sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Especialista defende implantação de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Manaus (AM)

"Rush" na avenida Djalma Batista, Manaus. Foto Winnetou Almeida
Apesar de ser mais caro que o Bus Rapid Sistem (BRT), veículo sobre trilhos ocupa menos espaço e se mostra mais vantajoso a longo prazo.

Para o chefe do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Geraldo Alves, o sistema de transporte público VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) é o mais adequado à realidade urbana de Manaus. O prefeito Artur Neto (PSDB) afirmou, na edição de ontem de A CRÍTICA, que o VLT é uma opção e que particularmente é o que mais o agradou. Artur disse que não dá mais para adiar a discussão e que vai lutar por financiamento do Governo Federal para o novo modal.

Em entrevista concedida por telefone no sábado, Geraldo Alves disse que o BRT (Bus Rapid Sistem) “terá sérios problemas” para ser implantado em Manaus. Para que o sistema funcione satisfatoriamente, ele afirmou que é necessário um sistema viário com amplas avenidas e vias paralelas. De acordo com o professor, para atender o sistema, seriam necessárias três faixas exclusivas, no mínimo, tendo como o ideal quatro faixas. “Em uma cidade planejada, como Curitiba, o BRT funciona porque você tem vias paralelas para onde se direciona o fluxo de automóveis mistos. O problema é que Manaus não tem vias paralelas”, disse.

“Usando como exemplo a avenida general Rodrigo Otávio, como vamos colocar com três faixas de rolamento e o que vamos fazer com o restante do trânsito nessa via que é crucial para a cidade?”, questionou. “Manaus tem motivos de sobras para escolher um sistema sobre trilhos”, afirmou. O professor disse que o que tem motivado a preferência das administrações pelo BRT é menor custo, em comparação com outros sistemas, e o menor tempo de implantação.

“Se a gente comparar o BRT e com VLT, que tem um custo um pouco maior de implantação, a vida útil do sistema rodante (o veículo) do VLT é cinco vezes maior que a do BRT. O ônibus do BRT tem seis anos e o veículo de trilho tem 30 anos de vida útil. Quando a gente considera que vamos ter que trocar o sistema rodante do BRT cinco vezes no mesmo período que o VLT vai precisar de uma só troca, os custos vão se equiparar. E o BRT fica até um pouquinho mais caro”, afirmou.

Segundo o professor, o sistema de trilhos tem um alto nível de confiabilidade e maior pontualidade. Além de ocupar apenas uma faixa para ida e vinda, o que demanda menos espaço. “O sistema sobre trilhos tem se mostrado extremamente eficaz mundo afora e é o que melhor vai atender a nossa demanda”, afirmou. “O uso somente do sistema de ônibus convencional atende a uma demanda de cidades de médio porte, não de Manaus, que é uma grande capital. Precisamos de um sistema robusto, de média capacidade”, completou Alves.

Projeto exige uma política de Estado

Geraldo Alves defendeu que o projeto a ser implantado tem que ser tratado nos moldes de uma política de Estado e não de governo. “Tem que haver continuidade. Isso deve ser pensado para além de quatro anos (período de um mandato)”, disse.

“Precisamos de um projeto à altura de uma cidade que não investe no transporte coletivo há muito tempo. Precisamos de um projeto com uma margem maior de tempo para ser executado e com um investimento alto. Não precisa ser um projeto de R$ 2 bilhões implantado em dois anos. Pode ser um projeto com esse valor executado em quatro, seis, oito anos. A prefeitura tem que ir atrás de investimentos e se qualificar para receber”, afirmou.

O professor disse que, antes de tudo, o projeto a ser implantado “precisa atender ao princípio de democracia”. “A sociedade não tem sido procurada para o diálogo. As decisões são tomadas de cima para baixo. O projeto não deve ser do governante A ou B. Deve ser um projeto para a sociedade, que tem o direito de se posicionar”, pontuou Geraldo Alves.

Prefeito tem preferência pelo sistema

Em entrevista para A CRÍTICA na edição de ontem, o prefeito Artur Neto também demonstrou preferência pelo VLT. “Eu, particularmente, gosto muito do VLT. É uma tecnologia francesa. É mais caro, mas exige um espaço menor das vias públicas e transporta muitas pessoas e com qualidade”, afirmou. Artur, porém, disse que a escolha pelo novo sistema depende de discussão e que será feita de acordo com os dados técnicos que a prefeitura possui. “Agora, a gente tem que fazer. O que não pode é não fazer”, afirmou. “A gente tem que olhar todas as possibilidades. Escolher uma. E brigar pelo financiamento”, completou. O prefeito se reúne essa semana com o governador José Melo (Pros) para conversar sobre o tema. Na semana passada, ele tratou do assunto com o senador eleito Omar Aziz (PSD). Artur defende o novo sistema deve ser financiado pelo Governo Federal.

A discussão de um novo modelo de transporte público voltou à pauta do Executivo municipal quase cinco meses depois da realização da Copa do Mundo em Manaus, que foi a esperança de melhorias efetivas no setor. Projetos como o monotrilho e o BRT, sistema de pista exclusiva para ônibus articulados, não saíram do papel. E deram lugar ao Bus Rapid Sistem (BRS), que utiliza pista exclusiva para tráfego e as plataformas do falido sistema Expresso.

Ontem, a reportagem procurou a Semcom para ouvir a resposta da prefeitura sobre as afirmações de falta de projetos de mobilidade para financiamento federal, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.


A Crítica – Luciano Falbo - 02/12/2014

6 comentários:

Anônimo disse...

Muito obrigado por publicar a notícia. Ainda o Governo do Estado vai ver qual melhor modal que vai indicar os Estudos(ohhh, eles nem conhecem nada de modal). Sinceramente, tinha esperanças pelo VLT em Manaus, porque pelo jeito vai ser BRT mesmo (nem mesmo a Cidade nem ter espaço suficiente para o Corredor de ônibus), por questões Politicas. E outra, se for colocar BRT numa Cidade com Ruas apertadas, sem espaço e com muitos Ruas Históricas. O BRT vai ficar até mais caro do que implantar o VLT. Ou seja, Políticos e Tecnicos em Mobilidade ligados a Partidos e Interesses, não pensam na Cidade. Só pensam nos seus benefícios e que se dane se a "Cidade vai ser rasgada pelo BRT" e não preservada com o VLT.

Pelo menos o Monotrilho de Manaus já era, e sempre fui contra esse modal. Agora o BRT que é o mais barato de todos para implantar, também sou contra. Vejo que o VLT é o ideal para Manaus.

SINFERP disse...

Sim. A conversa por lá começou em torno do monotrilho. Seria a solução para a mobilidade na famigerada Copa. Vamos ver no que vai dar.

Anônimo disse...

Saiu o resultado. O BRT COMO SEMPRE, foi escolhido como Modal para Manaus!! Meus Deus!!! A Cidade nem tem espaço para o mesmo, vai causar muitas desapropriações. Se fosse VLT, não causaria desapropriações diversas, por Manaus ter Avenidas e Ruas estreitas.

Fazer o quê??? Assim mesmo....

SINFERP disse...

Essa "decisão" já nem mesmo causa mais espanto. É quase sempre assim, não é?

Anônimo disse...

Sim, já estava ciente desse decisão. O problema como eles querem enfiar BRT numa Cidade com Ruas Apertadas e muitas delas históricas?? E sem falar que Manaus já teve KMs de trilhos de Bondes.. é uma pena que foram tudo arrancados.
Essa escolha, foi Política. Com certeza, e pior! O próprio Prefeito falou que gostada de VLT e gostaria muita um desses em sua Cidade de Manaus, como agora ele fala que VLT é caro de mais para implantar??? E escolheu BRT só porque Curitiba e exemplar?? Estranho mesmo...

SINFERP disse...

Pois é: São Paulo já teve 240 km de trilhos de bondes. Você tem razão: Manaus também teve bondes no passado. VLTs parecem concentrados no nordeste. Torcemos pelo do Rio de Janeiro, pois, sendo cartão postal, talvez se torne "moda", a ser, como de costume, imitada pelos demais.