sábado, 6 de junho de 2015

Segurança da vida ou do patrimônio?

Aumenta a violência contra usuários de trens metropolitanos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Aumenta na sociedade como um todo.

No caso de trens e metrôs, porém, há um aspecto que vem sendo negligenciado, e que merece ser trazido à luz do conhecimento de ferroviários, metroviários e principalmente de usuários.

Quem é responsável pela segurança dos usuários desde o momento que passam pelas catracas de uma estação até saírem do sistema pelas catracas de outra?

Resposta clara e inequívoca: as operadoras – CPTM, SuperVia, Metrô SP e Metrô Rio.

A segurança é um quesito inerente ao contrato de transporte. O usuário não paga apenas para ir de um lugar a outro, mas igualmente para ir e chegar com segurança.

Não existe, portanto, essa história de identificar o agressor, como se ele fosse o responsável pela agressão. Ele é perante as autoridades policiais, mas não perante os direitos do usuário agredido. A responsabilidade pela segurança do usuário é da operadora, e ela responde por eventuais agressões sofridas pelos usuários dentro do sistema.  Direito de consumidor, e fim de conversa.  Isso também é verdadeiro em caso de falhas e de acidentes. Ele não paga conviver com falhas, acidentes e nem com agressões.

É igual quando vamos a um cinema, supermercado, banco ou restaurante. Qualquer coisa que aconteça conosco dentro desses estabelecimentos, é de responsabilidade do cinema, supermercado, banco ou restaurante.

Por que os sistemas de segurança adotados pelas operadoras não funcionam? Por que prevalece a mentalidade patrimonialista. Câmeras de vigilância e seguranças próprios e terceirizados estão a serviço da proteção do patrimônio das operadoras, e não dos usuários. Para que servem as câmeras nas estações e trens se não são monitoradas em tempo real, e com “olhar” para a segurança dos usuários? Servem para que? Para que seja possível identificar disfunções a posteriori?

Pedir para o usuário fazer uso de seu celular para denunciar irregularidades? Isso expõe o usuário a risco, além de ser ridículo pretender que ele saiba o número do carro e a nome da próxima estação. Ele pagou para viajar em segurança, e não para exercer função de segurança.

Incrível que em tempo de tantas tecnologias nada exista que possa efetivamente assegurar a segurança do usuário, e no momento que tal segurança se faça necessária. Preventiva, sempre que possível.

Se não houver uma mudança de mentalidade nas pessoas que “pensam” a segurança de trens e metrôs, e a situação ficará cada vez pior.

Interessante que sobre isso não se manifesta promotor público, políticos, e menos ainda a nossa brilhante imprensa.

Para nós, ferroviários e metroviários, isso precisa ficar claro. Não podemos fazer parte desse jogo, dentre outros motivos porque seremos dele também vítimas. A nossa integridade, bem como a de nossos usuários, é o bem maior a ser preservado.

Nenhum comentário: