terça-feira, 6 de setembro de 2016

Sem verba, consórcio paralisa 'linha das universidades' do metrô de SP


Afora o fundo, as três empresas de engenharia que integram o consórcio são investigadas pela Operação Lava Jato.

O consórcio responsável pela construção, operação e manutenção da futura linha 6-laranja do Metrô anunciou nesta segunda-feira (5) a suspensão das obras.

A concessionária Move São Paulo, composta pelas empresas Odebrecht Transport, Queiroz Galvão, UTC Engenharia e pelo fundo Eco Realty, alegou problemas para obtenção de financiamento de longo prazo, "condição indispensável à continuidade do projeto".

Afora o fundo, as três empresas de engenharia que integram o consórcio são investigadas pela Operação Lava Jato, o que parece ter afetado sua capacidade de obter empréstimos no mercado.

Ficarão mantidos, segundo o consórcio, o processo de desapropriação das áreas necessárias ao empreendimento, o atendimento à comunidade afetada e a logística para receber os dois tatuzões, já adquiridos.

A linha 6-laranja tinha sido inicialmente prevista para 2018, mas atualmente já se trabalhava com prazo de conclusão apenas em 2021. A suspensão das obras deve prejudicar ainda mais esse calendário.

Também conhecida como a "linha das universidades", a linha terá instituições como o Mackenzie e a PUC em seu trajeto. Quando concluída, terá 15 estações em 15,3 km e ligará o noroeste da cidade ao centro (Brasilândia-São Joaquim). Estima-se que mais de 600 mil pessoas usarão essa linha diariamente.

Os investimentos já feitos chegam à casa de R$ 2,7 bilhões. Em nota, a concessionária afirma que negocia com o BNDES e com o governo do Estado de São Paulo "alternativas para o reequilíbrio da parceria público-privada de implantação da linha 6-laranja de metrô".

A suspensão das obras sob responsabilidade privada representa um problema para a gestão Geraldo Alckmin (PSDB), já que o governo tem planos de privatizar 60% da operação da rede do Metrô, ficando responsável majoritariamente pela regulamentação e fiscalização do setor.

Brasil Agora – 05/09/2016

6 comentários:

Anônimo disse...

Nem uma coisa , nem outra !
Se o Estado não consegue gerir algo , agora imagine a iniciativa
privada !
Este negócio de "estado mínimo" não funciona para todos os casos.
Quem irá investir num País , aonde o recurso de uma forma ou de outra é destinado para outras finalidades e não para o empreendimento !

SINFERP disse...

Quem vai investir em um país onde o mais importante dos contratos, a eleição presidencial, não é respeitado?

Anônimo disse...

Realmente investimento aqui é complicado !

Fica este jogo de empurra-empurra , passando a impressão que a iniciativa privada resolverá todos os nossos problemas.

Vide a concessão vista em ferrovias. Modernização da via existente nem pensar , renegada a segundo plano.....

Querem só o filé , tudo novo , zero quilometro e o que realmente precisa.........

Enquanto o velho , alias , lembrei da Supervia............

SINFERP disse...

Sim, é complicado, mas quem mandou acreditar nas tais PPPs como salvação da pátria, d fazer obras e mais obras acreditando que a iniciativa privada ira realmente colocar dinheiro do próprio bolso? Claro que querem tudo novo, pois dai nascem os contratos, os consórcios e as tramoias. Essa roda viva foi se sustentando por décadas, até que a fonte secou. Agora, é claro, a iniciativa privada não querer ficar com nenhum prejuízo.

Anônimo disse...

o maior detalhe de tudo isso é: o dinheiro "privado" vem de um financiamento do BNDES ... ou seja, é como o pai pegar emprestado o dinheiro da mesada do filho que sai do seu proprio bolso. se a 7ª maior economia do mundo, que bate recorde de arrecadaçao apesar da sonegaçao de impostos, se um estado com um PIB maior que de muitos paises do mundo, nao consegue financiar uma obra desse porte , quem dirá uma empresa privada ????

SINFERP disse...

Sim, Anônimo: esse é liberalismo brasileiro, a economia de mercado brasileira. Talvez único lugar onde a iniciativa privada é financiada com dinheiro público.