quinta-feira, 14 de julho de 2016

Ministério Público denuncia nove por compra de trens na gestão Alckmin

O Ministério Público de São Paulo denunciou nove dirigentes e ex-dirigentes do Metrô na gestão Geraldo Alckmin (PSDB) sob a suspeita de improbidade administrativa pela compra de 26 trens que nunca foram utilizados devido ao atraso nas obras de prolongamento da linha 5-lilás.

Entre os denunciados estão Jurandir Fernandes, secretário de Transportes Metropolitanos na época da compra, e Clodoaldo Pelissioni, atual titular da pasta e diretor do Metrô em 2015.

A Promotoria pede a devolução dos R$ 615 milhões usados na compra das composições, além de mais 30% de multa por danos morais, totalizando R$ 800 milhões.

As 26 composições, com seis vagões cada uma, foram adquiridas em 2011 por R$ 615 milhões e seriam utilizadas na expansão da linha 5-lilás (da estação Adolfo Pinheiro até a Chácara Klabin), que ainda não se concretizou.

Parte dos trens foi entregue em outubro de 2013 e, segundo a Promotoria, está parada desde então em pátios do metrô no Jabaquara, Capão Redondo e Guido Caloi, na zona sul da capital paulista. Outros dez estão em depósito da fabricante, a CAF, em Hortolândia, interior de São Paulo.

O promotor Marcelo Milani afirma que as composições estão perdendo a garantia e vão precisar passar por manutenções quando entrarem em operação –a previsão é que a expansão dessa linha do metrô seja concluída apenas em 2018, cinco anos após a entrega dos novos trens.

"Essas garantias estão vencendo. Esses trens, para entrar em funcionamento, quando terminar a obra, seguramente vão necessitar de nova manutenção para poder entrar em funcionamento", diz.

"Toda a eletrônica do trem estará perdida. Se você for numa loja e comprar um computador hoje, ele será diferente daqui a um ano e será muito diferente daqui a dois anos", compara Milani.

Além do ex e do atual secretário, foram denunciados Paulo Menezes Figueiredo, atual presidente do Metrô, e os ex-presidentes da companhia Sérgio Henrique Passos Avalleda, Jorge Fagali, Peter Berkely Bardram Walker e Luiz Antônio Carvalho Pacheco.

Foram incluídos ainda Laércio Mauro Santoro Biazotti (ex-diretor de planejamento e expansão) e David Turbuk (ex-gerente de concepção e projetos de sistemas).

'ABANDONO'

O promotor Marcelo Milani, em sua denúncia, afirma que os trens estão "no mais completo abandono, inclusive sendo vandalizados".

Segundo ele, a investigação foi iniciada a partir da denúncia contra um "funcionário graduado do metrô". O Ministério Público, afirma ele, apura também irregularidades em outras linhas.

Além dos trens ociosos, a Promotoria afirma que eles possuem sistema operacional eletrônico, diferente do analógico usado atualmente na linha 5 –e que isso necessitaria de adaptação.

Além disso, possuem bitolas (largura entre os trilhos) diferente não só da linha 5, como de todas as outras linhas em operação do metrô, impedindo seu outros sistemas, afirma Milani. "A escolha [pelas bitolas] revela total desprezo pela coisa pública", escreve ele na denúncia.

OUTRO LADO

O Metrô diz que os trens adquiridos "estão sendo entregues e passam por testes, verificações e protocolos de desempenho e de segurança", e que oito veículos "já estão aptos a operar a partir de setembro no trecho de 9,3 km entre as estações Capão Redondo e Adolfo Pinheiro".

Além disso, a empresa ainda afirma que toda a linha-5, "da primeira à última estação", terá a mesma bitola, e que não haverá gastos extras com a manutenção dos novos trens.

O órgão diz que "não arca com nenhum custo de aluguel para estacionamento" dos veículos e que o prazo de garantia "só começará a valer após o início de operação de cada composição, conforme previsto em contrato". O promotor, porém, nega o argumento e diz que a garantia começou a valer a partir da entrega dos veículos.

"A expansão da Linha 5 é um empreendimento que incluiu os projetos, as obras civis e a implantação de sistemas, a implantação de um moderno sistema de sinalização em todo o trecho e a aquisição de novos trens para transporte da nova demanda de usuários", diz a empresa, e afirma que as ações "foram executadas dentro de um detalhado cronograma".

Por fim, o metrô afirma que as informações "já foram encaminhadas reiteradas vezes ao Ministério Público de São Paulo, que as desconsiderou para a abertura do inquérito."

Folha não conseguiu contato com os outros denunciados.


Folha de São Paulo – Thiago Amâncio e Rodrigo Russo - 14/06/2016

5 comentários:

Luiz Carlos Leoni disse...

Questão interessante é esta, pelo que eu saiba, a bitola da Linha 5- Lilás é de 1,435mm igual a da linha 4- Amarela, que é igual aquela que ficou parada mais de dez anos do metrô de Salvador-BA.

Não acredito que a bitola daqueles trens seja de dimensão diferente desta.

Isto significa que a Linha 5- Lilás não poderá interpenetrar em "Y" na projetada estação Chácara Klabin na Linha 2-Verde de 1,6m, tendo que se fazer transbordo obrigatório.

Se fazer linhas do metrô em bitolas e concepções diferentes, demonstra um despreparo dos governantes, e significa que não se aprendeu nada com os erros do passado!!!

Thiago nunes viana disse...

O pior de tudo é o Metro alegar que comprou trem com bitola "estreita" pq são mais baratos... ou pq comprou trem "de prateleira"... ai ai... cada desculpa..
ai vem o ministério publico dando uma de que ta fazendo alguma coisa: tivesse reclamado da bitola quando a linha começou a ser construida na gestão covas.... E ainda tem a questão do sistema de controle: ja vi reportagem dizendo que o sistema dos trens é obsoleto, quando na vdd é que os trens foram comprados só com o sistema cbtc, ja que todo o sistema da linha 5 ia ser trocado... mas ate hj a bambardier não conseguiu botar o cbtc dela pra funcionar a pleno (ja faz testes... mas esse "já" ja ta caduco...)
Enfim a expansão da rede de trilhos em sp esta "cagando e andando".

SINFERP disse...

Deve, sim, ter um ou outro erro nisso tudo.

Anônimo disse...

a linha 5 foi construida pela CPTM. é a antiga linha G. alias, essa linha foi projetada na epoca da FEPASA no projeto conhecido como dinamizaçao sul, que seriam as novas estaçoes da linha 9 + a linha do capao redondo. a linha do capao redondo virou linha 5 e foi a adminitraçao do metro, onde resolveram prolongar até a ch. klabin. o projeto inicial era só até o largo 13.

com relaçao a bitola, esta é a universal. nao é problema nenhum nisso, pois é até melhor para comprar materiais ferrovarios pois os fabricantes nao teriam que cirar um modelo especial para atneder a demanda de uma bitola 1,6m. o problema real da linha 5 é a demora na entrega tanto da conclusao da linha, quanto do sistema CBTC. alias, era para ter ocorrido mesmo com os trens serie 8000 se naotivessem pego "emprestado" o ATC do 7000.

Luiz Carlos Leoni disse...

1ª A bitola larga permite que se utilize a largura máxima padronizada para vagão de passageiros conforme gabarito, é de 3,15 m (padrão no Brasil), sendo que a Supervia-RJ esta tendo que cortar parte das plataformas para se adaptar as larguras dos novos trens, enquanto a CPTM-SP que já á possui para este valor, quer prolongar em ~ 10 cm, pois as composições recebidas como doação da Espanha além de outras que não as Budd ter que trafegar com plataformas laterais no piso em frente as portas de ambos os lados, pois são mais estreitas, criando um vão entre trem e plataforma em ambos os lados.

2ª Padronizar gabarito de composições assim como forma de alimentação elétrica se terceiro trilho ou pantógrafo catenária é tão importante quanto a bitola, isto faz com que se tenha a flexibilidade das composições trafegar em qualquer local do país, sem que sejam feitas adaptações.

3ª Para visualizar e comprovar através de uma planilha de comparativo de custos de materiais ferroviários de que a diferença de valores entre as bitolas de 1,435m e 1,6m é mínima, veja: http://www.marcusquintella.com.br, entre outras, e esta tem uma explicação lógica, pois o que muda é somente o truque (bogie), pois o módulo do vagão, gabarito e os demais equipamentos são exatamente os mesmos.

4ª São seguintes as dimensões de áreas úteis para vagões cargueiros, métrica: 2,2 x 14,0m, larga 3 x 25m, Significando que com a larga, é possível carregar até dois contêineres, ou dois caminhões ou vários automóveis em duas plataformas (cegonheiras) como já existiu no passado pela “Transauto”.

5ª Assim como acontece em outros segmentos industriais, a padronização e uniformização de materiais ferroviários, constitui-se num fator gerencial importantíssimo com relação a logística, racionalização e minimização de estoques e custos com sobressalentes, máquinas auxiliares e composições reservas.

6ª Os trens da Linha-5 Lilás de bitola 1,435m não podem trafegar nas Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha 1,60m.

7ª Não conheço lugar nenhum do mundo que se faça bloqueio de interpenetração de composições e futuras expansões em anel.