domingo, 10 de julho de 2016

Primeira maria-fumaça partia de Sorocaba (SP) há 141 anos

Neste 141º aniversário da ligação ferroviária entre Sorocaba e São Paulo -- a primeira maria-fumaça da antiga Sorocabana correu entre as duas estações em 10 de julho de 1875 --, talvez a ausência mais sentida seja a do trem de passageiros. Por mais de um século foi possível embarcar na estação ferroviária e escolher destinos como Botucatu, Assis, Avaré, Presidente Prudente e até mesmo a praia (Santos, Mongaguá e outras cidades do litoral). Hoje os trilhos só transportam cargas -- e quem nasceu depois de 2001, quando a última linha de passageiros foi suspensa dentro do processo de desestatização do setor, nunca teve o prazer de ver as paisagens da sua cidade passarem pela janela de um trem. 

Falar com o pequeno Henrique, de cinco anos, sobre a impossibilidade de viajar nos trens que ele vê na região central de Sorocaba, é algo corriqueiro para os pais Marcos Brisola e Gisele Unterkircher Ribeiro. Tal como o avô, ex-funcionário da EFS, o garoto é apaixonado pelo universo das ferrovias e faz da antiga estação, embora abandonada, um local de visitação frequente. A mãe conta que a ligação com o assunto começa antes mesmo do seu nascimento. "Quando descobri que estava grávida, sonhei com um garoto, da idade dele, viajando comigo dentro de um carro de passageiros. Ali tive a certeza de estar esperando um menino", relembra a ex-passageira dos trens da Fepasa. "Na juventude eu ia muito para Cerquilho, participei de diversas excursões e viagens. As pessoas se divertiam e faziam daquilo um momento de união. E tudo acabou", relembra, com tristeza. 

Os pais do garoto estão programando levá-lo à Campinas, onde funciona uma ferrovia turística de 48 quilômetros, para a realização de seu sonho. "A nossa região é bonita, tem infraestrutura ferroviária e não oferece a opção do turismo. Não faz sentido", lamenta Marcos, que até agora só conseguiu realizar uma viagem sobre trilhos: no Expresso Turístico da CPTM, entre a Estação da Luz, em São Paulo, e a vila de Paranapiacaba.

Quarta geração

Aos oito anos, Ana Elisa Gimenez Medina já demonstra que mais uma geração da família vai se interessar pela ferrovia: bisneta de um caldeireiro das oficinas da Sorocabana, seu brinquedo preferido é a miniatura de um Trem de Alta Velocidade -- ou "trem-bala". Foi na ferrovia Campinas-Jaguariúna que ela fez o seu primeiro passeio, pois nasceu sete anos depois do Bandeirante Apiaí, última linha regular a funcionar na região de Sorocaba, partir pela última vez.

Seu padrasto, Abílio Medeiros, enxerga a atual utilização dos trilhos como um desperdício. Especialmente os da antiga Estrada de Ferro Elétrica Votorantim (EFEV), que passam a poucos metros da sua casa e não veem trens desde 2011. "Essa linha conta a história dos bairros da Vila Hortência, da Vila Assis, da Parada do Alto e de todo um município, que é Votorantim. Isso sem mencionarmos o potencial de visitação da cachoeira e da represa da Chave", enumera. 


Cruzeiro do Sul – 10/07/2016

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