terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Vizinhos de obra parada do monotrilho (SP) reclamam de mosquitos

Foto Karina Godoi
Água parada pode ser foco; Metrô diz que aumentou ações de limpeza. Secretaria disse que recebeu duas solicitações sobre dengue no monotrilho.

A dentista Marcela Sigrist, 36, mora há cinco anos em uma rua atrás da Avenida Jornalista Roberto Marinho, na região do Campo Belo, Zona Sul da capital paulista, e nunca tinha convivido com tantos pernilongos como neste verão. Ela é vizinha de um canteiro de obras da linha 17-Ouro do monotrilho que foram paralisadas em agosto de 2015.

Para Marcela, a água parada em uma área que era o piscinão da Roberto Marinho e hoje é parte da obra do monotrilho é o foco de infestação.

Até uso um mosquiteiro no carrinho da minha filha porque fico com medo dela ser picada de novo"
Marcela Sigrist, 36, dentista

“Eles reformularam uma área do piscinão onde tinha uma quadra, uma área de lazer pública para fazer as obras e, junto com isso, eles também fizeram o desvio do córrego pra poder colocar os pilares do monotrilho. Do meio do ano para cá, fica muita água empossada nesses bolsões de terra do desvio do piscinão que não foi concluído”, diz Marcela.

A preocupação é maior porque Marcela tem uma bebê de apenas um mês que já foi picada pelos insetos. “Até uso um mosquiteiro no carrinho da minha filha porque fico com medo de ela ser picada de novo”, disse a dentista.

A síndica de um prédio no mesmo bairro também reclama dos insetos e dos materiais que foram abandonados no canteiro de obras. “A gente observa muito material abandonado, tem ferro, madeira, está aparecendo muitos insetos. Fico com muito medo até por causa da dengue", diz Vânia Ramires, 58.

Nos dias mais quentes, relatam os moradores, há mau cheiro por causa da água parada, pombos e grande quantidade de insetos. “Infelizmente com esse calor eu preciso fechar as janelas. Compro uma quantidade maior de inseticidas, repelentes, tudo pra tentar evitar as mordidas e que outros insetos entrem na minha casa. A gente também tem medo da dengue e fica preocupado com essa situação”, diz Vânia Ramires.

O Metrô, responsável pelas obras do monotrilho, informou ao G1 que está intensificando as ações de limpeza, corte de vegetação e eliminação de locais de acúmulo de água e faz tratamento com adição de cloro para evitar o desenvolvimento de larvas do mosquito transmissor da dengue.

A Secretaria Municipal da Saúde informou que a Coordenação de Vigilância em Saúde realizou monitoramento quinzenal do piscinão localizado no endereço citado pela reportagem, até o ano de 2014, quando foi desativado para construção do monotrilho. No momento não há solicitações recentes a respeito de infestação de pernilongos no local.

A secretaria disse ainda que recebeu duas solicitações de dengue a respeito das obras do monotrilho no último semestre e que, nesta sexta-feira (8), encaminhará uma equipe para realização de inspeção, orientação e controle químico, caso necessário. Se for constatada necessidade, o local será cadastrado como ponto estratégico durante o período de execução da obra, para monitoramento periódico de forma a prevenir a proliferação de mosquitos.

A Linha 17-Ouro foi anunciada como serviço que atenderia o bairro de Paraisópolis, mas não vai mais cruzar o Rio Pinheiros, são pelo menos 9,9 km congelados, segundo informações disponíveis no site do Metrô. A obra terá agora 7,7 km dos cerca de 17,7 km prometidos e ficará restrita ao trecho entre o Aeroporto de Congonhas e a Marginal Pinheiros, mesmo local onde houve a infestação de mosquitos.

Até o momento, ficam de fora as estações Panamby, Paraisópolis, Américo Mourano, Estádio do Morumbi, São Paulo-Morumbi, Jabaquara, Hospital Sabóia, Cidade Leonor, Vila Babilônia e Vila Paulista. A linha chegou a ser prometida para 2013, mas só deve ficar pronta em 2017 e com extensão menor que a prevista.


G1 – 09/01/2016

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