sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Associações avaliam propostas dos candidatos sobre mobilidade urbana em São Paulo


Organizações que reúnem ciclistas e pedestres organizaram plataforma de propostas para temas relacionados à mobilidade urbana e pretendem fiscalizar posicionamento dos candidatos.

Organizações que reúnem ciclistas e pedestres organizaram plataforma de propostas para temas relacionados à mobilidade urbana e pretendem fiscalizar posicionamento dos candidatos
Ampliação de ciclovias, aumento da segurança na travessia de pedestres e redução da velocidade estão entre os temas.
São Paulo – As associações Ciclocidade e Cidadeapé criaram uma plataforma sobre mobilidade urbana para avaliar as propostas sobre o tema dos candidatos à prefeitura de São Paulo. As entidades monitoram os posicionamentos dos postulantes ao cargo, analisando propostas e opiniões expressas nos programas de governo, sabatinas, entrevistas, horário eleitoral e debates. A cada semana eles são ranqueados, de acordo com o potencial de suas propostas para melhorar ou piorar as condições da cidade para quem anda e pedala.
As entidades decidiram fazer o monitoramento cotidiano, em vez de apresentar uma carta-compromisso, devido à facilidade dos candidatos em assumirem posturas contraditórias apenas  para angariar votos. Há, no entanto, um documento do tipo destinado aos candidatos a vereador da capital paulista.
“É muito fácil um candidato à prefeitura assinar uma carta-compromisso com a mobilidade ativa em um dia e no outro dizer que há 'indústria da multa' ou que 'ciclovias pioram o trânsito'. Queremos compromissos sérios e ambiciosos por parte dos candidatos e candidatas, e queremos constrangê-los quando falarem essas 'abobrinhas', que derrubam nossos esforços de qualificar o debate”, explicou Ana Carolina Nunes, da Cidadeapé.
Mesmo assim, não faltam temas para propor aos candidatos. Na página criada para divulgar as informações da plataforma estão listados vários tópicos, por ordem de importância, divididos em quatro temas: mobilidade por bicicleta, a pé, por ônibus e segurança viária e acalmamento de tráfego. Os tópicos foram escolhidos por meio de uma consulta pública realizada pelas organizações.
Uma das principais temáticas diz respeito à redução da velocidade implementada pela gestão do prefeito e candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), que estabeleceu o máximo de 50 km/h como padrão em quase toda a capital paulista. As associações vão além: querem velocidade máxima de 40 km/h em regiões de grande concentração de pessoas ou comércio, com reforço na fiscalização e intervenções urbanísticas para reduzir a velocidade.
Em relação aos ciclistas, os temas mais relevantes são a adequação de acessos e travessias em pontes e viadutos, além de estabelecer ciclovias em, pelo menos, 10% delas; priorização de ligações cicloviárias entre centro e áreas periféricas, além de entre bairros; instalar bicicletários próximos às estações de metrô e em todos os terminais de ônibus; utilização de bicicletas compartilhadas com créditos do Bilhete Único.
Quanto aos pedestres, os principais temas são a ampliação da largura das calçadas em regiões com grande fluxo de pessoas andando a pé; construção ou requalificação das calçadas de 350 quilômetros de vias por ano; ampliação do tempo de travessia nos semáforos para pedestre, garantia de acessibilidade segura, eficiente e confortável aos terminais, paradas, estações e pontos de ônibus; fortalecer o programa Rua Aberta em toda a cidade, proporcionando estrutura mínima de lazer e cultura.
Ranking
As associações se reuniram com as campanhas de Haddad, Marta Suplicy (PMDB), João Doria (PSDB) e com o candidato Ricardo Young (Rede). A campanha de Celso Russomanno (PRB) não respondeu ao contato e a de Luiza Erundina (Psol) manifestou interesse na proposta, mas não apresentou uma data para se reunir com as organizações.
Avaliando na perspectiva da mobilidade urbana, as sabatinas, entrevistas e programas de governo, as associações ranquearam os candidatos, tendo o petista Haddad o melhor desempenho até o momento. Entre os destaques, ele defendeu a manutenção e a ampliação das políticas para a mobilidade de seu governo, como a criação de 400 quilômetros de rede cicloviária, a redução dos limites de velocidades nas principais vias da cidade, as faixas exclusivas de ônibus, entre outras medidas.
Em seguida está Erundina, que já defendeu a priorização do transporte coletivo, com a manutenção das faixas exclusivas de ônibus, e promoção das ciclovias. Ela também afirmou que manterá a redução de velocidade e que pretende ampliar o acesso aos ônibus a partir da redução de custos dos usuários e de um maior controle sobre as operadoras de transporte coletivo.
Ricardo Young está em terceiro no ranking. Ele defendeu as ciclovias na cidade, considerando que a melhoria da infraestrutura é fundamental para incentivar o uso das bicicletas. Ele também apoiou a manutenção da redução de velocidade, aumentar a segurança viária e melhorar o fluxo de veículos.
Marta ficou evidenciada por propostas consideradas negativas pelas associações. Dentre elas, implementar guarda-corpos e fiscalização para bloquear caminhos e travessias de pessoas próximo a vias, reduzir a quantidade de radares na cidade e revisar as ciclovias que não tiverem “aceitação local”. Apesar disso, a candidata propôs a instalação de bicicletários e transportou alguns dos temas da plataforma para seu programa de governo.
João Doria aparece em último na lista. Desde antes da campanha, ele vem afirmando que vai reverter a redução de velocidade de todas as vias da cidade, sobretudo nas marginais. Também sugeriu privatizar as ciclovias de São Paulo e disse várias vezes que ciclovias e ônibus incomodam o comércio.
RBA – Rodrigo Gomes - 25/08/2016
Comentário do SINFERP
Candidatos e partidos reacionários começarão a "desconfiar" que parcelas da população estão se organizando na defesa de temas, e não apenas empresários.  Quanto ao último da lista, semana que vem e estará defendendo a manutenção de velocidade nas marginais, não mais falará em privatizar ciclovias, esquecerá que elas e  ônibus incomodam o comércio, da mesma forma que não fala mais das novas 15 linhas do metrô municipal que "inventou".

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