sábado, 10 de janeiro de 2015

EUA começam hoje a construir sua primeira linha de trem-bala

São Paulo – A Califórnia é o estado mais populoso dos Estados Unidos e também aquele com a maior economia - se fosse um país, ficaria logo atrás do Brasil no ranking mundial.
O estado agora será cenário para a primeira linha de trem de alta velocidade do país, que começa a ser construída hoje na futura estação da cidade de Fresno, em cerimônia transmitida ao vivo pela internet.
A primeira fase, a ser concluída em um longínquo 2029, vai de Los Angeles a São Francisco, hoje a rota aérea de pequena distância mais movimentada (e com mais atrasos) do país.
A viagem deve durar cerca de 3 horas a velocidades que chegam a 320 km/h. O preço da passagem ainda é desconhecido, mas uma projeção aponta para uma "média de 83% da tarifa atual da viagem de ida de US$ 97". 
O valor total do projeto é de cerca de US$ 68 bilhões - pouco mais da metade proveniente de fundos federais, com o resto vindo do capital privado e de títulos do estado.
Eventualmente, o plano é conectar com 24 estações os mais de 1.200 quilômetros entre as cidades de Sacramento e San Diego, além de modernizar as linhas já existentes. 
O dinheiro não está totalmente garantido, nem todas as terras necessárias. Desde que foi proposto pela primeira vez, nos anos 80, pelo atual governador, Jerry Brown, o projeto é criticado por seu alto custo e por todo tipo de incerteza.  
Seus defensores lembram que a população do estado não para de crescer e que o congestionamento nas estradas consome US$ 18,7 bilhões da economia por ano. O custo de construir novos aeroportos e rodovias para atender à demanda crescente sairia ainda mais caro do que o trem-bala.
Isso sem falar nos benefícios ambientais de diminuir a emissão de gases estufa, nos 66 mil empregos diretos criados anualmente pelos próximos 15 anos e nos ganhos de eficiência com a melhora na conexão entre duas das maiores e mais ricas cidades do país.
A China, por exemplo, construiu só na última década cerca de 12 mil quilômetros em linhas de trem-bala, mais do que todo o resto do mundo somado. O plano é dobrar este número até 2020 e continuar exportando e financiando essa tecnologia para projetos em outros países.
No Brasil, o projeto de trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro está vivo no papel, mas não há nenhum indício de que será concretizado.

Exame.com – João Pedro Caleiro - 06/01/2015

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