terça-feira, 31 de maio de 2016

Metrô-SP gastou R$ 193 mil em 2015 para manter obras paradas da Linha 4

Obras de quatro estações da Linha 4-Amarela estão paradas há um ano. Expansão da Linha 2-Verde já custou R$ 494 milhões em desapropriações.


Há 12 anos o Metrô de São Paulo começou a Linha 4-Amarela, mas quatro estações ainda não estão prontas. As obras estão paradas, à espera de uma nova empresa que acabe o serviço. Enquanto isso, os vizinhos sofrem não só com a falta de alternativa de transporte, mas com a insegurança e a desvalorização dos imóveis. De agosto do ano passado até fevereiro desse ano, o Metrô gastou R$ 193 mil com segurança e manutenção das estações que não estão prontas na Linha 2-Amarela. As informações são do SPTV.

Além disso, a Linha 2-Verde, que começa na Vila Madalena, passa pela Avenida Paulista, seria estendida até Guarulhos, se tornando a primeira linha de metrô a chegar em uma cidade fora da capital. As desapropriações e até algumas demolições dos futuros canteiros de obras foram feitas, no último ano, mas ninguém bateu um prego sequer para levantar as estações. Agora tem um monte de terreno e imóveis vazios na Zona Leste. Só com as desapropriações já foram gastos R$ 494 milhões.

O SPTV faz esta semana uma série de reportagens sobre mobilidade urbana. É o Anda SP, que vau falar das obras do Metrô, corredores e terminais de ônibus que estão atrasadas, paradas ou suspensas na Grande São Paulo.

A obra da Estação Vila Sônia da Linha 4-Amarela está parada desde o começo do ano passado. A obra começou em 2004. Muita gente que morava no entorno não aguentou ser vizinho de uma estação fantasma e foi embora. O preço do aluguel caiu pela metade e mesmo assim os imóveis continuam vazios.

“Nós temos imóveis nessa rua que estão desalugados há 4 anos”, diz a diretora de vendas de uma imobiliária Luiza Pinheiro. “A gente vê o descaso dessa situação, dessa obra aqui, que eles prometiam entregar em 2012, 2013, depois 2016 não passaria e os proprietário estão assim. Não só os proprietários, como nós, os corretores, administradores, que cada vez o prejuízo é maior.”

Por causa das obras do Metrô, a rua Heitor dos Prazeres virou uma rua sem saída. Antes ela ia para a avenida Francisco Morato, só que agora ela tem um portão bem em uma das entradas da obra. Para os moradores não ficarem sem nenhuma passagem, o Metrô fez um corredor.

Em um relatório feito pelo metro a pedido do tribunal de contas do estado, a companhia explicou que só pra estação Vila Sônia foram feitos dois contratos em 2012. 

Um de R$ 386 milhões para a estação do Metrô e o outro de R$ 172 milhões para o terminal de ônibus. As duas obras deveriam ter acabado em 2014, mas não estão prontas e a obra ainda ficou mais cara. Ainda em 2014, o Metrô assinou um aditivo e aumentou o valor da obra do terminal em 10%.

Outras três estações da Linha 4-Amarela também não estão prontas: São Paulo-Morumbi, Oscar Freire e Mackenzie Higienópoilis.

Outra obra de expansão que está parada é a da Linha 2-Verde.  O prolongamento previsto sai da Vila Prudente e vai até Guarulhos. Seria a primeira linha de Metrô a ir além da capital.
Era para as obras terem começado neste semestre. A expansão custaria mais de seis vírgula sete bilhões de reais. Muitas desapropriações foram feitas. Mas a construção já foi suspensa.

“Muitos moradores foram desapropriados às pressas para a obra. “Eles chegaram, mandaram as cartas pra todos, simplesmente desapropriaram, e logo na sequência fizeram a demolição. E nunca mais apareceram”, relata o morador Fabiano Marcelo Lourenço.

O pai dele, Dirceu Lourenço pegou dengue. Ficou 18 dias doente e continua com o pé atrás com o terreno vazio ao lado da casa. “Não tem segurança nenhuma. Muitos pichadores sobem na laje à luz do dia.”

Nas esquinas das avenidas Conselheiro Carrão e Guilherme Jorge vai ser construída uma estação desse novo trecho do metrô, que é a estação Nova Manchester. O  Metrô já desapropriou vários imóveis. Virou um quarteirão fantasma.

Mesmo sem construir nada, somando os números de 2013, 2014, 2015 e 2016 o Metrô já gastou R$ 494 milhões com projetos e desapropriações para a expansão da Linha 2-Verde, que  está suspensa.

O taxista Leo, que trabalha em um ponto na Avenida Conselheiro Carrão há 30 anos, diz que o número de passageiros caiu muito desde que as desapropriações foram feitas. Ele torce pra que a expansão da linha verde não demore tanto pra ficar pronta. “O progresso só vai ter quando o Metrô chegar. Eu não sei se eu vou ver o Metrô passar, espero que sim, porque eu já estou com 82 anos. Quando eu tiver com 100 anos é capaz que ele chegue.”

Sobre a Linha 4-Amarela, no ano passado, a empresa Isolux Corsan Corviam não cumpriu o contrato, que foi desfeito. Agora, em junho, mais de um ano depois, uma nova empresa deve assumir a construção dessas quatro estações que faltam.

Já a Linha 2-Verde não tem prazo. No segundo semestre, o governo vai avaliar o caso.  O diretor de engenharia do Metrô, Paulo Sérgio Amalfi Meca, diz que a culpa é da crise econômica. "Suspendemos os oito contratos de obra civil que estão assinados até o final desse ano. Tínhamos financiamento de R$ 1,5 bilhão junto ao BNDES. Em função do cenário econômico decidimos distribuir os recursos em outras linhas que eram prioritárias."

Ele diz que a Linha Amarela não ficou pronta porque a empresa Isolux tinha problemas e não conseguia tocar as obras. "Pelo fato da construtora não ter cumprido contrato tivemos de fazer uma nova licitação e os prazos foram estendidos."


G1 – 31/05/2016

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