sábado, 16 de abril de 2016

No metrô de SP, tempo de espera de passageiro aumenta no horário de pico

Seis anos não foram suficientes para que o Metrô de São Paulo, que transportou mais de 1 bilhão de pessoas no ano passado, cumprisse a promessa de reduzir o tempo de espera dos usuários nas plataformas no horário de pico.

Pior: nesses horários mais movimentados, o intervalo entre trens aumentou nas duas linhas paulistanas mais utilizadas pela população. Quanto maior o tempo de espera, mais cheias ficam as plataformas e mais lotados ficam os vagões dos trens – nos horários de pico, quase sempre superlotados.

Dados da empresa obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que, na linha 3-vermelha (que liga a zona leste à zona oeste), o intervalo médio entre trens era de 112 segundos em janeiro de 2010; no mesmo mês de 2016, aumentou para 128 segundos.

Na linha 1-azul (que vai da zona sul à zona norte), a espera pela chegada do próximo trem em janeiro de 2010 era de 122 segundos; já neste ano, esse tempo cresceu e atingiu 129 segundos.

O intervalo entre trens também cresceu na linha 5-lilás (na zona sul). Somente na linha 2-verde é que houve redução no tempo de espera: de 154 segundos em janeiro de 2010 para 150 segundos no primeiro mês deste ano.

Não há informações sobre o intervalo entre os trens da linha 4-amarela, que liga a zona oeste ao centro e é administrada por uma concessionária privada, a ViaQuatro.

Nos três casos em que houve aumento no intervalo no horário de pico, a situação não se restringe apenas aos meses de janeiro. Também as médias anuais demonstram crescimento no tempo de espera entre os trens.

Na mais movimentada linha, a 3-vermelha, por onde passaram mais de 1,45 milhão de pessoas por dia em 2015, a espera passou de 120 segundos em 2010 para 129 segundos no ano passado.

Na linha 1-azul, que transportou mais de 1,4 milhão de pessoas por dia em 2015, a média era de 127 segundos em 2010. Depois de chegar a 144 segundos em 2014, o número atingiu o patamar de 132 segundos no ano passado.

Transportando 270 mil pessoas por dia em 2015, a linha 5-lilás teve aumento de dez segundos no intervalo de trens de 2010 a 2015: de 246 segundos, a espera passou para 256 segundos.

A linha 2-verde, que transportou 663 mil pessoas por dia no ano passado, foi a única a registrar diminuição no intervalo médio: de 157 segundos em 2010, passou para 153 segundos em 2015.

MAIS LUGARES

Reduzir o tempo de espera não serve apenas para agilizar o serviço aos usuários do Metrô. Significa também a possibilidade de aumentar a quantidade de trens em circulação e oferecer mais lugares para passageiros.

A companhia prometia que, com a implantação de um novo sistema de controle de trens, haveria redução de 20% no intervalo entre as composições, que passaria de 120 para 100 segundos. O CTBC (Controle de Trens Baseado em Comunicação) foi comprado em 2008, e a previsão inicial era de que entraria em operação em 2010.

Somente em fevereiro deste ano, no entanto, o mecanismo passou a ser usado todos os dias, e apenas na linha 2-verde. No primeiro mês de operações, a linha registrou panes graves em cinco oportunidades. Para os metroviários, a adaptação do sistema antigo para o novo foi a causa dessas falhas, que põem em risco passageiros e funcionários.

OUTROS PROBLEMAS

O aumento no tempo de espera no horário de pico não é o único problema que os passageiros do metrô enfrentam. Desde o fim do ano passado, as bilheterias e máquinas de recarga do Bilhete Único nas estações registram longas filas e falta de troco, gerando prejuízos para a empresa e atrasos para os usuários do transporte público.

Enquanto isso, a companhia também enfrenta uma crise financeira. Como a Folha revelou em março, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) deu um calote de R$ 66 milhões na empresa em 2015, dinheiro que seria usado para cobrir os custos da política de gratuidades.

Na prática, sem receber os recursos devidos pelo Estado, a companhia paulista é forçada a abrir mão de investimentos e melhorias no serviço que presta e no quadro de funcionários. Ao menos cinco trens foram retirados de operação para servir de “estoque” de peças de reposição para outros trens da empresa.

FALHAS E CHUVAS

O Metrô de São Paulo afirma que problemas operacionais e as fortes chuvas que atingiram a capital paulista em janeiro deste ano contribuíram para que a média de intervalo entre os trens aumentasse, em comparação com janeiro de 2010.

Na linha 1-azul, a companhia diz que um problema de tração fez com que uma composição precisasse ser rebocada, prejudicando o funcionamento do ramal no dia 8 de janeiro.

Nos dias 26 e 27 de janeiro, fortes chuvas causaram um solapamento na avenida Radial Leste, na altura da estação Artur Alvim da linha 3-vermelha, segundo o Metrô.

"Houve necessidade de intervenção e obras na avenida durante os dois dias, obrigando o sistema a operar com velocidade reduzida durante o período de reparo, com impacto na média geral do intervalo registrado entre as viagens naquele mês", diz a companhia, em nota.

Um trem quebrado e as fortes chuvas do dia 27 de janeiro também prejudicaram a circulação na linha 5-lilás naquele mês, em comparação com o período de 2010 justifica o Metrô.

A empresa também afirma que a "modernização dos trens" e a implantação de sistema de freios ABS nas composições das linhas 1-azul e 3-vermelha também contribuíram para a "diminuição dos intervalos e maior conforto para os passageiros".

Como exemplo, o Metrô de São Paulo cita a Operação Plataforma (com empregados que auxiliam o embarque e fechamento das portas das composições) e o Embarque Melhor, que direciona o fluxo de usuários nas plataformas das estações.


Folha de São Paulo – Rodrigo Russo – 16/04/2016

4 comentários:

Alex Sandro disse...

os 10 trens canibalizados em uma ação jamais viata no metro de sp começam a fazer falta...

SINFERP disse...

Já que o Metrô está adotando padrão CPTM, deveria adotar a prática COPTM nas inúmeras canibalizações: vende a "sucata" como sucata e compra mais trens novos do que os pátios são capazes de armazenar. A diferença é que, estando no coração da capital, o Metrô é mais "vigiado" do que a CPTM.

Anônimo disse...

Nesse aspecto a CPTM se superou, modernizou trens velhos (por preço de trem novo claro) como o problemático Eletrocarro série 5500,que virou série 5550 e em menos de CINCO anos todas as 4 unidades de oito carros estão aposentadas, na fila da baixa patrimonial para futura venda como sucata. Ou pior, paga mais de 200 milhões por anos para as terceirizadas de manutenção de material rodante (CAF e TNT) para elas também canibalizarem trens.

SINFERP disse...

Ah, mas isso a imprensa, Ministério Público, políticos da "oposição" e operação Lava Jato não passam perto.