domingo, 28 de junho de 2015

Viagem de trem passa por viadutos de 100 anos e cânion em torno de rio, na Nova Zelândia.

Passeio na Nova Zelândia passa por paisagens só acessíveis de trem. Trajeto começa em estação considerada uma das mais bonitas do mundo.

Uma viagem de trem puramente contemplativa, que leva a vilarejos com poucas centenas de habitantes, começa em uma estação de trem considerada uma das mais bonitas do mundo e passa por uma ferrovia construída há mais de 100 anos que margeia um cânion forjado por um rio.

Essa é a descrição mais básica da Taieri Gorge Railway, ferrovia que passa por paisagens que não podem ser acessadas de outra forma na Nova Zelândia, e atrai turistas de todo o mundo.

O passeio mais popular é o que vai de Dunedin, cidade litorânea na ilha sul, famosa por sua universidade, a maior do país, até Pukerangi – com extensão uma ou duas vezes por semana até o vilarejo de Middlemarch. A maior parte dos passageiros faz o trajeto de ida e volta, que até Pukerangi dura no total quatro horas.

Durante a viagem, paisagens cada hora mais bonitas vão surgindo pela janela – convidando os passageiros a encarar o vento frio e as baixas temperaturas que atingem a região na maior parte do ano para ficar do lado de fora, nas interligações entre vagões, onde a experiência fica ainda mais interessante com o vento batendo no rosto e a ausência de interferência dos vidros das janelas.

O passeio feito pelo G1 foi apenas de ida, até Pukerangi. Foram cerca de duas horas, com uma parada e algumas reduções de velocidade para fotos, para completar 58 km.

O trajeto margeia em metade de seu caminho o desfiladeiro Taieri, um cânion forjado pelo rio de mesmo nome. A ação da natureza gerou paisagens encantadoras, ressaltadas pela vegetação avermelhada de outono, o céu azul e o sol da tarde.

O trem avança pelo desfiladeiro de uma maneira que hoje parece fácil, mas que exigiu a construção de dez túneis – o mais longo com 437 metros - e diversas pontes e viadutos. Apesar das mudanças, a ferrovia de alguma maneira se funde com a natureza, em uma simbiose na qual uma parece completar a outra perfeitamente.

Uma das pontes, o chamado de viaduto Wingatui – uma estrutura de ferro de 197 metros de comprimento, localizada a 47 metros de altura – foi construída em 1887 e é considerada por especialistas uma verdadeira obra de arte da engenharia. O viaduto é uma das maiores estruturas de ferro do hemisfério sul.

A viagem é feita para a contemplação – o importante não é o destino em si, mas o caminho por onde se passa, a ação da natureza, e a sensação de se estar em um local único, isolado, no qual é possível voltar no tempo e reduzir a velocidade da vida para prestar atenção no que é único.

Construção há mais de 100 anos

A ferrovia começou a ser construída no fim do século XIX e entrou em operação no início do século XX. Ela funcionou até 1990, quando as linhas de carga foram fechadas. Logo depois, o serviço de trens de turismo começou a operar, chegando à maneira como é oferecido atualmente.

O início da construção da ferrovia coincidiu com o período em que Dunedin era o centro comercial da Nova Zelândia – a cidade foi a primeira a ser construída no país. O novo caminho servia principalmente para o transporte de cargas, como bens de consumo e matéria-prima.

Em 1906 foi inaugurada a estação de trem da cidade, um prédio que já foi eleito pela revista americana especializada em turismo ‘Condé Nast Traveler’ como uma das estações ferroviárias mais bonitas do mundo.

Mais de 100 anos depois, ela conserva sua glória, combinando o estilo arquitetônico flamengo-renascentista com o revestimento externo, que tem pedras brancas calcárias locais claras, chamadas de Oamaru, e rochas negras basálticas. A estação é grandiosa e cheia de detalhes, chamando a atenção no centro de Dunedin, que mesmo com mais de 110 mil habitantes conserva o estilo de pacata cidade do interior.

Dentro o acabamento é luxuoso, do teto aos banheiros. O hall onde são feitas as reservas têm um piso feito em mosaico, com mais de 750 mil pedaços de porcelana. A principal plataforma de embarque, com um quilômetro de extensão, é a maior do país, e vira palco do principal desfile de moda da ilha sul todo mês de outubro.


G1 – Juliana Cardilli - 28/06/2015

2 comentários:

Monaco disse...

Simplesmente meraviglioso!

SINFERP disse...

Belissimo, belissimo...,