segunda-feira, 15 de junho de 2015

Um ano após demissões, metroviários de SP ainda creem na reintegração

São Paulo – Um ano após a greve que paralisou o sistema metroviário paulista entre 4 e 9 de junho, durante a campanha salarial, 38 metroviários demitidos irregularmente ainda esperam uma definição da Justiça do Trabalho. “Para arrumarmos outro trabalho teríamos de dar baixa na carteira. E isso seria reconhecer a demissão por justa causa. E nós não aceitamos isso, porque a demissão foi injusta e ilegal. O que a gente fez foi greve. E por isso ninguém pode ser mandado embora”, afirma a operadora de trens da Linha 3-Vermelha Marília Cristina Ferreira.
No dia 10 de junho, a Companhia do Metropolitano (Metrô) demitiu 42 funcionários, todos com alguma função na organização da greve – delegados sindicais, diretores e até um membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). O governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), chegou a declarar que tinha uma lista de outros que seriam dispensados se o movimento continuasse. Todos receberam telegramas comunicando suas demissões, com descrição dos locais e horários onde teriam cometido faltas graves.
Marília foi demitida por justa causa, sob alegação de ter impedido o fechamento das portas da composição G-24, às 7h15, na estação Santa Cecília, interrompendo a circulação de trens na Linha 3-Vermelha, no dia 7. “Na estação Santa Cecília, eu nem cheguei a descer até a plataforma”, conta a operadora.
Sem trabalho e sem expectativa de quando essa situação vai ser resolvida, Marília e os demais trabalhadores se ocupam do que podem, inclusive para não ficar pensando só nisso. “Vivemos uma angústia muito grande. Ficar nessa espera, sem uma resposta definitiva. Tem pessoas que buscam atividades físicas e outras ocupações. O que mais a gente tem feito é conversar com a categoria e participar das atividades que dizem respeito à nossa readmissão. Lutar para voltar a trabalhar”, relata.
O maior problema dos 38 metroviários é que não se trata somente da busca pela reintegração, mas de sobreviver. Sem salários, sem benefícios e sem poder arrumar um novo emprego, os demitidos contam com o apoio da categoria, que aprovou em assembleia um aumento no percentual do salário a ser descontado na mensalidade do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, de 1,3% para 1,9%, com o objetivo de proporcionar uma ajuda de custo aos colegas.
O marido de Marília, Vítor Duarte, também metroviário, foi demitido no mesmo dia. E com isso as contas da família tiveram de ser muito ajustadas. “Temos contado com a solidariedade. É o que tem nos ajudado. Mas apertou bastante, tivemos de cortar tudo o que pareceu supérfluo”, diz.
A situação é ainda mais complicada para quem tem filhos, como Alex Santana Vieira, operador de trens da linha 3-Vermelha e membro da Cipa. “Meu filho tem 1 ano e três meses. Estava recém-nascido quando fui demitido. O impacto foi muito grande. A gente teve de dar uma adaptada na vida para encaixar o que podemos hoje. Quando aperta muito, a gente faz um bico, ajuda com trabalhos em outros sindicatos. E vai se virando.”
“Infelizmente, não podemos suprir tudo. Nos esforçamos para que a ajuda de custo chegue o mais próximo possível do valor do salário-base. E isso, depois, terá de ser devolvido aos companheiros”, diz o secretário-geral do sindicato, Alex Fernandes.
A conta é alta. Segundo o sindicato, o salário médio dos demitidos era de aproximadamente R$ 3.500. O vale-refeição era de R$ 669 mensais, e o vale-alimentação, de R$ 290. Em um ano, apenas a soma desses valores supera os R$ 2 milhões para todos os demitidos. Isso sem contar adicionais, 13º salário, férias e outros benefícios.
Esse valor terá de ser pago, retroativamente e com correção monetária, pelo governo paulista, caso a decisão final seja favorável aos metroviários, o que deve onerar fortemente os cofres públicos. Isso poderia ser evitado se o Metrô tivesse cumprido a legislação trabalhista, realizando o processo administrativo e só cumprido as demissões – caso fossem cabíveis – ao final do processo.

Planeta Osasco – 09/06/2015

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