segunda-feira, 11 de abril de 2016

Metrô de SP amplia 'canibalização' de trens e agora tem mais de 10% da frota parada

Nove trens estão sofrendo desmonte para servir de almoxarifado. Antes eram cinco. Segundo os trabalhadores, a empresa tem falta de aproximadamente 3 mil itens no setor de manutenção.

São Paulo – A Companhia do Metropolitano de São Paulo, administrada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), ampliou a retirada de peças de trens para realizar manutenção de outras composições, o que é chamado de “canibalização” pelos metroviários, segundo denúncia do sindicato da categoria. Um mês atrás eram cinco e agora são nove. Os sindicalistas afirmam que há um esquema de maquiagem e transferência contínua entre os pátios da companhia para que não fique visível o desmonte.
Os primeiros trens “canibalizados”, conforme publicou a RBA, foram as composições H59, K09, K17, K21 e L43. A essas se somam os trens L28, L30, L35, I10. São modelos de trens novos ou reformados que entraram em operação em 2010 (frota H) e 2011 (os demais). A frota K, por exemplo, é formada por 25 trens da frota C que foram modernizados – em um pacote de 98 composições modernizadas ao custo de R$ 1,7 bilhão.

Segundo os trabalhadores, o Metrô está com falta de aproximadamente 3 mil itens no setor de manutenção, dentre os quais, bancos de passageiros e de operadores, lâmpadas, faróis, motores de tração, redutores, vidros de janelas, portas, fechaduras, contrassapatas e até extintores de incêndio. Uma situação que vem ocorrendo há dois anos, segundo o sindicato.

Dos trens que estão sendo desmontados tudo o que pode ser aproveitado em outras composições é retirado: fechaduras de portas, bancos, luminárias, painel de operação, freios. Carcaças, placas de isolamento e fiação ficam expostas no interior dos vagões. Segundo o presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres Júnior, o corte que Alckmin fez no repasse dos valores referentes às gratuidades no Metrô – aproximadamente R$ 255 milhões em 2014 e 2015 – é o que está afetando a aquisição de equipamentos e, também, o serviço à população.

No ano passado, por conta do contingenciamento de R$ 66,1 milhões da verba prevista para ser repassada ao Metrô como pagamento pelos passageiros com direito à gratuidade, a companhia fechou o ano de 2015 deficitária em R$ 73,9 milhões Se o valor tivesse sido entregue, o prejuízo seria de R$ 7,8 milhões.

De acordo com os metroviários, os trens ficam parados no Pátio Itaquera (PIT) ou no Pátio Jabaquara (PAT) e são levados para o Estacionamento Pátio Belém (EPB) onde têm as peças retiradas, mas são maquiados para parecer inteiros. As peças são mandadas para a manutenção e os trens devolvidos ao local de onde saíram. Toda a ação ocorre nos finais de semana, sendo exigida a realização de hora extra dos servidores da manutenção.
Segundo Altino, os trabalhadores do setor de manutenção estão sendo pressionados a liberar os trens para que voltem à circulação, mesmo que não estejam em condições. “A população é a mais prejudicada pela situação atual do serviço. Para que a situação não fique ainda pior existe uma pressão para que os trens sejam liberados, mesmo não estando 100%. Isso faz parte de um projeto do governo Alckmin de precarizar o Metrô para justificar a privatização”, afirmou.
Além desses, outros dez trens que poderiam servir as linhas 1-Azul e 3-Vermelha estão parados porque o sistema com o qual eles operam (Controle de Trens Baseado em Comunicação - CBTC) é incompatível com o sistema implementado na via (Operação Automática de Trens – ATO, na sigla em inglês). São as composições L40, L41, I07, I23, J32, J40, J42, J44, J47 e J48. Por fim, a composição I12 está fora de operação desde 2012 devido a uma investigação do Ministério Público Estadual sobre uma colisão decorrida de uma falha no sistema operacional do veículo.
O número total de trens parados supera a chamada reserva técnica do Metrô, relativa a 10% do total de trens em operação, utilizada para substituir trens que eventualmente venham a falhar. O Metrô opera com 165 trens, e poderia ter até 17 trens ativos em reserva. Hoje há 20 composições inoperantes, segundo os metroviários. A estatal mantém as linhas 1-Azul (Jabaquara-Tucuruvi), 2-Verde (Vila Madalena-Vila Prudente), 3-Vermelha (Barra Funda-Itaquera) e 5-Lilás (Capão Redondo-Adolfo Pinheiro).
O CBTC está operante na Linha 2-Verde desde fevereiro deste ano, mas, segundo os metroviários, vem apresentando falhas e ainda não contribui para reduzir o espaço entre as composições, que aumentaria a oferta de trens à população. O sistema foi adquirido há oito anos, por R$ 700 milhões, e deveria ter entrado em operação em todo o sistema até o final de 2014. "Pelo tempo que este sistema está parado podemos considerar um imenso prejuízo para a população, que até hoje não conta com melhor oferta do serviço, conforme prometido", disse Altino.
Em reunião no Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo, para explicar o que está ocorrendo no Metrô, o diretor de Operações da companhia, Mário Fioratti Filho, disse tratar-se de uma “opção”, uma “estratégia de manutenção” que é feita em metrôs “no mundo todo”.  “Se temos falha de uma peça em um trem, que está na garantia, mando a peça para o fabricante e retiro uma outra de um trem que esteja esperando a vez para realização de testes. Assim, não retiro o trem de circulação. Temos uma fila de trens e utilizamos sempre o último da fila”, completou.


Rede Brasil Atual – Rodrigo Gomes - 08/04/2016

Comentario do Sinferp

É o Metrô com padrão CPTM

9 comentários:

Anônimo disse...

E esta história de privatização das linhas 8 e 9 da cptm ?

Anônimo disse...

Metrô e CPTM caminhando juntos rumo à privatização. E tem ferroviário que ainda não se tocou disso.

SINFERP disse...

Ferroviário infelizmente não se toca de nada ou de quase nada. Quer saber da "letrinha", da hora-extra e se vai conseguir uma boquinha em terceirizada depois da aposentadoria, razão pela qual puxa o saco dos terceirizados quando ainda está na ativa.

Anônimo disse...

Pior que é bem por aí mesmo, na manutenção do material rodante por exemplo tem ferroviário que vende "a alma " em troca de hora extra (só os "chegados" tem), acúmulo de banco de horas para depois tirar mais de dois meses de férias (só os chegados conseguem), letrinha do PCCS (nunca teve), adicional noturno, fugir dos turnos de escala, arrumar uma boquinha para filho ou namorada nas terceirizadas (quando não para ele próprio quando for se aposentar).
Talvez por ser tão alienado é que o ferroviário está sendo substituído por terceiros e quando chegar a hora em que a CPTM for privatizada ele tenha esperança que vai continuar na empresa, mas basta ver o que aconteceu com outras estatais que foram privatizadas que isso não se sustenta, em menos de 5 anos os funcionários da época da estatal já estavam fora.
O ferroviário tende ao desaparecimento.

Alex Sandro disse...

isso merece uma cpi ...

SINFERP disse...

Nos lembramos da privatização da ex-Fepasa. De movo bastante geral era comum ouvir ferroviários dizendo que "agora sim" seriam reconhecidos e valorizados. Bem, deu no que todo mundo sabe que eu. O ferroviário está em plena extinção, e seu capítulo inteiro na CLT será letra morta.

SINFERP disse...

CPI, Alex Sandro? No Estado de São Paulo? Pode esquecer. Pode esquecer Ministério Público e qualquer outro órgão. TUDO aqui está blindado.

Anônimo disse...

Pior mesmo são os ferroviários metidos a "neoliberais" que acham que vão continuar e terão reconhecimento na nova empresa. Tem que ser muito ingênuo para achar que a concessionária vai pagar 2500 reais para AO de estação, 3000 para maquinista e 4000 reais para técnico de manutenção.
Ferroviário parece que vive em um "universo paralelo".

SINFERP disse...

Sempre viveram em universo paralelo. Você tinha que ver e ouvir o que diziam no tempo de privatização da Fepasa. Seriam todos promovidos e com salários "finalmente" a altura de suas imensas qualificações. Por que acha que a ferrovia e os ferroviários estão historicamente sumindo do mapa?