quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Multiplicidade de cartões disponíveis no transporte público do Rio indica a confusão do sistema


Em vez de um bilhete único, a Região Metropolitana tem três. E ainda: cartão do metrô, cartão do trem, cartão da barca. A prometida integração tarifária entre os modais avançou, mas ainda está longe de resultar num sistema mais eficiente.
A multiplicidade de cartões disponíveis no transporte público do Rio já indica a confusão do sistema. Só de bilhete único são três: o estadual, o carioca e o de Niterói. Além disso, ainda há cartões específicos para ônibus, metrô, trem e barcas. Embora a integração tarifária tenha avançado nos últimos anos, o sistema está longe de ser eficiente e fácil para o usuário.
O bilhete único oferece desconto para no máximo duas passagens, mas essa limitação leva a casos como o do estudante Alexandre Rodrigues, que mora em Maricá e estuda na PUC, na Gávea. São três horas no trajeto, em dois ônibus. Se pudesse também incluir um terceiro meio de transportes, o tempo de deslocamento cairia para duas horas.  
"Uma integração tripla talvez me ajudasse. Agora criaram um expresso que está me ajudando muito. Mas antes, para chegar mais rápido na faculdade, eu pegava três transportes. Seria bom uma integração tripla com três ônibus pagando o mesmo valor", avalia.
O professor da UERJ e especialista em transportes Alexandre Rojas defende a criação de um órgão único na região metropolitana para gerir os recursos das passagens. Isso evitaria a multiplicidade de cartões e facilitaria a vida do usuário.
"A Fetranspor tem seu cartão. O metrô tem o seu cartão. A barca tem o seu cartão. Esse dinheiro é gerido pela empresa e realmente é interesse da empresa gerir seus próprios recursos. Isso não quer dizer que seja impossível você ter essa integração. É como cartão de crédito, onde você tem a bandeira daquela loja, mas o gestor do recurso é uma única empresa. Falta esse órgão, uma autoridade metropolitana de transporte", afirma o professor.
O diretor-executivo da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro afirma que a criação de um único sistema de serviços de diversos modais e com integração tarifária, como trem, metrô, barcas e ônibus, é prioridade.
No entanto, ele explica que os próprios municípios poderiam fazer ajustes operacionais que melhorariam a situação do transporte na Região Metropolitana. 
"É muito frágil a atuação dos órgãos municipais no sentido de contribuir para que essa integração se faça melhor. Houve investimento importante na melhoria dos trens. Mas é preciso que os municípios contribuam. E quando falo isso, não significa de custo necessariamente. Mas significa mais ajustes operacionais para que essas integrações intermodais possam acontecer no sistema de trens metropolitano", diz.
O diretor-executivo da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro, também admite que a integração física entre os transportes ainda é tímida. Ele acredita que é preciso um trabalho em conjunto para diminuir falhas e ampliar o sistema de transporte.
Na Região Metropolitana, os municípios de Cachoeira de Macacu e Tanguá são os únicos que ainda não possuem sistema de bilhetagem eletrônica.
CBN – Natália Furtado - 01/09/2016

Um comentário:

Pregopontocom Tudo disse...

Tai...pelo menos aqui em Salvador....batemos...batemos.....batemos....batemos e gradativamente vamos conseguindo a ampliação da integração física e tarifaria unificada.
Hoje estamos assim: os cartões do sistema de ônibus urbano e do sistema Metroviário podem ser utilizados nos dois sistemas(tanto um como outro)durante o período de integração,garantindo 3 viagens por período de duas horas com tarifa única,uma viagem de ônibus,uma de metrô e outra de ônibus,nessa ordem.A integração também pode ser feita com os ônibus metropolitanos e de cidades próximas(utilizando os dois cartões,ônibus e metrô)por 3 horas com tarifa única e duas viagens(existem nesse caso tarifas diferenciadas de acordo com o destino dos ônibus),metrô/ônibus(saindo da cidade) e ônibus/metrô (chegando na cidade).Mais ainda falta muito para ficar melhor,o duro é quebrar a resistência dos donos de ônibus.