domingo, 19 de junho de 2016

Trens do Subúrbio de Salvador (BA) deverão ser substituídos nos próximos 3 anos

Na Estação da Calçada apenas dois trens, de cinco que existiam, continuam em operação, transportando 15 mil passageiros por dia, em viagens que chegam a demorar 40 minutos para fazer o percurso de 13 quilômetros, entre a Calçada e o bairro de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador.
O edital de licitação encontra-se em fase final de conclusão e deve sai em julho.
Com mais de 40 anos de uso, os trens do subúrbio já não têm condições de continuar operando e deverão ser substituídos nos próximos três anos, com a entrada em operação do VLT (Veículos Leves sobre Trilhos).
Conforme explicou a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur), em nota emitida no final da manhã de ontem, o edital de licitação do VLT encontra-se em fase final de conclusão e deve ser lançado até o próximo mês, com previsão de início das obras em até 90 dias após a assinatura. O prazo da obra é de 36 meses. A obra deve ser feita em regime de parceria com a iniciativa privada (PPP) e tem custos estimados, conforme o projeto inicial, em aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
A Sedur diz ainda que o VLT, que vai substituir os atuais trens do Subúrbio, fará um percurso de 18,5 quilômetros de extensão, contra os atuais 13 quilômetros feitos pelos trens, e nesse trajeto o sistema terá 21 estações, entre a localidade de São Luís, no final do Subúrbio Ferroviário de Salvador, até o Comércio, na Cidade Baixa. O atual sistema de trens só opera nos 13 quilômetros entre Paripe e Calçada em 10 estações.
Ainda segundo a nota da Sedur, o processo de licitação para o VLT será feito prevendo a obra em duas etapas. A primeira etapa, entre o Comércio e o bairro de Plataforma, terá 9,4 quilômetros de extensão. A segunda etapa, entre Plataforma e a localidade de São Luiz, terá nove quilômetros de trajeto. Os investimentos totais da obra, em decorrência das alterações no projeto -  expansão do VLT até a Lapa ou Retiro para integrar com o metrô -  ainda não foram finalizados pelos técnicos da Sedur).

Otimismo

O diretor-presidente da Companhia de  Transportes do Estado da Bahia (CTB), empresa ligada à Secretaria do Desenvolvimento Urbano, Eduardo Copello, disse que pelo menos oito empresas nacionais e estrangeiras já manifestaram interesses concretos em participar do processo de licitação. Entre estas, uma da China, do Reino Unido e da França.  “Trata-se de um projeto de amplo alcance social, de mobilidade urbana e de natureza urbana que atrai investidores”, disse.
Segundo explicou Copello, a princípio, o projeto do VLT já tinha assegurados recursos de R$ 552 milhões do Governo Federal, mas com o agravamento da crise econômica e a necessidade de realizarem modificações no projeto, interligando-o com o metrô, novos estudos feitos tiveram que ser feitos a partir do final do ano passado. Com isso, falta definir agora quais os percentuais de participação do Governo do Estado e da iniciativa privada.
O diretor-presidente da CBT disse que com a introdução de opções de interligações com o metrô, a partir do Comércio, com a construção de um túnel que ligaria a região à Estação da Lapa, ou com uma via exclusiva para interligar o VLT com a Estação do Retiro, os interesses empresariais aumentaram. “Por isso é que além dos oito grupos anteriores, novos grupos também estão manifestando interesses em participar da licitação”, disse.
Atualmente, a malha ferroviária que liga Paripe à Calçada é de 13,6 quilômetros. Com o VLT, serão acrescentados 4,9 quilômetros, ligando São Tomé de Paripe ao Terminal da França, no Comércio. As atuais 10 estações serão desativadas e reaproveitadas para prestação de outros serviços à comunidade, como postos da Polícia Militar e centros de atendimento. Já os atuais trens não serão utilizados no novo sistema ferroviário por causa das diferenças entre os modais.
Segundo a Sedur, o sistema VLT vai beneficiar mais de 1,5 milhão de moradores do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Conforme o projeto, os usuários do VLT terão acesso às linhas 1 e 2 do metrô e aos roteiros do BRT (Transporte Rápido por Ônibus) metropolitano, ainda em fase de projeto por parte da Prefeitura, mediante as novas vias de interligação ainda em construção.

Malha ferroviária está ultrapassada
Uma viagem de pouco mais de 13 quilômetros feita em 40 minutos, em equipamentos velhos, sem qualquer tipo de conforto e sujeitos a quebras ao longo do trajeto. No percurso entre a Calçada e Paripe, início e fim da operação dos trens suburbanos, o que se vê são estações depredadas e uma ocupação habitacional desordenada ao longo da ferrovia, onde o mato e o lixo colocam em risco a própria operação dos trens.
Em operação desde 1860, quando ainda fazia parte da antiga Bahia and San Francisco Railway Company , posteriormente Viação Férrea Federal Leste Brasileiro,a malha ferroviária do Subúrbio Ferroviário de Salvador opera com os mesmos trens da década de 70 do século passado, com 46 anos de operação. Atualmente o sistema opera com dois trens. Três outras composições permanecem paradas na Estação da Calçada por problemas operacionais.
Das 10 estações, a mais conservada é a de Periperi, onde até o final dos anos 80 do século passado, ainda mantinha uma oficina mecânica, que encontra-se desativada e com os prédios semi destruídos pelo tempo. O mesmo acontece com os pátios  de vagões e manutenção da Calçada, a maioria destruídos e onde ainda pode-se ver alguns vagões abandonados e material rodante tomado pelo mato.

Vandalismo

O diretor-presidente da CBT, Eduardo Copello diz que  existe uma empresa contratada exclusivamente para manutenção e conservação da via permanente, responsável por eventuais reparos nos trilhos, e outra para fazer a limpeza e manutenção das estações, banheiros, lavagem dos trens.  “Infelizmente, existem casos de depredação e vandalismo que danificam as estruturas”, disse.
 Os trens do subúrbio transportam diariamente 15 mil pessoas. O horário de funcionamento é de segunda a sábado das seis horas às 19h30, com intervalos entre 40 a 45 minutos. O preço da passagem é de R$0,50. São 10 paradas: Calçada, Santa Luzia, Lobato, Plataforma, Itacaranha, Escada, Praia Grande, Periperi, Coutos e Paripe, num percurso de 13,6 quilômetros.

Pesquisa mostra pouco uso de trens 
Uma pesquisa realizada no ano passado pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), instituição formada pelos operadores metroferroviários urbanos de passageiros no Brasil,  revelou que no ano passado, o volume de passageiros transportados nos sistemas sobre trilhos  (trens e metrô) cresceu apenas 1,7% , totalizando 2,92 bilhões de passageiros, contra 2,87 bilhões de usuários atendidos em 2014.
A ANPTrilhos, que tem como associadas as empresas operadoras dos metrôs e trens  de São Paulo, Rio de Janeiro, Metrô de Salvador, Distrito Federal, Metrô de |Fortaleza e a Associação Nacional da Indústria Ferroviária (ABIFER), diz que mesmo com os diversos projetos em andamento, a ampliação da rede brasileira de transporte de passageiros sobre trilhos permanece em ritmo lento. Em 2015, os sistemas em operação foram ampliados em apenas 10quilômetros, totalizando no país apenas 1.012 quilômetros de trilhos urbanos, com crescimento próximo a 1%.

Estados

Somente em 11 dos 27 estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal,  existem sistemas de transportes de passageiros sobre trilhos. Ainda segundo a pesquisa da ANPTrilhos,  em 2015, o Brasil passou a contar com 20 sistemas de transporte urbano de passageiros sobre trilhos, administrados por 13 operadores, sendo cinco privados.
Os sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos brasileiros estão restritos a apenas 12 regiões metropolitanas situadas em 11 Estados e no Distrito Federal, respondendo por um percentual de viagens muito baixo, com exceção dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, que assumem uma maior participação na matriz modal. O transporte de passageiros sobre trilhos está em operação em menos de 48% dos Estados brasileiros. Atualmente, o País está implantando 11 projetos de novas linhas para o transporte de passageiros sobre trilhos, todos já contratados ou em execução Dentre eles, seis estão sendo concebidos no regime de Parceria Público - Privada (PPP), que representa 55% dos novos empreendimentos. Dentre os 11 projetos, 5 são sistemas totalmente novos para as cidades.


Tribuna da Bahia – Albenísio Fonseca - 17/06/2016

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