terça-feira, 26 de maio de 2015

China diz que ferrovia Brasil-Peru respeitará meio ambiente

Foto Roberto Stuckert Filho
A China garantiu nesta sexta-feira que a ferrovia que financiará para unir a costa brasileira ao Pacífico peruano respeitará o meio ambiente, no momento em que surgem preocupações sobre possíveis danos no trecho pela Amazônia.
"As três partes concordam em que o estudo conjunto de viabilidade deste projeto não apenas é favorável ao desenvolvimento conjunto, mas que também vai proteger o meio ambiente", garantiu nesta sexta-feira o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, em Lima.
"A China respeita a biodiversidade da América Latina (...). A selva amazônica é um tesouro de todo o mundo. Para esta infraestrutura será preciso proteger o meio ambiente", disse Li em uma declaração conjunta com o presidente peruano, Ollanta Humala, após firmar 10 acordos de cooperação.
Li garantiu que o trabalho da China para construir a ferrovia que atravessará a América do Sul favorecerá a qualidade de vida dos habitantes das comunidades locais, respeitando costumes e estilos de vida.
O projeto, que busca reduzir o preço do transporte e tornar mais competitivas as exportações da região, tem custo estimado em 30 bilhões de dólares, e unirá o Pacífico peruano à costa brasileira, sob o nome de Corredor Ferroviário Bioceânico Central (CFBC).
Exame.com – 23/05/2015

Comentário do SINFERP


Que essa ferrovia é importante para reduzir custo e tempo de escoamento de produtos primários (é o que produzimos, não é?) para a Ásia não há o que discutir. Bom negócio para o Brasil que ganha acesso ao Pacífico, e bom negócio para o Peru, que ganha acesso ao Atlântico. Bom mesmo que passe fora da Bolívia, lembrando o que o governo daquele país fez com a Petrobrás. Nem bem começa, e já aparecem os críticos e os que querem tirar “lasquinha”. A indústria ferroviária estrangeira instalada no Brasil quer que os chineses “banquem” a ferrovia, mas que não venham com os trens. Nossas construtoras, e as de sempre, já estão de olho nas obras. Certamente não aceitarão a entrada de construtoras chinesas, e que são mundialmente famosas pelas tecnologias de construções ferroviárias. Ambientalistas já protestam, e muitas vezes sem razão. Até tribos indígenas entrarão em cena, e em boa parte das vezes sem nenhuma razão. Todo mundo quer “lasquinha” política e/ou econômica. O final da história é conhecido: o que se estima em 30 bilhões de dólares logo, logo, chega em 60 bilhões, fora o “por fora” de costume. Governadores, deputados, prefeitos e vereadores entrarão na briga para alterar o traçado. Por motivos políticos, na maior parte das vezes mais do que econômicos, e todo mundo vai querer a ferrovia passando na porta, para em seguida reclamar da existência dela. Há quem diga que a melhor solução é a marítima, como se ainda tivéssemos uma frota mercante digna de nota, como um dia tivemos no passado. Não foi diferente com as ferrovias. Governo criará um órgão específico para administração, como o fez com o Trem Bala, e que, a exemplo do TAV, consome milhões mesmo sem um metro de trilho colocado. E assim, de “lasquinha em lasquinha”, e o país continuará na mesma lamentável história. A saber se os chineses estarão interessados em financiar, ainda que parcialmente, essa “farra dos trilhos”, em um país que vive de "pedágios". 

2 comentários:

Anônimo disse...

Entendo que tudo que foi dito é a conquista do progresso e um conceito desenvoltista maravilhado e de primeiro mundo.

Devemos nos acautelar com as perspectivas positivistas, evidenciando fatos repetitivos de um Brasil que sofre de uma síndrome aguda de desvio de verbas públicas, onde é raríssimo vermos obras que não foram contaminadas pelo vírus "roubatos superfaturatus corruptives".

Destarte, para piorar, vivemos a crise do "animus puniendi", onde não conseguimos punir a altura os crimes dos agentes públicos que ficam impunes e ainda ocupam cargos diretivos, tendo como exemplo a CPTM.

Observo que temo pelos chineses que se forem contaminados pelo "roubatos superfaturatus corruptives"; correm o risco de pena de morte em seu país de origem, pois lá na China existe um antídoto para o vírus chamado pena de morte, pois eliminando o contaminado, o vírus se retrai e fica com mêdo de contaminar os que ficarem expostos,ou seja, indiretamente seriam os corruptos responsáveis pela morte de alguns chineses, mas permaneceriam vivos e impunes, portanto, existe um enorme risco.

SINFERP disse...

Boa noite, Anônimo. Sim, faz sentido tudo o que escreve. Porém, em se tratando de ferrovia, um modal consagrado, não vemos motivo para nosso país depender de "forças" estrangeiras para o seu desenvolvimento. Já tivemos tudo isso no passado. Porém, como isso não acontece, estamos hoje convencidos da necessidade de uma ampla abertura de mercado. Por que essa reserva de mercado para alemães, franceses, canadenses e principalmente espanhóis? Que abram também para os chineses, até mesmo porque são compradores de nossos produtos? Já sabemos como funcionam os "consórcios" formados por nacionais e nacionalizados, e de suas relações com os compradores nacionais (estatais e governos) de sempre. Mercado cativo e jogo de compadres. PPPs com acumulação do bonus para o parceiro privado e socialização do onus com o parceiro público. Que capitalismo é esse? Como aceitar uma empresa estatual, que tem seus próprios quadros, transformar-se em um balcão de negócios, e que compra do mercado até mesmo serviços de supervisão? Em resumo: nada pode ficar pior se abrirmos amplamente para o mercado internacional.