segunda-feira, 27 de junho de 2016

Vandalismo em trens e estações da Trensurb (RS) já custou mais de R$ 360 mil aos cofres públicos em três anos


Bondes com grupos de até 30 indivíduos praticam 43% das ações de vandalismo que ocorrem em trens e estações
O quebra-quebra promovido por bondes nos trens da Trensurb tem causado medo em usuários e funcionários e aumentado, ano a ano, os gastos para reparar o que é danificado. A ação de grupos que chegam a ter 30 pessoas engorda uma conta que é bancada pelos cofres públicos, já que a Trensurb é uma sociedade de economia mista que tem como acionistas o governo federal, o Estado e o município de Porto Alegre.

Só neste ano, a empresa já gastou R$ 48,9 mil para fazer reparos do que é danificado nos trens e nas estações, tanto por ações individuais quanto em grupos.

A última ação protagonizada por bondes ocorreu no dia 11 de junho, em um trem que saiu às 5h20min do Mercado. No trajeto até Canoas, janelas, vidros e a porta automática foram danificados. Os vândalos – já identificados – também descarregaram um extintor de incêndio dentro do trem. 

No passado sábado, a Trensurb realizou uma operação especial, buscando surpreender ações como esta, entre 5h e 6h. Dos 200 jovens revistados na Estação Anchieta (todos haviam embarcado no Mercado), eram aproximadamente cem homens e cem mulheres. Uma delas foi detida por tráfico de drogas. A operação reuniu a equipe de segurança da empresa, Brigada Militar e Polícia de Operação Especial. 

Ao longo de 2015, a cifra do vandalismo chegou a R$ 128,1 mil, com gastos que envolvem danos à estrutura, ao patrimônio, custo de energia, viagens perdidas, furto de cabos, pichações e depredação de extintores. De 2013 até agora, são R$ 362 mil para consertar o estrago dos baderneiros.

Assessor da Diretoria de Operações, Carlos Augusto Belolli de Almeida diz que, com o montante anual para recuperar os trens, seria possível pintar parte das estações e diminuir o período de manutenção de outras estruturas. As pichações têm os números mais expressivos. Em três anos e meio, foram 163 ocorrências em trens e 74 em estações.

Extintores são os equipamentos mais depredados
Carlos destaca que, sempre que um veículo é pichado, ele é retirado de operação para evitar que aquela ação instigue outras pessoas a repeti-la como forma de demarcar território.

Dentro dos trens, os extintores são alvos favoritos dos vândalos. De 2013 até agora, foram 71 equipamentos violados dentro dos vagões. Nas estações, 47. A reposição de cada extintor custa R$ 80.– Eles pegam o extintor e começam a acioná-lo em cima do usuário – conta um segurança que trabalha em estação de trem e prefere não se identificar.

"Eles tomam conta dos trens", diz funcionário da Trensurb

Quatro em cada dez ações de vandalismo que ocorreram neste ano foram feitas por bondes. Das 71 ocorrências registradas do início deste ano até 16 de junho, os grupos agiram em 31. Dados da Trensurb levantados a pedido do Diário Gaúcho mostram que este número está crescendo. Em 2014, as depredações coletivas representavam 18% das ocorrências.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários e Conexas do Estado do Rio Grande do Sul (SindiMetrô), Luis Henrique Chagas, afirma que as ações ocorrem praticamente todas as semanas e que os funcionários, estando eles no trem ou na estação, ficam impotentes frente à ação dos baderneiros:

— Na primeira e segunda viagens de sábado e domingo, é praticamente certo. Estragam bancos, estouram extintor e o funcionário não tem o que fazer. 

Um segurança que não quer se identificar conta que os bondes pulam a catraca, intimidam pessoas e funcionários e que, sozinho, não há como barrá-los.

— Eles sabem que não têm efetivo de segurança. Quebram vidros, chutam as divisórias dos trens, fazem miséria. Eles tomam conta dos trens. Só pegando o trem para ver. 

A atuação dos bondes ocorrem sempre no começo da manhã, das 5h às 6h30mmin, e no final da noite, das 23h às 23h20min, no trajeto de volta e ida para festas no Centro da Capital. Pela manhã, os bondes ingressam na estação Mercado e descem, normalmente, nas estações Fátima, Canoas ou Esteio.

A Trensurb alega que não tem recursos para reforçar as equipes de segurança e que tem as mesmas limitações para contratar pessoal que o Estado tem para reforçar o efetivo policial:

— Realizamos ações específicas com a Brigada Militar e o Ministério Público, porém, não tem como fazer estas ações todos os dias — argumenta Carlos.

BM diz que faz ações de inteligência

O comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Regis Rocha Rosa, afirma que desde o ano passado a BM tem feito ações de inteligência para identificar integrantes destes bondes. Os grupos, que têm de dez a 30 homens, ingressam na estação Mercado e as ações de abordagem costumam ocorrer nas estações São Pedro e Anchieta.

— Eles vão fazendo desordem, importunando os passageiros. No momento em que fazemos a abordagem, eles são convidados a sair do trem para serem revistados, com isso tentamos importunar o mínimo possível os passageiros. 

As ações são feitas pelo 11° BPM, responsável pela Zona Norte, em parceria com o 9° BPM, com abrangência no Centro da Capital. O tenente-coronel confirma que os grupos saem dos inferninhos no Centro no final da madrugada e vão em direção a Canoas.


Diário Gaúcho – 27/06/2016

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