sábado, 9 de abril de 2016

Homem morre durante manutenção em estação de trem após incêndio (RS)

Foto Roberta Talinet
Funcionário de empresa terceirizada prestava serviço neste sábado (9). Na noite de sexta (8), incêndio em subestação de energia causou problemas.

Um homem morreu na madrugada deste sábado (9) ao fazer o trabalho de manutenção da rede incendiada na noite de sexta (8) perto da estação de trem de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O problema afeta os serviços do Trensurb, que liga Porto Alegre a cidades vizinhas.

A vítima é um funcionário de uma empresa terceirizada que presta serviços para o Trensurb. Ele morreu eletrocutado na Estação Santo Afonso e foi identificado como Eneas Junior Carabach dos Santos. Ele era empregado da empresa Instaladora Elétrica Mercurio.

Na noite de sexta (8), um incêndio interrompeu parcialmente o transporte de trens. De acordo com a empresa que gera o modal, houve uma explosão em uma subestação de energia elétrica de Sapucaia do Sul.

Ainda não se sabe o que causou o fogo. Devido a demanda de passageiros, a Trensurb solicitou apoio de empresas de ônibus para realizar o transporte de quem seguia a outros destinos.

Circulação com intervalos mais longos

Segundo a direção da Trensurb, na manhã deste sábado (9) os trens circulam normalmente da Estação Mercado, na capital, até Novo Hamburgo. Os intervalos, porém, estão mais extensos.

Entre a Estação Mercado e São Leopoldo o intervalo é de 10 minutos. De São Leopoldo a Novo Hamburgo, o intervalo é de 20 minutos. O normal seria de cerca de 15 minutos.

Leia o comunicado da Trensurb na íntegra:

"Em função do incêndio na noite de ontem, na subestação de energia localizada no município de Sapucaia do Sul, não foi possível até o momento restabelecer a energia no trecho Sapucaia- Novo Hamburgo.

A previsão, no momento, é que os trens devem circular entre as estações Mercado e Novo Hamburgo, a partir das 5h30. Entre as estações Mathias e Novo Hamburgo intervalos maiores.

A Trensurb informa, ainda, que por volta das 1h44, durante o serviço de manutenção - buscando o restabelecimento dos serviços - ocorreu um acidente na via próximo a Estação Santo Afonso, tendo falecido o funcionário da empresa Instaladora Elétrica Mercúrio (contratada para a manutenção da rede área), Eneas Junior Carabach dos Santos.

A Direção da Empresa lamenta profundamente o ocorrido e informa que  os fatos já estão sendo investigados para as devidas providências. No momento, é necessário aguardar a perícia no local, para a liberação da via".


G1 – 09/04/2016

4 comentários:

Transparência disse...

A morte de Eneas Junior Carabach dos Santos foi ocasionada por um erro imperdoável da Trensurb. Desobedeceram procedimentos e foram irresponsáveis.
O veículo onde estava Eneas não poderia se deslocar para a região onde houve o acidente. O setor estava energizado.
Este tipo de atividade (consertos da rede aérea) deve obedecer as seguintes etapas:
1- Deve haver uma reunião previa antes de executar qualquer tarefa em área operacional e a terceirizada não participa.
2- Um documento é gerado após esta reunião e todos assinam confirmando as atividades a serem realizadas. A terceirizada não assina o documento.
3- Não pode haver modificações, após geração deste documento, e se houver deve acontecer somente com autorização expressa da Trensurb, que devem tomar todas as medidas de segurança.
4- A empresa terceirizada não tem autonomia para fazer qualquer atividade que não seja autorizada pela Trensurb.
5- Todos os procedimentos de segurança devem ser tomados, principalmente pela Trensurb.
6- A desenergização de uma área de trabalho deve, obrigatoriamente, ser precedida da desenergização da área anterior e posterior da área solicitada, exatamente para não ocorrer qualquer acidente.
Erros cometidos:
1- O deslocamento não obedeceu ao que foi acordado em reunião.
2- O documento gerado foi desconsiderado.
3- Medidas de segurança não foram tomadas.
4- Como a empresa terceirizada não tem autonomia a Trensurb é a responsável direta pelo ocorrido.
5- Os procedimentos não foram obedecidos.
6- Só houve desenergização da área de trabalho.
Conclusão: A morte de Eneas não pode ser considerada como um incidente ou acidente, foi um erro procedimental criminoso.

SINFERP disse...

Gratos pelas informações. Estamos acostumados com os mesmos desmandos na CPTM. Para você ter ideia morreu quase uma dezena de ferroviários em dois anos, não deu em nada. Houve ferroviário acusado de responsabilidade pela própria morte e depois dela demitido por justa causa.

Transparência disse...

Acontece que neste caso o acidentado é de uma terceirizada. Sem garantia nenhuma. Deixou dois filhos pequenos.

SINFERP disse...

Dentre nossos mortos computamos também terceirizados. A história é a mesma. Primeiro a maior dificuldade para obter informações sobre a morte. Depois saber que a concessionária abriu um inquérito e que a polícia civil irá investigar. Depois nunca mais se fala sobre resultado de inquérito e investigação. Denunciar ao MP? Uma ação contra empresa cujo maior acionista é o governo do Estado de São Paulo? Vai para a gaveta. Em uma das mortes nos trilhos e nos moveu, o governador extinguiu a única delegacia de São Paulo que investigava crimes contra a falta de segurança do trabalhador e crime contra a organização sindical. Sentiu o drama?