas esses caras prestam...

2 comentários:

Anônimo disse...

As chuvas de verão estão vindo aí . . .

SINFERP disse...

Rsrsrsrs Raios, enchentes... As intempéries, dizem eles. Ainda bem que administram trens, e não aeronaves. Já imaginou?