domingo, 27 de setembro de 2015

MP vai apurar danos ambientais causados por trens em Rio Preto (SP)

Pátio de manobras de locomotivas no Jardim Canaã causa transtornos. Governo Federal vai estudar retirada da ferrovia da área urbana. 

Um pátio de manobras de locomotivas no Jardim Canaã, em São José do Rio Preto  (SP), tem causado transtornos a moradores do bairro. O problema é que barulho, mau cheiro e poluição chegaram a níveis extremos.

A poluição vem dos milhares de litros de óleo diesel queimados. Já o mau cheiro é decorrente das toneladas de soja que escorrem dos vagões e apodrecem a poucos metros das casas. O Ministério Público (MP) abriu inquérito para apurar os danos ambientais e quais os prejuízos causados à população pelos trens na área urbana da cidade.

O Jardim Canaã foi loteado na década de 1980 e só depois disso é que o pátio de manobras foi criado no local. Atualmente, há três linhas que ficam ocupadas praticamente 24 horas por dia. A troca de locomotivas tem causado transtorno para mais de 500 famílias que moram no bairro.

O aposentado Vanderlei Bilac diz que o barulho dos trens ocorre por 24 horas. "Além do barulho, há poluição. Isso é incabível, não há mais convivência. Isso está acabando com a minha saúde e minha vida." Para a dona de casa Ana Maria Peruca o cheiro do petróleo queimado é muito ruim. "Ninguém segura esta poluição, o cheiro incomoda, dá mal estar", lamenta. 

Os moradores reclamam que a soja que cai dos vagões fica acumulada no trilho e com o passar dos dias, com chuva e sol, os grãos fermentam e o mau cheiro incomoda. O aposentado Elias da Silva Gonçalves reclama que fica com os olhos ardendo. "É impossível conviver com isso. Cadê a nossa Justiça?", questiona. A dona de casa Maria Aparecida Freitas diz que para comer é muito difícil porque o mau cheiro é insuportável. "É uma carniça."

A concessionária que administra a ferrovia informou que limpou o local, mas, segundo os moradores, na verdade, a ALL jogou cal em cima da soja e abafou o cheiro. Com a volta das chuvas, a cal escorreu e o mau cheiro veio à tona de novo.

O promotor Sergio Clementino diz que há evidências de problemas ambientais como fumaça, barulho, poluição atmosférica e sonora. "Há até a questão da saúde pública, há o apodrecimento da soja derramada lá, que causa mau cheiro, a possibilidade de causar doenças. Há problemas graves que precisam ser melhor analisados para se encontrar uma solução." Cabe ao MP uma investigação para apurar exatamente o tamanho desses danos ambientais e à saúde pública. "Não é o caso de impedir o trabalho da concessionária, mas ela tem de adotar medidas para atuar de forma adequada para não causar esse prejuízo à população."

A Prefeitura de Rio Preto disse, por meio de nota, que não pode fazer nada no local porque a concessão para o pátio é um contrato federal. Já a concessionária informa que mudanças na linha são de responsabilidade da União. O Governo Federal disse que estuda os projetos de retirada da ferrovia da área urbana, mas ninguém tem prazo para que isso aconteça. O inquérito do MP pode se tornar um 'processo' contra a concessionária e até contra o Governo Federal.


G1 – 27/09/2015

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