quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Trem em Sertãozinho (SP) consome R$ 8 milhões fora dos trilhos

Foto Márcia Pinheiro
Vagão de passageiro cedido pelo Dnit virou sucata e está abandonado no pátio da Estação Ferroviária.
Após seis anos, o Trem da Cana - projeto turístico que prevê passeio da Estação de Sertãozinho até o Museu Engenho Central, numa distância de 10 quilômetros - já consumiu R$ 8 milhões e ainda não saiu do papel, em Sertãozinho.
Até o vagão de passageiros que foi cedido à prefeitura pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), está abandonado no pátio da Estação Ferroviária da cidade e acabou virando sucata.
No começo de 2009, o então prefeito de Sertãozinho Nério Costa, hoje integrante do governo de Dárcy Vera em Ribeirão Preto, lançava a ideia de um trem turístico na cidade. E fez uma parceria com a antiga administradora da linha férrea de Sertãozinho a Pontal, a Ferrovia Centro Atlântica (FCA).
O projeto que previa o passeio turístico até o museu, tinha previsão de ser finalizado em dois anos.
A FCA cumpriu sua parte no acordo e investiu R$ 8 milhões para recuperar os 20 quilômetros da linha férrea Sertãozinho a Pontal. Já a prefeitura não reformou o vagão de passageiros e nem conseguiu as verbas necessárias para colocar o trem nos trilhos.
Em 2013, a FCA devolveu o trecho ao DNIT, que repassou a Prefeitura de Sertãozinho e a Associação de Preservação das Tradições Ferroviárias (APTF), entidade com sede em Pontal e que promete a conclusão do projeto em parceria com a iniciativa privada.
“Na época, era pré-requisito que as prefeituras participassem como parceiras, mas elas entraram com interesse político”, afirmou Sérgio Feijão Filho, superintende da APTF. O valor gasto até agora com o projeto, de acordo com o superintendente da empresa, é milionário, beira os R$ 8 milhões.
Em nota, a FCA confirmou a devolução do trecho. “Tanto a linha férrea quanto os imóveis e demais materiais pertencentes ao trecho passaram a ser geridos pelo DNIT.”
Vagão
Segundo Sérgio Feijão, a única colaboração da prefeitura de Sertãozinho neste período foi retirar do pátio do DNIT em Bauru um vagão de passageiros cedido pelo órgão e transportá-lo até o município.
“Foram obtidos cinco vagões junto ao DNIT. Porém, quatro destes estavam em Osasco, mas foram incendiados e perdidos”, ressaltou o superintendente que também afirmou o valor necessário para restaurar o vagão. 
“A recuperação, tanto externa quanto interna desses vagões, vai custar cerca de R$ 1 milhão de reais”, afirmou.
Futuro do trem será o ‘Expresso do açúcar’
A empresa pontalense que assumiu o projeto já realizou algumas alterações. O trem turístico agora foi denominado de Expresso do Açúcar. “É uma maneira de resgatar a história das ferrovias da região”, disse Sérgio Feijão, superintende da APTF.
Agora, o passeio previsto inicialmente para ser gratuito, será cobrado dos turistas. “A gente entende que o dinheiro para colocar o projeto em prática terá que vir de fontes privadas. Por isso, o trem será cobrado”, disse Feijão Filho.
Prefeitura quer vagões novos
A prefeitura de Sertãozinho negou que o projeto esteja parado, e afirmou que tem feitos estudos para concretizá-lo respeitando as prioridades do município.
“Considerando o alto custo de implantação, a etapa de desenvolvimento tem sido levada de maneira a respeitar as restrições econômicas a que os principais setores do município têm sido submetidos nos últimos anos”, explicou João André da Rocha, diretor de Cultura e Turismo.
Segundo ele, a intenção é a aquisição de vagões novos. “Considerando o valor de restauro e comparando com vagões prontos para uso, tem parecido mais viável financeiramente a viabilização de outros vagões para o transporte de passageiros, quando o projeto estiver implantado.”
Ele não descarta a possibilidade de utilizar o vagão recebido do Dnit no projeto. Em nota, o Dnit confirmou que repassou o ramal de Sertãozinho a APTF. “O trecho de Sertãozinho foi cedido para entidades que se propuseram a trabalhar em parceria para implantação do Trem da Cana”.
O órgão também relatou que “o financiamento desses projetos deve ser realizado no âmbito do Ministério do Turismo, com recursos próprios ou por meio de patrocinadores privados.”

A Cidade – Eliel Almeida - 12/02/2015

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