quarta-feira, 3 de junho de 2015

Ferroviários suspendem greve em SP e linhas voltam a funcionar

Paralisação afetou quatro das seis linhas de trens nesta terça. CPTM entrou na Justiça pedindo para que greve seja considerada ilegal.

Ferroviários decidiram suspender a greve iniciada na madrugada desta quarta-feira (3) em São Paulo. Quatro das seis linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram afetadas. 

As linhas 7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral e 12-Safira voltaram a funcionar normalmente nesta tarde. Uma nova audiência entre a companhia e os sindicatos dos Ferroviários de São Paulo e dos Trabalhadores da Central do Brasil acontece no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) no dia 11.

No início da manhã, ficaram paradas totalmente as linhas 12 Safira (Brás/Calmon Vianna) e 10 Turquesa (Brás/Rio Grande Da Serra). Funcionaram parcialmente, com número reduzido de trens, a 7-Rubi (Luz, Francisco Morato, Jundiaí) e 11-Coral (Luz, Guaianases, Estudantes). Seguiram normais a 8-Diamante (Júlio Prestes-Itapevi) e a 9-Esmeralda (Osasco-Grajaú).

A estimativa é que 1 milhão de passageiros tenham sido afetados pela greve. Muitos passageiros se uniram para dividir carona em táxis e carros particulares.

O rodízio de veículos foi mantido. A São Paulo Transporte (SPtrans), da Prefeitura, reforçou as linhas de ônibus que fazem o percurso da CPTM, como se fosse horário de pico durante toda a manhã. O sistema Paese (para situações emergenciais) não foi acionado.

CPTM

A CPTM encaminhou ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) pedido de abusividade da greve, aplicação de multa e julgamento de dissídio. Segundo o governo, a paralisação é ilegal porque não atendeu uma liminar que definia o mínimo de 90% do efetivo de maquinistas em horário de pico e de 70% dos trabalhadores das demais atividades em caso de greve.

O desembargador Wilson Fernandes, vice-presidente judicial do TRT, determinou que, se os sindicatos descumprissem a ordem, levariam multa diária de R$ 100 mil.

Em nota, a CPTM afirma que considera "irresponsável" a decisão dos dois sindicatos. "Embora respeite o direito de greve, a CPTM ressalta que a paralisação do sistema prejudicará quase 3 milhões de usuários que utilizam diariamente a rede da CPTM para chegar ao trabalho, a escola, ao médico, a rede hospitalar, entre outros inúmeros compromissos assumidos."

Os engenheiros que trabalham na companhia informaram que a categoria não aceitou a proposta oferecida pela empresa e que está em estado de greve. Ao contrário dos ferroviários, os engenheiros decidiram, porém, continuar trabalhando. Eles vão aguardar nova rodada de negociações no dia 11 de junho.

Tumulto

No início da manhã, um tumulto terminou em depredação na estação Francisco Morato da CPTM. Segundo moradores da cidade da Grande São Paulo, a confusão começou por volta das 8h20. Um muro chegou a ser destruído.

A polícia teria usado balas de borracha e bombas de gás. A corporação, porém, não confirma que precisou intervir na ação dos usuários. "Um senhor chegou a levar bala de borracha no rosto. A estação estava fechada e as pessoas quebraram o muro para tentar entrar", disse o passageiro Reginaldo de Lima.

Negociação

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e os sindicatos que representam os ferroviários se reuniram nesta terça-feira (2), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mas não chegaram a um acordo quanto ao reajuste salarial da categoria. A CPTM ofereceu duas propostas.

Esta foi a terceira audiência de conciliação no TRT. Os ferroviários reivindicam 7,89% de reajuste salarial mais 10% de aumento real.  A próxima reunião no TRT está marcada para o dia 11, às 13h.

A companhia propôs reajuste salarial com base no IPC, de 6,6527%, com adicional de 1% e reajuste de 10% sobre os benefícios. A segunda oferta é de reajuste linear de 8,25% sobre salário e benefícios. O conselho de conciliação do TRT sugeriu ainda um reajuste de 6,6527% (IPC) + 1% de reajuste e 15% de aumento nos benefícios.

Durante a reunião, a CPTM chegou a oferecer 8,5% de reajuste salarial e de benefícios, mas, durante o recesso da audiência, a diretoria da empresa foi contra a proposta.

Metroviários

Na noite desta segunda-feira (1º), o Sindicato dos Metroviários de São Paulo decidiu aceitar a proposta de reajuste salarial feita pelo Metrô em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª região.

Pela proposta o Metrô aumentou o reajuste dos salários de metroviários e engenheiros de 7,21% para 8,29%. Os dois sindicatos que representam as categorias pediam reajuste de 18,64% e 17,01%, respectivamente, mas na assembleia decidiu aceitar a proposta da empresa. Com isso, não haverá greve no Metrô de São Paulo.

O Metrô também ofereceu 10% de reajuste para vale-alimentação e vale-refeição desde que os trabalhadores aceitem a nova forma de pagamento da participação nos resultados da companhia, em parcela fixa mais 40% atrelados a metas. Atualmente só os 40% são vinculados a metas. "Foi uma conquista importante da categoria. Não é o que a gente queria mas na conjuntura atual foi o que conseguimos", disse o presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres Júnior.


G1 – 03/06/2015

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