sábado, 30 de maio de 2015

Desativação da ferrovia é um retrocesso para o desenvolvimento do MS

Recentemente fomos surpreendidos com a notícia de que a malha ferroviária de Mato Grosso do Sul será desativada. A interrupção do serviço vem causando grande indignação de boa parte da população, que cresceu vendo os trens correrem pelos trilhos transportando as riquezas do nosso Estado.
Economicamente mais barato, o transporte de mercadorias pelos trens é uma tradição em nosso País, pois as locomotivas foram as grandes responsáveis pelo carregamento de produtos nos séculos passados. O desenvolvimento do Brasil passou pelos trilhos das principais ferrovias brasileiras.
Com enorme capacidade para carregamento de produtos, o custo do transporte pela malha ferroviária é muito mais barato do que o realizado por carretas. Além disso, sem ele, aumentaria em muito o tráfego de veículos pesados nas estradas brasileiras, o que, consequentemente, deixaria as rodovias mais perigosas, crescendo, com isso, o risco de acidentes automobilísticos.
Outro fator muito importante que precisa ser levado em consideração é relacionado à preservação do Meio Ambiente; uma locomotiva é movida com carvão natural. Já os veículos pesados utilizam diesel, muito mais poluente que a matéria-prima usada nos trens.
Nos últimos oito anos foram investidos milhões na construção de um Terminal Intermodal de Cargas em Campo Grande, com objetivo de facilitar o escoamento da produção estadual via ferrovia, rodovia e acesso a hidrovia. Porém, com os indícios do fim das atividades da Rumo/ALL no Estado, esse projeto milionário também pode ser comprometido.
Com o fechamento da malha ferroviária, deixarão de ser atendidas pelas ferrovias as cidades de Três Lagoas, Água Clara, Ribas do Rio Pardo, Aquidauana, Miranda e Corumbá. Após o anúncio, a concessionária responsável já demitiu mais de 100 trabalhadores, gerando dessa forma desemprego no setor.
Além disso, a empresa responsável pela conservação da malha ferroviária recebeu incentivos fiscais para manutenção dos serviços, e não pode parar as atividades simplesmente de uma hora para a outra.
Fizemos uma audiência pública na Assembleia Legislativa com a presença do presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, o qual anunciou na ocasião que o Governo Federal investiria R$ 91 bilhões em 25 anos em linhas férreas por meio do Programa de Investimento e Logística.
Diante de toda essa situação, defendo que seja criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para apurar a desativação da malha ferroviária em Mato Grosso do Sul. Essa investigação já deveria ter acontecido. Os deputados têm o dever de se manifestar e cobrar do Governo Federal e das autoridades competentes como uma malha ferroviária vem sendo sucateada desde a sua privatização.
As autoridades competentes pouco fazem para fiscalizar, por isso todos nós temos a responsabilidade de cobrar e exigir explicações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Rumo/ALL, empresa que não vem cumprindo as condicionantes previstas no contrato de concessão. É inadmissível que nesse momento, quando é discutida a implantação da malha ferroviária ligando o Pacífico ao Atlântico, uma malha ferroviária já implantada, possa ser desativada em nosso Estado.
Tenho certeza que outros estados estão lutando para que essa malha ferroviária seja introduzida na sua extensão territorial, e Mato Grosso do Sul não pode ficar fora desse contexto.
(*) Amarildo Cruz é deputado estadual e Fiscal Tributário Estadual

A Crítica – 29/05/2015

4 comentários:

Luiz Carlos Leoni disse...

Governar é definir prioridades, porem a maioria das grandes obras do PAC - Plano de Aceleração do Crescimento do atual governo federal listadas abaixo, principalmente as usinas hidroelétricas 2ª, 3ª e 4ª opções (Que podem paralisar o país) estão interrompidas ou incompletas até hoje, e nem Angra-3 a única grande obra não entregue quando os militares deixaram o poder em 1985, portanto á trinta anos, o que significa um enorme prejuízo á nação, e agora querem aproveitando este mega empréstimo monetário da China construir uma nova ferrovia transoceânica ligando Porto Açu no Rio de Janeiro até o Peru, mais uma vez se abandona ferrovias existentes conforme demonstrado no mapa anexo, entre Araraquara, São José do Rio Preto, Estrela d’Oeste-SP, Chapadão do Sul-MS, Interligando com a Ferronorte e ou Bauru, Panorama-SP, Três Lagoas, Campo Grande, podendo derivar para Miranda e Corumbá, ou ainda para Porto Murtinho ou Ponta Porã todas em Mato Grosso do Sul, divisa com o Paraguai, ou seja, em trecho mais curto, passando por regiões mais importantes economicamente, ficando ao cargo do Paraguai o financiamento e a implantação do trecho até o Pacifico.

Lembrando que por ocasião da construção da usina hidroelétrica de Itaipu o Brasil durante o regime militar, o Brasil financiou 100% da obra, e o pagamento do financiamento seria com a conta da energia elétrica excedente que o Paraguai não consumia e venderia ao Brasil, porém durante o governo Lula o custo da energia vendida triplicou, pois se quebrou o acordo, semelhante ao que aconteceu com relação á Bolívia, na qual a Petrobras investiu pesadamente na recuperação da unidade extração de gás, e teve suas unidades invadidas e expulsas pelo governo Morales.

Fica mais uma vez evidenciado o despreparo gerencial e logístico, sem contar com a corrupção dos nossos atuais governantes e também fica evidente, que a população é quem paga por estes desmandos, sem contar que para o TAV foi criada e existe uma empresa chamada EPL- Empresa de Planejamento e Logística que até agora consumiu milhões de Reais.

Custo total estimado para construção do TAV Rio de Janeiro – Campinas, e para outros projetos de infraestrutura de grande vulto e despesa efetivamente realizada em infraestrutura ferroviária e aeroportuária;
R$ bilhões
1ª TAV (34,6)
2ª Usina hidroelétrica de Belo Monte (19,0)
3ª Usina hidroelétrica de Santo Antônio (8,8)
4ª Usina hidroelétrica de Jirau (8,7)
5ª Ferrovia Norte-Sul (6,5)
6ª Ferrovia Transnordestina (5,4)
7ª Integração do Rio São Francisco (4,5)
8ª Invest. público e privado em ferrovias de 1999 a 2008 (16,6)
9ª Invest. público em aeroportos de 1999 a 2008 (3,1).

SINFERP disse...

Concordamos plenamente com você. No caso do desmonte das ferrovias, entretanto, e em especial o das de São Paulo, necessário lembrar que deu-se em governos tucanos nos planos estadual e federal, e depois sob os descuidado nos sucessivos governos petistas no plano federal. Não temos planos de governo em nenhum lugar. Não temos estadistas. As grandes obras que temos ainda hoje foram feitas no passado. Veja a falta d´água em São Paulo como exemplo. Veja o tamanho da CPTM e do Metrô. Corrupção em todos os níveis, e isso é um fato. O que temos hoje são faraonismos absurdos. Também no tempo dos militares, como a transamazônica. TAV do Lula (ainda bem que não deu certo, apesar da ridícula criação da EPL). O monotrilho do governador de São Paulo, que ainda que venha a funcionar, tornou a todos nós reféns de um só fornecedor. Por ai vai. É o país do "vai tocando". Até a transposição do São Francisco não foi concluída. O país é um canteiro de obras de importância discutível, e que ainda assim não se concluem. Não interessa a ninguém o "feijão com arroz" que resolve, pois não rende dividendos para empresários e políticos. A continuar assim, Leoni, e ainda pagaremos taxas e impostos para respirar. Enquanto isso não temos saúde, transporte público, educação, moradia, segurança e o atendimento de outras necessidades "feijão com arroz" das populações. Abraço.

Rodrigo Xavier Franco disse...

Pela volta dos trens por todo o Brasil!!

https://secure.avaaz.org/po/petition/Queremos_a_volta_dos_trens_de_passageiros_por_todo_o_Brasil/?clIvNib

SINFERP disse...

Esta é o motivação deste blog, Rodrigo.