quarta-feira, 16 de março de 2016

Após enchentes e protestos, EMTU pede 10 dias para propor obras no Itararé (São Vicente – SP)

Empresa e Gaema buscam solução para alagamentos na área do VLT, em São Vicente
Ainda não foi desta vez que se resolveu o drama dos moradores da Rua da Constituição e arredores, no bairro do Itararé, em São Vicente, por causa das constantes enchentes provocadas após as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
A promotora do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema) – Núcleo Baixada Santista, Almachia Zwarg Acerbi, realizou nesta terça-feira (15) reunião com representantes da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) para tentar solucionar a questão. 
No encontro, que teve a participação de uma comissão de moradores da comunidade, a estatal pediu dez dias para dar uma resposta à integrante do Ministério Público Estadual (MPE), mas as expectativas de ambos os lados para se chegar a um acordo são grandes.
“A reunião parece que foi frutífera. A EMTU afirmou que está disposta a resolver o problema. É muito sofrimento para essas pessoas que perderam seus bens e que ficam nervosas a cada chuva mais forte”, destacou a promotora.
Um laudo realizado por peritos do MPE ano passado apontou que as obras do VLT deixaram a região afetada impermeabilizada, o que dificulta o escoamento das águas da chuva. A solução para o caso seria simples e dependeria de algumas ações, como a construção de novas galerias pluviais. Se não houver um acordo entre as partes, o Gaema deverá ingressar com uma ação judicial para exigir que a estatal faça as obras.
O gerente da EMTU responsável pela implantação do VLT na Baixada Santista, Carlos Romão Martins, disse que os canais do entorno estavam completamente assoreados e a Prefeitura de São Vicente deixou os locais sem limpeza por um período de 10 a 15 anos.
Nos últimos dias, foram retirados 113 caminhões de entulho, lixo, areia e água, o que deverá amenizar os grandes alagamentos durante fortes chuvas. “As obras que fizemos para aumentar a galeria melhoraram a drenagem, mas a saída da água para a praia depende da limpeza dos canais, que é responsabilidade da Prefeitura. Não há solução total para o problema, mas há melhorias para amenizar as enchentes”.
Martins afirmou que a construção de novas galerias, como exigido pelo Gaema, não é a solução mais adequada. Por isso, é importante um tempo para fazer a análise dos pedidos. 
Opiniões
Morador da região afetada pelas enchentes há 51 anos, o comerciante Paulo Lichtner está indignado com as declarações da EMTU ao citar que o problema era frequente.
“Tivemos essa situação no passado, mas os alagamentos ocorriam de forma mais espaçada e lentamente. O pessoal da empresa menosprezou a nossa opinião e demonstrou arrogância”, destacou.
O organizador do protesto realizado no início deste mês contra o descaso da EMTU, o comerciante Luiz Antônio Pedroso de Oliveira, está revoltado. “Já tivemos vizinhos que perderam tudo. Eu mesmo perdi dois carros”, desabafou.
Propostas de mudanças
O vereador santista Geonísio Pereira Aguiar, o Boquinha (PSDB), enviou à EMTU um novo traçado para a 2º etapa do VLT, que contempla a ligação entre a Avenida Conselheiro Nébias ao bairro do Valongo. A ideia do parlamentar é que o trajeto de ida e volta desse novo meio de transporte até a região central do Município seja realizada pela Avenida Washington Luiz (Canal 3).
Na proposta atual da EMTU, o VLT seguiria pela Rua Campos Mello e faria o caminho de volta pelas ruas da Constituição e Luiz de Camões, até chegar à Conselheiro. “Um ponto importante é que neste corredor não haveria necessidade de desapropriação de nenhum imóvel”, destacou Boquinha.
O vereador Murilo Barletta é contra o traçado da 2ªfase e já apresentou à EMTU uma alternativa que ligaria São Vicente a Santos pela Avenida Nossa Senhora de Fátima, na Zona Noroeste. Ele entende ainda que o VLT poderia margear a Avenida Perimetral até chegar à Ponta da Praia, formando um grande anel viário.


A Tribuna – Sandro Thadeu - 16/03/2016

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