quinta-feira, 30 de junho de 2016

VLT no Rio: sem barulho, sem poluição e com muito charme

A primeira linha vai ligar o Aeroporto Santos Dumont à rodoviária, desafogando o trânsito, reduzindo o tempo de viagem e deixando a cidade ainda mais bonita.
Quem circula pelo centro do Rio de Janeiro começa a se acostumar com um novo elemento na paisagem: o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), um bonde semelhante aos das capitais europeias, como Londres e Amsterdã. O veículo está em fase de testes, e o som de um sino, que anuncia sua passagem, faz com que muitos saquem seus celulares e comecem a fotografar e filmar a novidade. Quando para, os técnicos que acompanham os testes são cercados por pessoas perguntando se podem dar uma voltinha. A inauguração da primeira linha do VLT, que ligará o Aeroporto Santos Dumont à Rodoviária Novo Rio, está prevista para o dia 5 de junho. ÉPOCA participou de um dos testes do novos bondes. Dos modernos vagões do VLT carioca, a vista é deslumbrante. E, como o veículo anda em velocidade moderada – nas áreas com maior fluxo de pedestres, no máximo 30 quilômetros por hora –, permite que se apreciem as atrações ao redor. É um passeio imperdível para os visitantes.
Os vagões têm amplas janelas envidraçadas e ar-condicionado forte – uma bênção, quando se trata de Rio de Janeiro. Cada um dos 13 trens que entrarão em operação tem capacidade para 420 pessoas. São poucos assentos, mas os corredores são largos e as estações foram construídas de forma a facilitar o acesso de cadeirantes. O VLT percorre os trilhos com um balanço suave e é silencioso – salvo quando seu condutor precisa acionar o sino ou, em casos mais extremos, a forte buzina para alertar pedestres distraídos ou motoristas relapsos que teimam em avançar sinais nos cruzamentos. Esse tipo de veículo, silencioso e não poluente, é uma solução urbana cada vez mais utilizada em grandes centros. O VLT carioca é o primeiro a entrar em funcionamento no país. A previsão é que até o final do ano uma segunda linha entre em operação, ligando a Central do Brasil à Praça XV. “Fico muito orgulhoso por ser um dos primeiros condutores do VLT”, diz Paulo Roberto Ribeiro. Ele e outros 27 condutores fizeram um treinamento intenso para dirigir o veículo, que incluiu um mês na França, onde os bondes foram fabricados.
A primeira atração do trajeto é a Cinelândia, praça tradicional no centro do Rio. Seu nome oficial é Praça Floriano, mas ganhou o apelido que a tornou conhecida nos anos 1930, quando concentrava grande quantidade de cinemas, casas de espetáculos, bares e boates – hoje há apenas um cinema em funcionamento, o Odeon. A praça é cercada por uma série de construções históricas, em variados estilos arquitetônicos. Ali estão a neoclássica Biblioteca Nacional e o Theatro Municipal, o Museu Nacional de Belas-Artes, a Câmara Municipal e o Centro Cultural da Justiça Federal, exemplos do estilo eclético. Também é o grande palco de manifestações políticas da cidade.
Mais à frente, no cruzamento entre as avenidas Rio Branco e Presidente Vargas avista-se a Candelária. O bonde passa nos fundos da igreja. Vale a pena descer e caminhar um pouco até a frente da construção. A área foi remodelada e de uma nova praça se avistam a Baía de Guanabara e a Ilha das Cobras, onde fica o Espaço Cultural da Marinha. Seguindo o trajeto, no final da Avenida Rio Branco o VLT faz uma curva e, de suas amplas janelas envidraçadas, o passageiro avista a Praça Mauá remodelada, com os museus do Amanhã – um arrojado projeto arquitetônico do espanhol Santiago Calatrava – e de Arte do Rio de Janeiro. 
A Praça Mauá agora abriga constantemente uma área de alimentação com food trucks e é a rota de passagem para a nova Avenida Rodrigues Alves, que emergiu de longas décadas de degradação como um bulevar arborizado, percorrido lentamente pelo VLT. Foram plantadas 460 árvores em 51 canteiros espalhados pela via. Os antigos armazéns do porto, que preenchem toda a sua extensão, também foram reformados e, durante os Jogos Olímpicos, serão palco de atrações diversas. A região, antes uma área inóspita coberta pelo Elevado da Perimetral, agora lembra o High Line, o parque nova-iorquino construído sobre viadutos abandonados da rede ferroviária. No Rio, o bulevar não é elevado, mas a visão dos armazéns da região portuária lembra o que foi feito em Nova York.
Ali será uma espécie de epicentro cultural dos Jogos. As atrações incluem exposições de arte, música, eventos esportivos e mostras culturais de países estrangeiros que montaram suas representações em alguns centros do circuito. A área dos armazéns, que está sendo chamada de Bulevar Olímpico, concentra algumas dessas atividades. No Armazém da Utopia funcionará, entre os dias 12 e 21 de agosto, a NBA House, um espaço temático montado pela liga de basquete americana. Numa área de 3.000 metros quadrados, com capacidade para receber 1.500 pessoas simultaneamente, estarão presentes algumas lendas do esporte em sessões de autógrafo e estão programadas videoconferências, apresentações de dança e música, além da exibição de aspectos da tecnologia esportiva utilizada pelos times americanos de basquete.
Andar no VLT vai custar R$ 3,80. As passagens serão vendidas nas estações, mas, para aproveitar mais e evitar filas, o ideal é comprar o bilhete único, recarregável, que permite várias viagens (informações em www.cartaoriocard.com.br). Ao entrar em um dos vagões, o passageiro valida seu bilhete em uma das máquinas disponíveis. Como não há cobrança no interior do VLT, em tese seria possível viajar sem pagar. Mas fiscais podem entrar nos vagões para verificar quem validou ou não seus bilhetes. A multa para os “espertos” é de R$ 170, com acréscimo de 50% no valor em caso de reincidência. E quem deixar de pagar a multa será inscrito na Dívida Ativa do município.

Época – Cristina Grillo – 24/06/2016

Nenhum comentário: