domingo, 7 de fevereiro de 2016

Escavação chega à linha do trem em Mogi das Cruzes (SP)

Foto Guilherme Berti
Com a autorização da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) liberada na última quinta-feira, a Prefeitura avança com as tratativas para iniciar, ainda dentro desse mês, o processo para escavação do túnel Centro/Bairro sob os trilhos da linha férrea. As obras da passagem subterrânea estão em ritmo acelerado, com os trabalhos na ponta da Praça Sacadura Cabral, já avançando em direção à ferrovia. O cronograma, divulgado a O Diário, prevê a conclusão desse primeiro túnel no final de agosto, para inauguração nos primeiros dias de setembro, dentro do aniversário de Mogi das Cruzes, com a liberação desse trecho central para pedestres e motoristas e devolvendo a vida para o comércio da região, que ficou isolado durante as obras.

Oficialmente túnel 2, mas que será o primeiro liberado, o acesso Centro/Bairro já saiu da Rua Dr. Ricardo Vilela, fez a curva na Sacadura Cabral e se aproxima da linha férrea. Os trabalhos de escavação estão na segunda linha, numa profundidade de aproximadamente seis metros do nível da rua. 

O desnível vai chegar a 10 metros no trecho da linha férrea, onde as escavações serão feitas pelo chamado método não-destrutivo, com a ajuda de um “tatuzão”. A previsão é de dois meses de trabalho sob os trilhos, já que serão escavados 60 centímetros por dia e a extensão é de aproximadamente 40 metros.

São os preparativos para essa etapa que a Prefeitura espera ter concluído em breve, para que as primeiras movimentações na ferrovia comecem até o final do mês, início de março. A previsão era que essa etapa começasse em abril.

“Será uma grande interferência na ferrovia, mas mesmo assim não enfrentamos dificuldades burocráticas com a CPTM, que já nos enviou a autorização para as obras. A MRS deve fazer o mesmo nos próximos dias”,  ressalta o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, João Francisco Chavedar.

Na outra ponta desse túnel, na Rua Hamilton Silva e Costa, os trabalhos estão concentrados nas paredes diafragmas e as escavações estão previstas para começar também neste mês. Há poucos dias, a Prefeitura obteve a autorização da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para executar as escavações na área do antigo posto de gasolina, entre as Ruas Hamilton e Cabo Diogo Oliver.

Ao todo, o viaduto terá 298 metros de extensão. Desse total, cerca de 140 metros serão fechados também na parte superior (vala coberta) – a descida começa mais ou menos na virada da Rua Dr. Ricardo Vilela para Praça Sacadura Cabral. Serão duas pistas para os veículos.

“Esse túnel é a nossa prioridade. Devemos ter a parte grossa terminada até  o final de junho, com mais dois meses para o acabamento. No início de setembro, no aniversário da Cidade, teremos liberada a travessia Centro/Bairro e vamos acabar com a angústia daqueles comerciantes que estão instalados ali, começando a devolver vida para essa região”, diz Chavedar.   

A expectativa é de que até o final do ano, toda a parte de cima desse túnel, integrando as Praças Oswaldo Cruz e Sacadura Cabral, esteja com a nova parte urbanística pronta, com piso, paisagismo e iluminação diferenciados. Futuramente, esse área será integrada também com a praça que vai ocupar o antigo posto de gasolina da bifurcação.

A obra custa R$ 128 milhões. É executada pelo Consórcio Viário Mogi, formado pelas empresas Engeform e Serveng Civilsan.

Prefeitura inicia segunda fase de desapropriações

A Prefeitura deu início ao processo de desapropriação dos imóveis da Rua Cabo Diogo Oliver, que permitirá a abertura da segunda frente de trabalho do túnel 1, na conexão Bairro/Centro. Atualmente, as obras estão concentradas na Avenida Governador Adhemar de Barros, no trecho entre o Terminal Central e o Ribeirão Ipiranga. Esse acesso está previsto para ser concluído no ano que vem.

Por causa dos serviços, a Avenida Adhemar de Barros está interditada para o tráfego de veículos entre as Ruas Tenente Manoel Alves e Campos Sales. Novas interdições neste trecho e alterações no sentido das vias Tenente Manoel Alves e Princesa Isabel de Bragança deverão acontecer, porém, só mais lá para frente.

Esse túnel é maior que o do Centro/Bairro. Tem 426 metros, sendo que aproximadamente a metade desta extensão será coberta. O desnível em relação com a rua será de 4 a 10 metros. A descida será na Cabo Diogo, logo depois da Rua Engenheiro Gualberto, com uma pista de duas faixas de circulação, passando por debaixo de onde hoje está a Estação Ferroviária e encontrando, um pouco mais à frente, com a pista que faz a interligação entre a Ricardo Vilela e Adhemar de Barros. 

No caso das desapropriações, elas vão afetar seis imóveis, localizados no lado esquerdo da Cabo Diogo (sentido Centro), chegando ao posto de gasolina desativado.

A exemplo do que ocorrerá no trecho da Sacadura Cabral, na Cabo Diogo, a parte superior do túnel será destinada para o trânsito local e retorno.

Segundo túnel fica para o ano que vem

Com a liberação do túnel Centro/Bairro, a expectativa já é de um grande ganho para a mobilidade urbana. Além da transposição da linha férrea, a conclusão da obra vai permitir a volta do tráfego de veículos pela Rua Dr. Ricardo Vilela. Num primeiro momento, até a altura da Rua Princesa Isabel de Bragança. Depois, seguindo para a Governador Adhemar de Barros, quando a construção do outro túnel, Bairro/Centro, estiver pronta – a previsão é ano que vem.

Depois dessa primeira obra pronta, o motorista que vier pela Ricardo Vilela   terá duas opções: à direita se quiser entrar no túnel em direção ao Mogilar, e à esquerda se desejar seguir em frente, como era antes. Esse trecho, em cima da Praça Sacadura Cabral, terá ainda acesso local de carros e retorno, modelo semelhante ao existente na passagem subterrânea Engenheiro Oswaldo Crespo de Abreu, no Shangai.

Em relação ao funcionamento antigo dessa região central, a única diferença será na Rua Braz Cubas. Como a saída dela está bem na boca do túnel, há um desnível que não permite a sua conexão com a nova pista da Ricardo Vilela. Ela, portanto, permanecerá com tráfego local, como está hoje.

No contexto geral, o secretário municipal de Planejamento, João Francisco Chavedar, aponta que a intervenção deverá proporcionar uma valorização urbanística dessa região da Cidade, favorecendo a mobilidade e o convívio das pessoas, que terão mais facilidade e segurança para circular. “Estaremos resgatando um local importante e de grande tradição para Mogi das Cruzes”. (Mara Flôres)


O Diário – 07/02/2016

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