segunda-feira, 30 de maio de 2016

Gotardo, o túnel mais longo do mundo

Quarta-feira, primeiro de junho, a Suíça inaugurará o mais longo túnel do mundo de 57 quilômetros, o Túnel Ferroviário de Base de São Gotardo, 17 anos depois de terem começado os primeiros trabalhos de perfuração. A prioridade é para o transporte dos caminhões ou contentores, mas haverá também trens de passageiros que atravessarão o túnel em 20 minutos a 200 km por hora. O destino principal é o porto de Gênova, em plena expansão,  dependendo de um prolongamento das linhas férreas do lado italiano, em construção.
O maciço de São Gotardo faz parte dos Alpes suíços e pode ser considerado como a espinha dorsal europeia. O novo túnel levará o tráfego dos países do norte da Europa (Holanda, Bélgica, Alemanha, Polônia) ao sul, desembocando perto da Itália para seguir para a região do Mediterrâneo.
Em termos de inovações e tecnologia, a Suíça, única financiadora do túnel, utilizou a engenharia mais moderna, permitindo aos trens de passageiros rodarem a 200 km por hora e os de carga entre 100 e 120 km por hora.
Em termos ambientalistas, o túnel foi a opção dos suíços contra a passagem por suas estradas de rodagem das jamantas europeias de 28 a 40 toneladas, que, em princípio deverão atravessar a Suíça embarcadas por trens até o Ticino, perto da fronteira com a Itália. Esse desafogamento das estradas, livres dos caminhões holandeses, belgas, alemães, poloneses e ucranianos terá uma enorme importância ecológica e revolucionará os transportes europeus. O risco será a pressão do lobbyeuropeu dos transportes rodoviários, mas a Suíça poderá aumentar o pedágio e facilitar o frete ferroviário.
Para se ter uma ideia da importância da obra, o túnel rodoviário do Gotardo, inaugurado em 1980, com apenas 17 km de comprimento, tem um movimento anual de mais de oito milhões de veículos. Com a transposição dos caminhões para os trens do novo túnel ferroviário, esse túnel rodoviário deverá deixar de ter os habituais engarrafamentos.
A comissária dos Transportes da União Europeia, a eslovena Violeta Bulc, elogiou a Suíça pela construção do túnel dentro do prazo previsto e com poucos reajustes no custo final de 20,5 bilhões de euros, tornando o tráfego norte-sul europeu mais fluido e menos poluente.
Ao contrário do Brasil, onde as ligações ferroviárias continuam sendo precárias e onde teria sido sabotado o projeto do trem-bala Rio-São Paulo, o transporte ferroviário é incentivado e ampliado na Europa. Certas linhas de trens-bala chegam a concorrer com os aviões, dada sua velocidade e o fato de levarem os passageiros diretamente ao centro da cidade.
Por Rui Martins, de Genebra. Convidado pelo governo suíço estará presente na inauguração e viajará no primeiro trem que atravessará os 57 km do túnel, em vinte minutos.


Correio do Brasil – 28/05/2016

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