terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Corte de energia atinge dois milhões de pessoas em São Paulo

No metrô, passageiros desceram e andaram pelos túneis escuros. Quem estava na fila do atendimento médico também passou sufoco.

Outros pontos tiveram problemas com a falta de energia, como metrô, por exemplo. Só em São Paulo, a maior cidade do país, o corte de energia atingiu 2 milhões de pessoas bem no meio da tarde.

No caso do metrô, alguns passageiros desceram e foram andando por um espaço estreito no túnel, se apoiando na parede suja. E com aquele calor, teve gente que passou até mal.

E quem estava na fila do atendimento médico em muitas unidades de saúde, também acabou passando sufoco. Sem energia, só restaram as mãos para enfrentar o calor na AMA Santa Cruz, uma Unidade de Saúde Ambulatorial da Zona Sul. Nela, o apagão durou das 15h às 16h, tempo em que o atendimento foi suspenso. Ao todo, 20 pessoas vão ter que voltar outro dia.

No Hospital do Servidor Público Estadual, o pronto-socorro também ficou sem energia, mas continuou funcionando. “Estava tudo normal. Só o ar condicionado que parou e voltou agora”, conta o técnico em fibra ótica Lucival dos Santos.

A servidora pública Ivanete da Silva foi atendida, mas se sentiu prejudicada: “Não tinha como imprimir o resultado dos exames e a ultrassom ficou a desejar, porque ainda não está funcionando”, afirma.

Os passageiros do metrô souberam do problema pelos autofalantes: os trens pararam entre a Avenida Paulista e o centro da cidade. “Esta estação não prestará serviço”, dizia a voz do sistema de áudio.

“A linha 4 normalmente não dá problema. Esse horário entre 16h e 17h é sempre tranquilo. Hoje é uma situação totalmente atípica”, contou o analista de sistemas Paulo Henrique Alves.

“Está um inferno, um calor insuportável, todo mundo brigando, uma confusão. Os guardas explicam errado. Eu demorei 40 minutos para vir para a Luz”, reclamou a atendente Camila Leite.

Quem vinha da Zona Oeste era obrigado a descer na Estação Paulista, onde nem esteiras nem escadas rolantes funcionavam. Dali em diante, as duas estações - República e Luz - estavam fechadas.  Por causa de um trem que parou entre as duas, os passageiros tiveram que andar pelo túnel. “Olha minha mão como está suja”, mostrou uma passageira.

Uma moça passou mal. A Estação da Luz, que ficou fechada das 15h às 16h30, faz a integração de duas linhas de metrô e duas de trem. Quando foi reaberta, as plataformas ficaram lotadas, mesmo fora do horário de pico.

 O corte de energia também atrapalhou o trânsito. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, muitos semáforos da cidade ficaram apagados. Quando a luz voltou, eles estavam desregulados.

A AES Eletropaulo informou que foi orientada pelo Operador Nacional do Sistema a reduzir em 10% o fornecimento e, por isso, cortou mais de 700 megawatts de energia distribuída para cerca de dois milhões de pessoas. Depois, afirmou que recebeu outra orientação do ONS e que restabeleceu a energia às 15h50.

O presidente do Instituto Acende Brasil diz que a situação pode se repetir, principalmente por causa da falta de água, já que o país depende muito das usinas hidrelétricas. “O dado da nossa realidade hoje é de riscos crescentes, de que episódios como esse venham a acontecer, pelo menos ao longo desse verão”, afirma Claudio Salles.

O hospital do servidor estadual disse que suspendeu os exames de raio-x e ultrassom para economizar energia e poupar os geradores. Todos os exames foram remarcados e não houve problemas com cirurgias nem com os pacientes internados.

A concessionária que administra a linha amarela do metrô disse que parou porque houve um problema no sistema de alimentação elétrica. A Eletropaulo por sua vez, afirmou que houve o corte no fornecimento, mas que não foi nada direcionado. Disse que em situações como esta, existem áreas pré-determinadas para tirar o fornecimento.


G1 – 20/01/2015

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