sexta-feira, 2 de setembro de 2016

'Poderia ser meu filho', diz PM que ajudou cadeirante a sair de estação da CPTM


Mãe acionou PM para sair de estação que não tem acessibilidade. Problema foi na estação da CPTM de Brás Cubas, em Mogi das Cruzes.
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A falta de acessibilidade na estação de trem do distrito de Brás Cubas, da Linha 11- Coral, em Mogi das Cruzes mobilizou quatro policiais da 2º Cia do 17º Batalhão da Polícia Militar. Eles ajudaram uma mãe a carregar o filho, com paralisia cerebral e sua cdeira de rodas pelas escadarias da estação. Funcionários da CPTM teriam se negado  fazê-lo.  Um dos policiais que atendeu a ocorrência, o soldado Miquéias Rosa de Araújo, falou com o G1 na tarde desta quinta-feria (1º) e disse que a equipe ficou emocionada com o caso.

Em 10 anos de profissão, esta foi a primeira vez que o policial militar soldado Miqueias atendeu uma ocorrência como esta. "Nós sempre somos chamados a prestar diversos auxílios à comunidade, mas nesse sentido, foi a primeira vez, pelo menos nos meus 10 anos de profissão. Chegamos com imparcialidade e estávamos preocupados em resolver o problema, já que a criança estava bastante cansada, irritada, chorando muito", disse.

O caso aconteceu na última segunda-feira quando a dona de casa Daiane Tamires da Silva, mãe do Murillo, de 7 anos, pediu ainda a funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) para subir as escadarias da passarela que dá acesso a saída da estação, que não é equipada com dispositivos de acessibilidade. A ajuda foi negada e a mãe, sem ter como carregar a cadeira de rodas sozinha, pediu o apoio da PM.
"Todos nós que estávamos na ocorrência somos pais. Então com essa mentalidade mais humana, decidimos resolver o problema e ajudá-la a sair da estação, carregando o carrinho e a criança. Até porque, poderia ser um filho nosso precisando de ajuda", disse o policial. Outros três policiais ajudaram na ocorrência: Sargento Otávio, Soldado Almeida e o Cabo Darlan. Os dois primeiros aparecem no vídeo gravado pela mãe: um carregando a criança no colo e o outro levando o carrinho. "Eu sou o policial que vai conversando com ela, questiono há quanto tempo ela tem que fazer uma volta em outra estação pra poder descer em casa sem problemas", disse o policial.
ELe também ficou surpreso com a repercussão do caso. "Gostei de saber que há pessoas que ainda acreditam no engajamento, em ajudar o outro. Que sirva de inspiração. Nós damos valor á solidariedade e humanização", disse.
O caso
Segundo a mãe, o caso aconteceu na última segunda-feira (29). “Meu filho tem paralisia cerebral e é surdo. Então, pelo menos duas vezes por mês, eu vou até a AACD de Mogi, na de São Paulo, além do Hospital das Clínicas. Vou de trem e, para chegar em casa, preciso ir até a estação Mogi das Cruzes, trocar de plataforma e pegar o trem de volta, no sentido contrário, para descer do lado certo em Brás Cubas, porque a estação não tem acessibilidade. Acontece que há duas semanas, eu desci em Brás Cubas sem fazer a volta, pedi ajuda para alguns funcionários e fui atendida. Na segunda, uma funcionária da CPTM me negou ajuda e mandou eu fazer a volta”, contou a mãe de Murillo, a dona de casa Daiane Tamires da Silva.
Sem ajuda, a dona de casa ligou para o 190 e pediu ajuda à Polícia Militar. “Como a policial viu que não tinha jeito, que eu realmente precisava de ajuda, mandou uma equipe. Eles entraram na estação, conversaram com os funcionários e me ajudaram. Um pegou meu filho no colo e o outro pegou a cadeira. Subimos a passarela e consegui chegar em casa”, destacou. A passageira registrou boletim de ocorrência  não criminal no 2º Distrito Policial.
A mãe conta que entrou com um processo judicial contra a CPTM por causa da falta de acessibilidade. “Se eu moro em Brás Cubas, não tenho o por que ir até Mogi das Cruzes e voltar pra conseguir sair do lado certo. Eu tenho dois filhos especiais, que precisam e dependem da acessibilidade. Além de não ter rampa na estação, o espaço entre o trem e a plataforma é muito grande. É um desrespeito com quem precisa ser incluído”, destacou.
Em nota a CPTM informou que "tem como meta tornar todas as estações acessíveis. Das 92 estações existentes, 47 já foram adequadas de acordo com as normas de acessibilidade. No caso das estações do Alto Tietê, em que a Estação Brás Cubas está incluída, a CPTM aguarda a liberação de recursos do PAC da Mobilidade, prometidos pelo Governo Federal, para contratar as obras de acessibilidade."

A nota acrescenta ainda que "Os projetos básico e executivo para adequação da Estação Braz Cubas estão em fase de contratação, bem como de outras 33 estações. As estações da Linha 11-Coral que terão os projetos contratados são: Guaianases, Antonio Gianetti Neto, Jundiapeba, Mogi das Cruzes, Braz Cubas e Estudantes."
Ainda de acordo com a companhia, "até que todas as estações sejam adaptadas, os empregados das estações estão habilitados para auxiliar pessoas com deficiência em seus deslocamentos nas dependências da Companhia. O caso relatado pela reportagem será apurado junto à equipe da estação e todos serão reorientados quanto aos procedimentos para atendimento às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida."
G1 – Jamile Santana - 01/09/2016

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