quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Linha 6 do metrô de SP põe em xeque modelo 'solução' das obras públicas


Apontado nos últimos anos como a solução das obras públicas, que via de regra, atrasam e encarecem, o modelo de Parceria Público-Privada "subiu no telhado" em São Paulo com anúncio da suspensão da construção da Linha 6-Laranja do metrô, "a maior PPP do setor", pelo único consórcio que decidiu encarar a empreitada em 2013.

A principal vantagem de uma PPP é que o aporte de recurso privado reduz o gasto público em uma obra ou manutenção de um sistema, como o metroviário. No caso da Linha 6, porém, o conceito apresentou problema logo na largada. Após uma licitação deserta (sem interessados), o governo Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu bancar metade dos R$ 9,6 bilhões previstos nos 15,3 km e 15 estações da linha para atrair parceiros. Apareceu um grupo.

Menos de 1 ano e meio após o início da obra, porém, o consórcio formado pela Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC Participações e Fundo Eco Realty paralisou a construção porque não consegue obter financiamento de longo prazo do BNDES, ou seja, não tem dinheiro para bancar sua parte no negócio. E coube ao Estado, que já custeou R$ 1,6 bilhão da linha (mais da metade dos R$ 2,7 bilhões gastos até aqui), entrar no jogo para negociar uma saída junto ao banco para não ficar com mais um mico na mão.

Diante das informações limitadas divulgadas por todos os lados envolvidos, não é possível saber se a paralisação de uma obra de extrema importância para a cidade - a Linha 6 deve atender 600 mil passageiros por dia e atender grandes universidades, como Faap, PUC e Mackenzie - está relacionada apenas à crise econômica, ao ajuste fiscal ou à Lava Jato (as três empreiteiras estão implicadas no maior escândalo de corrupção do país).

O fato é que a obra da Linha 6 está suspensa e deve sofrer novo atraso - a promessa de conclusão em 2018 já havia sido adiada para 2021. E não será a primeira PPP a passar por isso. Ainda no metrô, a parceria com o setor privado para a construção do monotrilho da Linha 18-Bronze, que vai ligar a capital ao ABC paulista (São Bernardo), nem sequer foi iniciada mesmo mais de um ano após a assinatura do contrato com o governo Alckmin. Novamente, o problema é falta de recurso.

Na Habitação, a PPP para construção de moradias no centro da capital feita pelo Estado em parceria com a Prefeitura foi lançada em 2012 com previsão de entregar 20 mil unidades, mas até agora 3,6 mil moradias foram contratadas e ainda estão em construção. A PPP para construção de três hospitais estaduais (São Paulo, São José dos Campos e Sorocaba) foi lançada em 2013 e a primeira unidade começou a ser construída com prazo de dois anos e meio de entrega.

A exceção até o momento em São Paulo é a PPP São Lourenço, que esta construindo um novo sistema produtor de água na região do Vale do Ribeira para atender a Grande São Paulo. Embora também tenha sofrido atrasos antes do lançamento, a obra que vai proporcionar até 6,4 mil litros por segundo a mais para a região está em andamento e tem previsão de entrega em outubro do ano que vem.

Folha de São Paulo – Alex Falcão – 06/09/2016

Comentário do SINFERP

Só não contaram isso para o candidato engomadinho do PSDB à prefeitura da capital, que continua dizendo que vai solucionar o problema de transporte em Sampa com ajuda do setohttp://assets.pinterest.com/images/pidgets/pinit_fg_en_rect_red_28.pngr privado e do governo do Estado. Rsrsrsr

8 comentários:

Anônimo disse...

PPP só é viável com a participação como "atividade meio" do setor

privado, e somente . De resto é imbróglio em época eleitoral!

Anônimo disse...

1- No neoliberalismo tupiniquim, empresa privada quer tudo pronto para apenas operar e manter, construção, investimentos e modernização ficam sempre com o Estado, privatizam os lucros e socializam os prejuízos e o contribuinte paga várias vezes pelo mesmo serviço (paga na construção, no pagamento e garantia do lucro a concessionária e na tarifa propriamente dita).
2- Estão aproveitando da paranóia neoliberal que parte da classe média de São Paulo para enfiar goela abaixo do contribuinte concessões feitas nas "coxas" para favorecer parceiros e doadores de campanha eleitoral.
3- Doria Jr. é bizarro, produto de marketing do governador de São Paulo que de olho no dinheiro do Lide, do qual ele é líder, para a campanha de 2018.

Pregopontocom Tudo disse...

Uma PPP capenga mal projetada e mal executada não se sustenta,principalmente quando é concebida por um governo de competência dúbia e com um rastro de acusações de todo tipo ao longo dos anos referente as empresas ferroviárias que administra,isso por considerar apenas esse tema.O ideal é ter um transporte público (bem) administrado pelo estado voltado para o social e o interesse da população,mais isso envolve custos e fontes de financiamentos bem definidas e ajustadas.Mas....em se tratando de uma PPP,quando não existe recursos suficientes do estado para bancar a construção e operação desses sistemas,que são caros,quando bem feitas,bem planejadas,bem definidas entre os entes envolvidos (público e privado),bem executadas e com uma participação eficiente do estado no acompanhamento e na fiscalização das obras,funciona perfeitamente.Vejam o caso da linha 4 Amarela que o Gov. de SP quis empurrar o pepino (restante da construção da linha) pra a Via 4 que recusou,pois o seu contrato é exclusivo de operação e certamente não iria entrar numa aventura no meio do caminho.Esta certa?....claro que sim,em não pegar o bonde andando a toque de caixa e se comprometer assumindo riscos desnecessários e que não lhe cabem.A linha 04 Amarela pelo que se sabe é a linha mais eficiente,mais moderna e mais bem administrada de todo o sistema,(Apesar das criticas feitas a construção do contrato de concessão e "como se tem divulgado",supõe-se que recursos da operadora pública bancam subsídios de receitas tarifárias,criando assim dificuldades para a mesma).Ainda assim nota-se a grande diferença em contraposição a uma administração pífia e insossa das linhas administradas pelo Gov. de SP.Não que a empresa privada saiba fazer isso melhor que ninguém,(O sucesso de qualquer empresa pública ou privada depende da maneira como ela seja administrada,a competência não pode ser um valor rotulado),mais sim pelo fato do gov. não se esforçar para fazer igual ou melhor.As PPPs podem sim,ser uma solução "alternativa",principalmente em momentos de crise e escassez de recursos públicos,repito,com um planejamento sólido,bem projetada,bem executada,acompanhada e fiscalizada com rigor e eficiência (sem improvisos).Uma grande prova disso é (PPP) o Metrô de Salvador e só quem acompanha de perto e diariamente pode avaliar a rapidez a eficiência e a qualidade dessa grande obra.
Ressaltando porem que as PPPs sejam uma alternativa e não uma prioridade,a sua grande vantagem é que o grupo privado participante deve construí-lo e opera-lo dentro do prazo de concessão,ou seja,expl: num prazo de 30 anos de concessão o tempo da construção esta embutido dentro desse período (descontado o tempo de construção,ficara apenas o tempo restante para a operação),então quanto mais rápido tocar a obra maior será o tempo para o operador obter o retorno dos seus investimentos.Finalizando,a questão é: Quem não tem competência não se estabelece,ponto.

SINFERP disse...

Gente, não é parceria público-privada. É parceria dos agentes púbicos, com dinheiro público, com o setor privado. Se não tiver dinheiro público "na jogada", o setor privado não põe o dinheiro dele. Isso é parceira Caracu, na qual nunca entramos com a cara. É só ver o que há por ai...

Pregopontocom Tudo disse...

No caso de Salvador entraram o Gov. do estado,o Gov, Federal e a iniciativa privada com a maior parte dos investimentos que coube ao consorcio que constrói e opera o metrô

SINFERP disse...

Lembre-se de que aqui se fala em um monte de obras - algumas linhas de metro, de monotrilho, reforma de trens, etc.

Pregopontocom Tudo disse...

Bommmm....São Paulo parece que pisou no rabo da gato....ganhou 20 anos de atrasos e continua pagando a conta kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

SINFERP disse...

Esse é o detalhe: 20 anos assistindo o crescimento da cidade e da demanda, sem acompanhar, e agora não tem como resolver no curto prazo.