terça-feira, 23 de agosto de 2016

Campinas (SP) planeja o futuro com VLT e descarta metrô


Pesquisa vai identificar de onde vem e para onde vão os usuários de transporte em Campinas, que meios utilizam para a locomoção, como esse transporte impacta o tráfego, o reflexo que gera na velocidade do tráfego geral, a quantidade de pedestres andando em determinados trechos de ruas e a oferta de estacionamentos na área central. Será uma radiografia de como a cidade se movimenta e que servirá de subsídio para o Plano Viário de Campinas, que norteará os investimentos e as políticas de mobilidade até 2040. O metrô ainda não será necessário, mas o transporte sobre trilhos certamente terá que ser adotado nesse horizonte, disse o secretário de Transportes, Carlos José Barreiro.
O Plano Viário começou a ser elaborado em abril pela empresa TTC Engenharia de Tráfego de Transporte, contratada por R$ 1,8 milhão, que planejará modelos viários, em trânsito e transporte, que priorizem os veículos não motorizados e o transporte público de média e alta capacidade. O plano, segundo Barreiro, só estará pronto no próximo ano, para ser enviado à Câmara.
A pesquisa de origem e destino (OD), no entanto, com custo estimado de R$ 288 mil, será contratada em licitação que foi publicada nesta segunda-feira (22) no Diário Oficial e deverá ser concluída em 90 dias a partir da assinatura do contrato. Ela norteará a Administração na definição de quais os melhores modais de transporte para dar conta das necessidades da cidade. A última OD é de 2012, mas Barreiro afirmou que é necessário a atualização para indicar se o BRT atenderá as exigências ou se os novos corredores precisarão de novo modal, como o VLT, por exemplo.
Segundo Barreiro, Campinas precisará pensar em metrô quando o volume de usuários de transporte coletivo superar 70 mil passageiros por hora e por sentido. O BRT, quando implantado, não chegará a 40 mil usuários, na Avenida John Boyd Dunlop, o corredor mais movimentado, disse.
Mas a cidade vai precisar de transporte de média e alta capacidade diferenciado, e certamente será sobre trilhos. Poderá ser o monotrilho ou o VLT, cujo custo de implantação é mais barato que o metrô, especialmente por evitar desapropriações. “Vamos trabalhar em um plano que evite a qualquer custo as desapropriações, que são caras e dolorosas para a comunidade”, afirmou.
De acordo com a Administração, na avaliação dos custos apresentados para os diversos tipos de transporte sob trilhos, o VLT é o que financeiramente é mais viável. O custo do quilômetro de metrô sai por R$ 600 milhões, o do monotrilho R$ 300 milhões e o VLT R$ 78 milhões.
A cidade tem 120 quilômetros de leitos ferroviários dentro do município, com 654 metros quadrados de área útil para oficinas e manobras. Os leitos conectam o Centro aos principais bairros e aos principais municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Mas tudo isso é espaço vazio ou invadido. O único trecho ativo é o da Paulista, utilizado atualmente no transporte de cargas. O restante está ocupado, invadido, com construções em cima.
O especialista em mobilidade urbana da organização Cidades Integradas, Jeferson de Oliveira, avalia que, mesmo com o desmonte ocorrido na experiência do VLT, o sistema mostrou ser possível ter soluções mais baratas que a implantação de linhas subterrâneas de metrô. “Uma cidade com tantas áreas de leitos ferroviários desativados não pode deixar de utilizá-los”, afirmou. Para ele, Campinas deve começar a trabalhar em um sistema sobre trilhos e deixar metrô subterrâneo para um futuro mais distante.
Mobilidade sustentável dependerá de corredores
O Plano Viário de Trânsito e Transporte chegará à Câmara no próximo ano, mas a Administração trabalha para enviar, após a eleição, outro plano, o de Mobilidade Urbana Sustentável, que trará propostas de ordenamento do trânsito e transporte para os próximos dez anos. Além dos corredores Campo Grande e Ouro Verde, por onde circularão os BRTs, Campinas terá que implantar na próxima década mais nove corredores de transporte, segundo esse plano que vai prever também aluguéis de bicicleta e carros, ciclovias, parklets, VLT, BRT, e remodelação de vias para eliminar gargalos no trânsito.

Os novos corredores estão previstos nas avenidas Andrade Neves, Barão de Itapura, Barão Geraldo, Sousas, Lix da Cunha, Abolição, Amarais, Rodovia Santos Dumont e a Perimetral, que fará a ligação entre os corredores Campo Grande e Ouro Verde. O transporte sobre trilhos pode ser a solução. O plano de Campinas está sendo montado com assessoria do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), a mais importante instituição em sustentabilidade empresarial no mundo, que conta com quase 60 conselhos nacionais e regionais em 36 países e de 22 setores industriais, além de 200 empresas multinacionais que atuam em todos os continentes. A entidade está fornecendo consultores aos projetos.
Correio Popular – 22/08/2016

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