terça-feira, 2 de dezembro de 2014

VLT em Uberlândia (MG) poderá custar mais de R$ 1 bilhão, aponta estudos

Projeto será apresentado em audiência pública na próxima semana. Implantação do Veículo Leve sobre Trilhos é estudada pela UFU.

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) concluiu os estudos finais sobre a viabilidade de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na cidade. O estudo econômico realizado pela UFU estimou que o montante necessário para a implantação do VLT, tendo por base projetos similares em construção no país e a cotação junto a fornecedores, seria de mais de R$ 1 bilhão. O projeto será apresentado em uma audiência pública que acontecerá na próxima semana.

A proposta de percurso do VLT já havia sido apresentada pela UFU em agosto deste ano, indicando duas linhas a serem implantadas. A Linha Lilás conectará o Centro da cidade ao Bairro Alto Umuarama. Já a Linha Verde partiria do Aeroporto percorrendo as avenidas Anselmo Alves dos Santos e Rondon Pacheco, chegando até a avenida Getúlio Vargas ou até a Ponte do Val.

Segundo a professora do Instituto de Geografia da UFU e coordenadora do estudo do VLT, Marlene Colesanti, as opções de percursos também serão tema de discussão e avaliação pelos participantes da audiência pública.

No projeto da UFU, a Linha Lilás exigiria o investimento de R$ 619 milhões e a Linha Verde R$ 421 milhões nos cenários de menor custo, considerando a opção de trajeto na Linha Lilás o de ida e volta na avenida Afonso Pena e na Linha Verde chegando somente até a avenida Getúlio Vargas. Se as duas linhas forem implantadas exigirá o investimento de R$ 1.041.638.000.

No cenário mais elevado, considerando o trajeto na Linha Lilás indo pela avenida Afonso Pena e voltando pela Floriano Peixoto, o estudo apontou custo estimado em R$ 692 milhões, 12% maior que no cenário anterior, e na Linha Verde com parada final da Ponte do Val a estimativa tem o valor de R$ 495 milhões. Neste cenário o investimento seria 14% maior, alcançando a cifra de R$1.188.149.000.

Segundo o doutorando em Geografia e um dos técnicos do estudo Edson Pistori, o VLT exige um investimento inicial elevado, mas a longo prazo é vantajoso, pois a depreciação dos trens é quase três vezes menor que a dos ônibus.

Ele acrescentou que o VLT tem uma capacidade de atração de usuários muitas vezes maior que os ônibus. “Em razão do seu conforto e velocidade operacional, o VLT se torna mais eficiente enquanto alternativa de transporte coletivo de massas, afirmou.

Implantação x Custo Operacional

As linhas sugeridas têm extensões diferentes. A Lilás tem sete quilômetros e a Verde, 18. Apesar de menor, o custo da Lilás é maior em razão de dois aspectos. Nos custos da Linha Lilás estão inclusas as despesas com a construção da garagem, pátio de manutenção e centro de comando do VLT. Essa infraestrutura será comum às duas linhas, por isso, segundo o estudo, ele é rebatido do custo de implantação da Linha Verde.

O outro aspecto que torna mais cara a implantação da Linha Lilás é o custo de indenizações ao comércio para ressarcir as perdas decorrentes da interrupção das vias durante as obras do VLT. Para a Linha Lilás essa despesa pode alcançar até R$ 106 milhões devido à intensidade das atividades econômicas no Centro da cidade. Na Linha Verde, as indenizações seriam de R$ 10 milhões.

Em relação ao custo operacional, o estudo apontou que a Linha Lilás teria um custo mensal de R$ 20 milhões com rateio por pessoa (passageiro) de R$ 1,94 e a Linha Verde teria um custo mensal estimado em 29 milhões com rateio per capita de R$ 3,11.

Além do custo de investimento, o estudo econômico do VLT avaliou as possíveis receitas que poderiam ser auferidas pelo empreendimento, considerando o valor das passagens, maior arrecadação de IPTU devido à valorização dos imóveis, além da renda com publicidade nos trens. A receita anual estimada para o VLT é de R$ 100 milhões.


G1 – Fernanda Resende - 28/11/2014

4 comentários:

Anônimo disse...

Obrigado por publicar. Mais é desanimador ainda, esse lançamento do VLT foi só da Universidade que quis só mostrar seus resultados. Mais ainda não tem nenhum aval da Prefeitura da Cidade e nem do Governo do Estado(e nem do Governo Federal que poderia passar os recursos). Pode ser que o Governo derrepente não aceite esse VLT, e prefere contratar outros estudos para sugerir BRT. E outra, esse VLT não vai ser nem para curto prazo. Só está previsto para depois de 2020.
Por isso que eu falo, isso só serviu para lançar uma coisa que não é para agora, e só para o futuro mesmo. Uma pena....

SINFERP disse...

Reconfortante saber que pelo menos na universidade local tem gente defendendo isso, pois nas de São Paulo nem mesmo isso.

Anônimo disse...

A Universidade pelo menos fez sua parte. Mais para a Prefeitura da Cidade, isso é um assunto só para ser discutido no futuro.
Meus Deus.... essa visão que esses Governantes tem?

SINFERP disse...

Os "governantes" querem o que for mais barato, seja realizado o mais breve possível, e que atenda. Como atende, e quais as consequências futuras nunca entram em consideração. Não temos mais estadistas, gente com visão de futuro, mas apenas esses tapadores de buracos, que buscam voto (e financiamento de campanha) para as próximas eleições.